As eleições gerais de 2026 no Brasil começam a tomar forma com anúncios importantes. Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) confirmou que buscará a reeleição, encerrando especulações sobre uma possível candidatura nacional. “Sou pré-candidato à reeleição do governo do estado de São Paulo e irei trabalhar sempre por uma direita unida e forte para tirar a esquerda do poder”, declarou Tarcísio nas redes sociais, reforçando sua lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro . O governador paulista posiciona-se, assim, como peça central do campo bolsonarista no estado, enquanto alinha seu projeto político com a manutenção da unidade da direita.
No plano federal, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desponta como o nome lançado pelo bolsonarismo para a sucessão presidencial. Com Jair Bolsonaro inelegível e preso, o ex-presidente indicou o filho primogênito para conduzir o projeto político do seu movimento em 2026 . Flávio anunciou oficialmente sua pré-candidatura à Presidência, afirmando ter sido incumbido pelo pai de dar continuidade à visão de nação do grupo Bolsonaro . Essa escolha foi corroborada pelo crescimento de Flávio em pesquisas recentes: levantamento do instituto AtlasIntel, por exemplo, já o coloca consolidado em segundo lugar nacionalmente, atrás apenas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva . Lula, atual presidente, tende a buscar a reeleição pelo PT e lidera as sondagens iniciais de intenção de voto . Já em São Paulo, o principal nome da oposição deve ser Fernando Haddad (PT), ex-prefeito paulistano e atual ministro da Fazenda, cotado para disputar o Palácio dos Bandeirantes com o apoio do governo federal. O cenário de 2026, portanto, caminha para um confronto direto entre os blocos político-ideológicos de direita (bolsonarismo) e de esquerda (lulismo/petismo) em âmbitos estadual e federal.
Diante desse panorama, este artigo analisa de forma didático-jornalística os modelos de governança praticados ou propostos pelas duas duplas de adversários: de um lado, Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro; de outro, Fernando Haddad e Lula da Silva. Serão examinadas as dimensões política, social e econômica dos governos de Tarcísio e do projeto de Flávio, e em seguida será feita uma análise comparativa dessas abordagens com as de Haddad e Lula nas principais áreas de políticas públicas – economia, saúde, educação, segurança pública e infraestrutura. O objetivo é esclarecer as diferenças de visão e prioridades, fundamentando a comparação com dados, programas oficiais, declarações públicas e avaliações de especialistas, a fim de fomentar o debate cidadão sobre os rumos políticos do país em 2026.
Tarcísio de Freitas: Gestão Paulista Técnica e Alinhamento à Direita
Tarcísio de Freitas, engenheiro e ex-ministro da Infraestrutura de Bolsonaro, elegeu-se governador de São Paulo em 2022 como representante do bolsonarismo moderado. Em seu primeiro mandato, Tarcísio busca projetar a imagem de um gestor técnico, eficiente e fiscalmente responsável, ao mesmo tempo em que mantém firme alinhamento ideológico à direita. Politicamente, ele se equilibra entre a lealdade à família Bolsonaro e a necessidade de governar um estado diverso. Mesmo cogitado por alguns aliados para disputar a Presidência, Tarcísio afastou essa hipótese e optou por concorrer à reeleição estadual, reiterando publicamente seu compromisso com Jair Bolsonaro e com a união do campo conservador . Essa postura lhe garante o apoio da base bolsonarista, embora imponha o desafio de ampliar pontes com setores de centro para governar o estado mais populoso do país.
No campo econômico, a administração Tarcísio tem uma orientação marcadamente liberal e desenvolvimentista via investimento privado. O governador promove privatizações e parcerias público-privadas (PPPs) como motores de investimento em São Paulo. Um exemplo simbólico foi a privatização da Sabesp, companhia estadual de saneamento: em 2024, o governo Tarcísio concretizou a venda de 15% das ações da Sabesp para a empresa Equatorial, por R$ 6,9 bilhões . A operação, parte de um plano maior de diluição do controle estatal, foi justificada pelo governo como forma de universalizar mais rapidamente o acesso à água e esgoto no estado . A decisão enfrentou resistência da oposição, que acionou a Justiça apontando possíveis conflitos de interesse e questionando a constitucionalidade da alienação de controle da empresa pública . Ainda assim, Tarcísio manteve a agenda de desestatização e atração de capital privado, apresentando resultados expressivos: segundo balanço oficial, São Paulo atraiu R$ 910 bilhões em novos investimentos privados desde 2023, via novos empreendimentos e projetos estruturados pelo Programa de Parcerias de Investimentos estadual . Esse montante inclui concessões de infraestrutura (rodovias, metrô e trens metropolitanos) e novos negócios que contribuíram para a geração de 502 mil empregos formais em três anos, fazendo de São Paulo o líder nacional em criação de vagas no período . Tarcísio destaca conquistas antes consideradas improváveis, como a conclusão de etapas do Rodoanel Norte e da Linha 17-Ouro do metrô, e o início do projeto do túnel submerso Santos-Guarujá – obras históricas destravadas por meio de parcerias e investimento maciço em logística . Do ponto de vista fiscal, o governo paulista tem buscado eficiência e encerrou 2025 com superávit nas contas, de acordo com o próprio governador . Em resumo, o modelo econômico de Tarcísio combina ajuste fiscal, incentivo ao setor privado e grandes projetos de infraestrutura, em sintonia com a cartilha liberal do ministro Paulo Guedes (de quem foi aliado próximo) e com a ideia de que o estado deve ser facilitador – não executor direto – do desenvolvimento.
No âmbito social, o governo Tarcísio encara críticas de que os ganhos econômicos não se traduziram igualmente em avanços sociais para os mais vulneráveis. O governador deu continuidade a programas existentes, como o Bolsa do Povo (de transferência de renda estadual) e o Bom Prato (restaurantes populares), mas não implementou novas políticas sociais de grande porte. Sua gestão enfrentou tensões com servidores da educação: professores da rede estadual entraram em greve reivindicando reajustes salariais dignos, após o governo propor aumentos abaixo da inflação . A insatisfação docente expôs desafios na valorização dos profissionais e na melhoria da educação básica. Na saúde, Tarcísio buscou ampliar a oferta de serviços através de parcerias com organizações sociais e inauguração de alguns hospitais regionais, mas sem uma iniciativa emblemática comparável, por exemplo, ao programa Hospitais de Hora Certa proposto por Haddad (que visa reduzir filas de exames) . Uma área em que o governador assumiu postura firme foi a habitação: o programa Casa Paulista foi acelerado, atingindo 76 mil moradias entregues em três anos e outras 110 mil em construção, incluindo o reassentamento de centenas de famílias que viviam em condições precárias na capital . Esses números indicam preocupação em reduzir o déficit habitacional, embora desafios como a alta população em situação de rua (particularmente na cidade de São Paulo) ainda demandem políticas integradas de assistência.
Na segurança pública, Tarcísio adotou um modelo de linha dura, delegando carta branca para ações policiais ostensivas no combate ao crime. Com Guilherme Derrite – ex-deputado e policial militar – à frente da Secretaria de Segurança até 2025, o governo paulista priorizou operações repressivas contra o narcotráfico e o crime organizado. Uma consequência observada foi o aumento da letalidade policial. Até outubro de 2025, as polícias do estado mataram 649 pessoas, número superior ao registrado em todo o ano de 2023 (510 mortes) . Mesmo sem repetir em 2025 operações espetaculares como a Operação Escudo de 2024 (quando dezenas de suspeitos foram mortos na Baixada Santista), o índice de mortes por intervenção policial se manteve elevado e próximo ao patamar recorde do ano anterior, contrariando expectativas de queda significativa . Especialistas avaliam que essa estratégia, focada quase exclusivamente na repressão, tem eficácia limitada no controle da criminalidade. O ouvidor das polícias de São Paulo qualificou o total de mortos como substancial e preocupante, enquanto o pesquisador Pablo Nunes, do CESeC, concluiu que “não valeu a pena investir e colocar as fichas num candidato que, nas eleições de 2022, defendeu que a polícia não tinha que ter controle” . Organizações da sociedade civil, como a Coalizão Negra por Direitos, denunciam que o projeto de segurança de Tarcísio aprofundou um modelo violento, ineficaz e incompatível com os direitos humanos, baseado em militarização excessiva, alto encarceramento e uso desproporcional da força nas periferias, sem investimento suficiente em prevenção ou em políticas sociais nas comunidades vulneráveis . Medidas modernas de transparência, como o programa de câmeras corporais nos uniformes policiais (Olho Vivo), sofreram retrocessos: Tarcísio chegou a criticar o uso obrigatório das bodycams e desacelerou sua expansão, contribuindo para o retorno da letalidade policial a níveis anteriores à adoção das câmeras . Em suma, na área de segurança o governador paulista privilegia o endurecimento penal e apoio irrestrito à polícia, uma postura coerente com o discurso de “lei e ordem” do bolsonarismo, porém questionada quanto à efetividade e ao respeito aos direitos fundamentais.
Resumidamente, o modelo de governança de Tarcísio de Freitas em São Paulo caracteriza-se por uma combinação de gestão técnica e liberal na economia, com foco em investimento privado e grandes obras, agenda conservadora na política (alinhada a Bolsonaro e voltada a frear a esquerda) e abordagem dura na segurança pública. Embora tenha obtido indicadores econômicos positivos – atraindo capital e entregando obras paradas – e avanços pontuais em habitação, Tarcísio enfrenta críticas no campo social (especialmente em educação e direitos humanos) e carrega o desafio de mostrar resultados concretos em qualidade de vida e redução de desigualdades. Sua busca pela reeleição em 2026 se apoiará no discurso de continuidade desses projetos e na promessa de manter São Paulo no “rumo certo” do desenvolvimento, sob a ótica conservadora.
Flávio Bolsonaro: A Plataforma Nacional do Bolsonarismo em Transição
Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro, emergiu como o herdeiro político do pai no comando do bolsonarismo. Aos 45 anos, ele nunca ocupou um cargo no Executivo, mas sua pré-candidatura à Presidência representa a tentativa de prolongar e adaptar o projeto iniciado por Jair Bolsonaro em 2019. Politicamente, Flávio atua como articulador entre as várias alas da direita – do núcleo ideológico ligado às pautas conservadoras até os grupos do centrão cooptados no governo anterior. Com Jair Bolsonaro fora da disputa, Flávio busca manter unida essa base heterogênea, apresentando-se como o “nome natural” do campo bolsonarista para 2026 . Nos bastidores, houve resistências iniciais: alguns preferiam Tarcísio como candidato nacional, mas a escolha de Jair pelo filho prevaleceu, levando Tarcísio a declarar apoio e focar em São Paulo . Esse arranjo indica uma transição geracional e estratégica dentro do bolsonarismo – Flávio simboliza tanto a continuidade (por laços familiares e ideológicos) quanto a necessidade de renovação de liderança após os abalos sofridos pelo pai.
A agenda política e econômica defendida por Flávio Bolsonaro tende a espelhar os pilares do governo de seu pai, combinando retórica anti-PT, conservadorismo nos costumes e liberalismo econômico. Em declarações públicas, o senador pinta um quadro negativo do Brasil sob Lula, aludindo a retrocesso econômico, corrupção e desordem social. Ao confirmar sua missão dada por Jair, Flávio afirmou que não pode se conformar em “ver o nosso país caminhar por um tempo de instabilidade, insegurança e desânimo” . Ele elenca problemas que atribui à gestão petista: segundo Flávio, “aposentados são roubados pelo próprio governo, narco-terroristas dominam cidades e exploram trabalhadores, estatais voltaram a ser saqueadas, novos impostos não param de ser criados ou aumentados, nossas crianças não têm expectativas de futuro” . Essa mensagem condensada revela as prioridades e críticas do candidato: do ponto de vista econômico, repúdio a elevações de impostos e à presença forte do Estado na economia, sugerindo que pretende reverter medidas tributárias de Lula e bloquear quaisquer aumentos na carga tributária. Ele também acusa o governo atual de aparelhar e dilapidar empresas estatais – o que sinaliza que Flávio defenderia, por exemplo, rigor no controle de estatais (possivelmente retomando planos de privatização de empresas federais, à semelhança do que Tarcísio fez em SP). O discurso contra a “instabilidade” e o “desânimo” indica ainda uma ênfase na retomada do crescimento econômico via confiança do mercado, buscando reconquistar setores produtivos desconfiados do retorno do PT ao poder.
No campo social, Flávio Bolsonaro adota a retórica de resgate de valores tradicionais e crítica às políticas assistencialistas de esquerda, embora, pragmaticamente, deva manter programas populares como a transferência de renda. Em 2022, Jair Bolsonaro ampliou o Auxílio Brasil (antigo Bolsa Família) para R$600, reconhecendo a importância eleitoral desse benefício. Flávio, ao falar em dar “esperança às famílias” e “não ficar de braços cruzados” enquanto ela se apaga , indica compreender que precisará oferecer respostas ao povo na área social. Entretanto, a ênfase de seu discurso recai mais sobre ordem e segurança do que sobre inclusão social. Ele denuncia que “muitos se sentem abandonados” e que há “dias difíceis” com população vulnerável, mas atribui isso à incompetência ou ao viés ideológico da esquerda. Sua solução implícita está ligada a uma governança moralizante e de autoridade, em que a presença de Deus e da religião é evocada como guia – Flávio afirmou crer em “um Deus que não abandona nossa nação” e que o teria escolhido para liderar um novo tempo, marcando forte tom messiânico em sua candidatura . Essa perspectiva se traduz, na prática, em propostas de reforço dos valores familiares, oposição a pautas progressistas (como agenda LGBTQIA+ ou liberalização de drogas/aborto, embora ele não cite explicitamente, é tradicional do bolsonarismo) e apoio a comunidades religiosas influentes (neopentecostais, católicos conservadores etc.). Em resumo, socialmente Flávio deve enfatizar punição ao crime, combate à corrupção e defesa da família, mais do que detalhar programas de combate à pobreza ou redução de desigualdades – áreas nas quais tende a manter o básico herdado do pai (Auxílio Brasil, políticas focadas em “autonomia das famílias”) e a rejeitar expansões que considere populistas.
A segurança pública e a pauta de combate ao crime são centrais no discurso e na provável plataforma de Flávio Bolsonaro. Assim como Jair, Flávio defende uma postura agressiva no enfrentamento da criminalidade. No Senado, ele tem atuado em propostas alinhadas a isso, como projetos de lei para endurecer penas e isolar membros de facções criminosas. Em uma de suas intervenções na tribuna, o senador apoiou o PL 5.391/2020, que prevê a transferência de acusados de matar policiais para presídios federais de segurança máxima, sinalizando tolerância zero com ataques a agentes da lei . Além disso, Flávio e seu grupo político sustentam a ampliação do acesso da população às armas de fogo em nome da autodefesa. Durante o governo Bolsonaro, houve flexibilização do porte e posse de armas; espera-se que Flávio faça campanha prometendo reverter os decretos de controle de armas impostos por Lula, retomando a política de armamento civil. Essa diferença ficou clara já em 2022: “no tema da segurança pública, enquanto o petista [Lula] aposta na valorização da vida, Bolsonaro defende a ampliação do porte de armas” . Flávio deve continuar alegando que um cidadão armado e uma polícia com liberdade de ação são essenciais para reduzir a criminalidade. Ele também usa termos como “narco-terroristas dominam cidades” para descrever a situação atual, culpando o governo federal por uma suposta leniência com facções criminosas (apesar de Lula ter mantido políticas de combate ao crime organizado e lideranças do PCC terem sido transferidas a presídios federais já no início de 2023). Em síntese, podemos esperar que Flávio Bolsonaro proponha uma segurança pública sob o viés do confronto, com respaldo político irrestrito às forças policiais e possivelmente expandindo programas como escolas cívico-militares e guardas armadas. Seu modelo de governança na segurança tende a priorizar ordem pública acima de questionamentos de direitos humanos, numa continuidade direta à doutrina do ex-ministro Sérgio Moro e dos militares que pautaram o setor no governo Bolsonaro.
Do ponto de vista da articulação política e institucional, um eventual governo Flávio Bolsonaro traria algumas incógnitas. Por um lado, ele herdaria o partido PL fortalecido e uma base de parlamentares fiéis ao bolsonarismo, o que lhe daria um núcleo duro de apoio no Congresso. Por outro, diferentemente do pai em 2018 (que era um outsider à época), Flávio já é parte do establishment político e terá que negociar desde o início com o centrão e governadores. Sua postura nos últimos anos indicou disposição para o diálogo pragmático – ele esteve envolvido, por exemplo, nas costuras para eleger Arthur Lira presidente da Câmara e manteve trânsito com líderes do centrão. Isso sugere que Flávio poderia adotar, em caso de vitória, um estilo de barganha política parecido ao segundo bienio do governo Bolsonaro, distribuindo espaços a partidos aliados em troca de governabilidade. Resta saber se sua eventual administração conseguiria equilíbrio entre a retórica ideológica dura que mobiliza sua base e a necessidade de composição moderada para aprovar projetos. Essa tensão já se refletiu no lançamento de sua pré-candidatura: inicialmente recebida com ceticismo, agora respaldada por pesquisas que o mostram competitivo contra Lula . Ele próprio comemorou o “crescimento rápido” de seu nome nas pesquisas Quaest, dizendo que sua candidatura “não tem volta” e atribuindo a subida em parte à ausência de Tarcísio na disputa nacional . A consolidação de Flávio como líder da direita também depende de manter unidas figuras como Michele Bolsonaro (madrasta de Flávio) e outros possíveis candidatos do campo. Até aqui, ele tem pregado a união interna: “Pratico aquilo que falo, que é união. É o que vou continuar buscando sempre, porque esse é o caminho”, afirmou, quando questionado sobre eventuais divergências com aliados . Portanto, seu modelo de governança política promete fidelidade às bases bolsonaristas (igrejas, ruralistas, setores militares e policiais) e ao mesmo tempo uma condução mais negociadora nos bastidores, para evitar o isolamento institucional enfrentado por Jair em parte do mandato.
Em suma, Flávio Bolsonaro apresenta-se como o continuador adaptado do bolsonarismo. Seu projeto combina fundamentos econômicos liberais (estado mínimo, baixa tributação, privatizações), agenda conservadora nos costumes e valores e política de segurança linha-dura e pró-armas. A diferença estará no estilo: embora carregue o nome Bolsonaro, Flávio busca demonstrar viabilidade técnica e equilíbrio político para além do carisma do pai. Na prática, suas propostas devem reforçar o legado dos quatro anos de Jair Bolsonaro – enfatizando aquilo que considera terem sido acertos (como o pagamento do auxílio em valores altos, a independência do Banco Central, as concessões de infraestrutura e a pauta anti-corrupção) e prometendo corrigir o que para eles são “desvios” do governo Lula (aumento de gastos sociais, reestatização ou intervenção em estatais, políticas identitárias etc.). A seguir, contrastamos em detalhe essas visões de Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro com as de seus prováveis adversários de esquerda – Haddad e Lula – nos principais setores de políticas públicas.
Economia e Desenvolvimento: Liberalismo Conservador vs. Neodesenvolvimentismo Social
Política econômica é um dos campos em que o contraste entre os dois blocos é mais evidente. Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro defendem, em linhas gerais, uma economia liberal-conservadora, ao passo que Fernando Haddad e Lula da Silva propugnam um neodesenvolvimentismo com inclusão social.
Do lado bolsonarista, a ênfase está em reduzir o tamanho do Estado na economia, incentivar a iniciativa privada e evitar novos impostos. Conforme visto, Tarcísio implementou em São Paulo um amplo programa de privatizações e concessões, acreditando que a gestão privada e os investimentos externos podem alavancar setores-chave. Ele argumenta que tais medidas permitem expandir serviços à população sem onerar os cofres públicos – por exemplo, privatizar a Sabesp para universalizar saneamento mais rápido, ou conceder rodovias e linhas de metrô para melhorar a infraestrutura . A contrapartida dessa visão é a diminuição do controle estatal e eventuais aumentos tarifários, algo que o próprio Tarcísio chegou a admitir no caso da água (tarifas poderiam subir com a Sabesp privatizada, embora sob regulação) . Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem sinalizado que pretende retomar a agenda econômica do ex-ministro Paulo Guedes se chegar à Presidência. Isso inclui a continuidade de reformas de mercado (como a administrativa e novas fases da tributária, focadas em simplificação e desoneração empresarial) e possivelmente novas privatizações federais – durante o governo Bolsonaro foram privatizados ou encaminhados para venda a Eletrobras, a BR Distribuidora e várias subsidiárias da Petrobras; um novo governo bolsonarista poderia mirar Correios, Petrobras (que Jair não conseguiu privatizar) ou bancos públicos. A crítica de Flávio às “estatais saqueadas” sugere que ele propagará a ideia de que só a iniciativa privada ou uma gestão técnica independente pode garantir eficiência nas empresas públicas .
No que tange à política fiscal e tributária, Tarcísio e Flávio pregam responsabilidade nos gastos e baixa carga tributária. Em São Paulo, Tarcísio manteve superávit orçamentário e não elevou impostos estaduais, priorizando corte de despesas e concessões. Nacionalmente, Flávio condena explicitamente a criação de “novos impostos” pelo governo Lula . Ele provavelmente atacará medidas recentes do Ministério da Fazenda, como a volta de impostos federais sobre combustíveis e as propostas de taxação sobre investimentos de alta renda, apresentando-as como prejudiciais ao contribuinte. Podemos esperar que prometa reverter aumentos tributários e manter programas como o Simples Nacional e isenções setoriais para estimular pequenos negócios. Em síntese, o plano econômico do campo Tarcísio/Flávio se alinha ao liberalismo ortodoxo: controle da dívida pública (possivelmente retomando um teto de gastos rígido), reformas pró-mercado, diminuição da intervenção estatal direta na economia e confiança de que a prosperidade “desce” para a população via crescimento liderado pelo setor privado.
Do lado petista, a abordagem é distinta. Lula e Haddad apostam em um papel ativo do Estado como indutor do desenvolvimento, combinando disciplina fiscal responsável com investimentos sociais e produtivos. Fernando Haddad, como ministro da Fazenda, conseguiu em 2023 aprovar uma série de medidas econômicas no Congresso que ilustram sua estratégia de equilíbrio entre estabilidade e justiça social. Ele articulou a aprovação do novo arcabouço fiscal – regra que substituiu o antigo teto de gastos – vinculando o crescimento das despesas à alta de receitas, com metas de resultado primário anuais . Esse novo regime fiscal permite expandir gastos em políticas públicas de forma sustentável, ao invés de simplesmente congelar investimentos. Paralelamente, Haddad implementou uma agenda de aumento de arrecadação progressiva, tributando segmentos antes favorecidos: foram aprovadas mudanças para cobrar impostos sobre aplicações financeiras de ricos no exterior (offshores) e sobre lucros distribuídos (fim dos JCP), além de taxação de apostas eletrônicas, entre outras medidas . Embora essas propostas tenham enfrentado resistência e exigido concessões do governo – inclusive negociações políticas intensas com o centrão e até mudanças ministeriais – todas as sete principais proposições econômicas do governo Lula em 2023 foram convertidas em lei . Isso demonstra uma capacidade de governança negociada por parte de Haddad, focada em equacionar as contas públicas preservando investimentos sociais. Ademais, no final de 2023 a equipe econômica celebrou a aprovação da primeira fase da reforma tributária (sobre consumo) no Congresso, algo buscado havia décadas . Esses avanços indicam que a visão petista é reformista porém com orientação de justiça social: simplificar tributos e torná-los mais justos, taxar mais a renda do topo e aliviar o consumo e o trabalho, ao mesmo tempo em que se garante previsibilidade fiscal. Em eventuais governos futuros, Haddad e Lula devem dar sequência a essa linha, incluindo a segunda fase da reforma tributária (sobre renda, possivelmente criando impostos sobre fortunas ou lucros altos) e programas de incentivo à reindustrialização verde.
Outro ponto distintivo é a política salarial e de emprego. Haddad, em sua campanha ao governo paulista em 2022, propôs criar um Salário Mínimo Paulista acima do nacional (R$1.580 na época) para elevar o poder de compra do trabalhador . Isso reflete a tradição petista de valorização real do salário mínimo – prática que Lula já retomou como presidente, concedendo reajustes acima da inflação e prometendo formalizar uma política permanente de aumento real anual conforme crescimento do PIB. Os candidatos de esquerda enfatizam que o crescimento econômico deve incluir distribuição de renda, enquanto os adversários de direita tendem a focar no crescimento em si. Assim, podemos resumir que o campo Lula/Haddad defende um modelo neodesenvolvimentista, em que o Estado investe em infraestrutura (vide o relançamento do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, com centenas de obras em logística, energia, habitação e saneamento anunciadas ), promove a criação de empregos de qualidade, fortalece a indústria nacional (com programas como o Indústria Verde Paulista para descarbonização e modernização fabril ) e amplia a renda dos mais pobres para dinamizar o mercado interno. Para eles, combater desigualdade não é só questão social, mas também uma alavanca econômica – a demanda dos mais pobres impulsiona a produção. Lula costuma lembrar que “a economia cresce quando mais brasileiros e brasileiras participam dela de forma justa” , e esse princípio norteia suas políticas.
Em contraste, Tarcísio e Flávio podem argumentar que a visão petista gera gastos excessivos e afugenta investidores com intervenção estatal. Eles citarão indicadores negativos do atual governo (como a queda da confiança empresarial em alguns setores ou a baixa do resultado líquido das estatais federais sob Lula, apontada por análises recentes ) para advogar por um retorno à disciplina liberal. Lula, por sua vez, lembrará do boom econômico dos anos 2000 sob seu governo, quando combinou inclusão social e crescimento – embora ali conte o fator externo favorável das commodities, que o governo Bolsonaro não teve na mesma magnitude.
Resumindo esta seção: Tarcísio/Flávio defendem uma economia de mercado com Estado enxuto, focada em equilíbrio fiscal rígido, incentivos ao empreendedorismo e privatizações, confiando que a prosperidade resultante beneficiará a sociedade. Haddad/Lula advogam por uma economia mista, com Estado forte na indução do desenvolvimento, investindo em infraestrutura, educação, transição ecológica e bem-estar social, ao mesmo tempo mantendo responsabilidade fiscal via reformas tributárias progressivas e regras estáveis. A escolha dos eleitores em 2026 influenciará profundamente os rumos econômicos: um caminho prioriza o mercado e a austeridade; o outro, a intervenção estatal para crescimento inclusivo.
Saúde: SUS e Programas Sociais vs. Enfoque Gerencial e Privado
Na área de saúde pública, as diferenças de prioridades também são marcantes entre os dois campos políticos. Lula e Haddad colocam o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) no centro de sua proposta, enquanto Tarcísio e Flávio Bolsonaro tendem a valorizar parcerias privadas, iniciativas pontuais e uma menor ênfase na expansão do sistema público.
No governo federal atual, Lula iniciou uma reconstrução do setor saúde após o período pandêmico e de cortes orçamentários sob Bolsonaro. A plataforma petista prometeu ampliar as verbas do SUS e retomar programas emblemáticos que haviam sido enfraquecidos. Um exemplo é o Mais Médicos: criado no governo Dilma para levar médicos às áreas carentes (muitas vezes com profissionais cubanos), o programa foi desmontado pelo governo Bolsonaro. Lula, já em 2023, relançou a iniciativa como Mais Médicos para o Brasil, abrindo milhares de vagas e incentivando médicos brasileiros a ocupá-las, com objetivo de suprir o déficit de profissionais em municípios do interior e periferias. Da mesma forma, o governo petista reativou o Farmácia Popular, programa que oferece medicamentos gratuitos ou com grande desconto, e aumentou a compra de vacinas e insumos, reconhecendo a queda nas coberturas vacinais nos últimos anos. A visão de Lula é que saúde é investimento, não gasto: durante a campanha, ele enfatizou que a piora dos serviços na pandemia foi fruto de falta de investimento e gestão equivocada, e prometeu reverter os “desmontes” ocorridos . Isso inclui valorizar os profissionais de saúde (melhores salários, concursos para repor equipes) e aprimorar a estrutura do SUS em todos os níveis (atenção básica, especializada e hospitalar). De fato, já em seu primeiro orçamento Lula excluiu o gasto com Bolsa Família do teto e abriu espaço fiscal de cerca de R$ 22 bilhões, parte do qual foi destinado ao Ministério da Saúde – garantindo recursos para vacinas, vigilância epidemiológica e retomada de obras de unidades básicas paradas. Fernando Haddad, embora hoje esteja na Fazenda, em São Paulo propôs no plano de 2022 expandir a experiência dos Hospitais da Rede Hora Certa (criados em sua gestão na prefeitura) para todo o estado . Esses hospitais-dia focam em exames, consultas e cirurgias de média complexidade com horário marcado, reduzindo drasticamente filas de espera. Ele também defende integrar melhor o sistema estadual ao SUS federal, levando a interiorização de especialidades e reforçando consórcios regionais de saúde. Portanto, Haddad/Lula priorizam acesso universal e gratuito à saúde, com melhoria de eficiência mas principalmente com maior investimento público para garantir esse direito – alinhados à ideia de que saúde é direito social constitucional.
Já Tarcísio de Freitas adotou em São Paulo uma postura mais gerencial e focalizada. Seu governo manteve parcerias com Organizações Sociais (OS) para gerir hospitais e ambulatórios, modelo já praticado nas gestões anteriores do PSDB. Isso traz agilidade administrativa, mas há críticas sobre controle de qualidade e pouca ampliação de capacidade instalada. Durante a pandemia de COVID-19 (que já havia arrefecido quando Tarcísio assumiu, em 2023), ele evitou confrontos diretos com políticas de vacinação e não reproduziu negacionismo – inclusive apoiou a campanha de vacinação infantil e manteve estrutura de resposta a emergências sanitárias. Porém, sua gestão não lançou programas inovadores de saúde. Enquanto Haddad fala em construir Hospitais de Hora Certa e unidades regionais, Tarcísio focou em concluir obras já iniciadas (como hospitais em cidades do interior) e em telemedicina e digitalização de serviços para otimizar atendimentos. A crítica dos profissionais de saúde em SP recai sobre falta de pessoal e sobre a não expansão significativa da atenção primária. Além disso, o orçamento da saúde estadual enfrentou limitações devido à política fiscal austera. Em suma, Tarcísio privilegia eficiência operacional e parcerias privadas na saúde, mantendo o sistema funcionando dentro das capacidades existentes, mas sem uma injeção maciça de recursos novos ou criação de programas sociais de saúde de grande alcance.
Quanto ao grupo de Flávio Bolsonaro, podemos inferir seu posicionamento a partir do histórico do governo Bolsonaro e das declarações atuais. Jair Bolsonaro, durante a pandemia, minimizou orientações científicas, brigou com governadores a respeito de medidas de isolamento e teve três ministros da Saúde em um ano, resultando em uma condução errática que foi amplamente criticada. Flávio, como senador, apoiou a postura do governo na época. Um eventual governo Flávio provavelmente não repetiria a circunstância extrema da COVID-19, mas suas políticas de saúde tenderiam a dar continuidade ao ideário bolsonarista: estímulo à participação do setor privado e filantrópico (planos de saúde acessíveis, santas casas), manutenção do SUS porém sem expansão significativa, e programas de saúde preventiva de apelo popular. Bolsonaro pai, por exemplo, lançou iniciativas como o Programa Nacional de Incentivo à Atividade Física e o Saúde Digital (uso de aplicativos e teleatendimento) . Esses programas eram mencionados como vitrines, embora de impacto limitado em comparação a ações estruturais. Flávio poderia revivê-los, enfatizando estilo de vida saudável e modernização tecnológica da saúde, em vez de simplesmente aumentar recursos para SUS. Outra diferença ideológica: o bolsonarismo se opõe a políticas de redução de danos em saúde (como distribuição de material para usuários de drogas) e tende a restringir pautas como educação sexual nas escolas, o que faz parte do debate mais amplo de saúde pública (prevenção de HIV, gravidez na adolescência). Assim, em temas sensíveis – por exemplo, flexibilização das regras para aborto legal ou políticas para pessoas trans no sistema de saúde – é provável que Flávio mantenha posições conservadoras e restritivas.
É importante notar também a questão vacinal e científica. O governo Lula retomou campanhas de vacinação em massa (contra poliomielite, covid e outras), enquanto o governo Bolsonaro havia tido falhas em adquirir vacinas inicialmente e contribuiu para uma queda na confiança de parte da população nas vacinas. Flávio Bolsonaro terá que definir se seguirá a linha moderada, incentivando a imunização (especialmente se houver novas emergências sanitárias), ou se flertará com segmentos antivacina da sua base. Dado que ele próprio afirmou que “sem saúde não há como uma população prosperar” , pode-se esperar um discurso público a favor da saúde preventiva; entretanto, na prática, o compromisso orçamentário com o SUS e com campanhas nacionais talvez não tenha a mesma prioridade que teria sob um governo petista.
Em resumo, Lula e Haddad defendem uma saúde pública robusta, com mais investimentos e retomada de programas sociais de saúde, como Mais Médicos e Farmácia Popular, e a redução de filas por meio de hospitais dia e gestão eficiente porém com financiamento adequado . Tarcísio e Flávio Bolsonaro tendem a promover uma saúde pautada por parcerias privadas, tecnologia e foco gerencial, evitando grandes expansões do SUS e confiando mais na eficiência do que em aportes financeiros. Essa diferença implica que, sob Lula/Haddad, deveremos ver aumento do acesso universal (mais unidades de saúde, médicos e remédios gratuitos), enquanto sob Tarcísio/Flávio veríamos manutenção do modelo atual com possíveis inovações pontuais e estímulo ao setor privado suprir lacunas. A população terá de avaliar qual abordagem melhor atende ao direito à saúde e à qualidade do atendimento: se a que aposta na presença forte do Estado garantindo serviços, ou a que aposta em parcerias e em cada indivíduo cuidando de si com menos intervenção estatal.
Educação: Inclusão e Investimento Público vs. Conservadorismo e “Escola Sem Partido”
A educação é outra área em que as diferenças de filosofia entre os grupos se evidenciam. Haddad e Lula historicamente priorizam a expansão e inclusão educacional, com forte investimento público do ensino básico ao superior. Tarcísio e Flávio Bolsonaro, embora também falem em melhoria da educação, colocam ênfase em valores conservadores e gestão, por vezes criticando suposta “ideologização” nas escolas e valorizando o papel da família.
No projeto petista, há um legado claro: durante os governos Lula (2003-2010) e Dilma (2011-2016), o Brasil viveu ampliações significativas no acesso à educação. Foram criadas dezenas de universidades e institutos federais, implantadas políticas afirmativas (cotas raciais e sociais nas universidades), além de programas de financiamento e bolsas, como o Prouni e o FIES expandidos. Lula, em 2022, comprometeu-se a reverter os desmontes do governo Bolsonaro na área educacional e retomar investimentos do ensino fundamental à pós-graduação . Isso inclui retomar o Plano Nacional de Educação, fortalecer a educação pública gratuita, laica e de qualidade, e recuperar o orçamento das universidades e órgãos de pesquisa (CNPq, Capes), que sofreram cortes severos na gestão anterior. De fato, Bolsonaro foi muito criticado pelas reduções orçamentárias sucessivas em educação e ciência – houve bloqueios de verbas nas federais e interrupção de bolsas de pesquisa, ao ponto de seu governo ser descrito como um período de “desmonte” pelo setor . Lula promete recompor esses investimentos e estimular novamente a produção científica e tecnológica nacional .
No nível básico, Fernando Haddad traz sua experiência como ex-ministro da Educação (2005-2012) e ex-prefeito de São Paulo. Ele é associado a políticas inovadoras como o Enem unificado e a expansão das escolas técnicas federais. Em São Paulo, Haddad propôs o programa Alfabetiza SP, visando garantir alfabetização na idade certa e recuperar a defasagem pós-pandemia . Sinalizou também que manteria e ampliaria as cotas nas universidades estaduais, seguindo o que Lula já defendeu nacionalmente . Outra proposta é criar Institutos Estaduais de Educação em São Paulo, para levar à rede estadual de ensino médio a infraestrutura inspirada nos CEUs (Centros Educacionais Unificados, com equipamentos culturais e esportivos) e a qualidade pedagógica dos Institutos Federais criados em seu período no MEC . Em termos de inclusão, Haddad prioriza acolher os excluídos das gestões anteriores: suas propostas falam em acolher quem mais precisa e investir na permanência estudantil dos jovens pobres – por exemplo, criando o Cartão Oportunidades, um auxílio mensal para alunos de baixa renda permanecerem na escola em tempo integral , e o Bom Prato Estudantil, garantindo alimentação gratuita para estudantes vulneráveis e assim combater a evasão escolar por fome . Tais medidas mostram a perspectiva de que educação e políticas sociais caminham juntas. Também há o compromisso de manter políticas de diversidade, como material pedagógico que respeite diferenças culturais e combate ao bullying, alinhado à visão de uma educação democrática e plural.
Já Tarcísio de Freitas, ao longo de seu governo paulista, manteve o programa de Escolas de Tempo Integral herdado das gestões anteriores e até o ampliou em número de unidades, reconhecendo os bons resultados que esse modelo vinha trazendo no estado. No entanto, seu relacionamento com os professores foi tenso em alguns momentos. Em 2023 e 2024, professores estaduais protestaram contra reajustes salariais insuficientes (5% em 2024, após 6% em 2023) , acumulando perdas salariais frente à inflação. Tarcísio defendeu que já havia pago um bônus por mérito e outros benefícios, mas sindicatos consideraram o aumento irrisório, o que levou a greves pontuais . Essa situação indica que, ao menos em termos de valorização do magistério, o governo de direita foi mais austero, priorizando o equilíbrio fiscal em detrimento de ganhos reais para a categoria – em contraste, governos petistas costumam conceder reajustes mais generosos ao funcionalismo de educação, entendendo isso como investimento. Em termos de conteúdo, Tarcísio adotou posições conservadoras: por exemplo, ele criticou publicamente a distribuição de um caderno do MEC sobre educação sexual, alinhando-se ao discurso de grupos que acusam materiais assim de impróprios (o que ressoa a pauta do Escola Sem Partido, movimento que alega haver “doutrinação ideológica” de esquerda nas escolas). Não há registro de Tarcísio ter implementado censura a professores, mas sua base política no estado inclui deputadas como Janaína Paschoal, que são fortes críticas do que chamam de “agenda ideológica” nas salas de aula. Portanto, sob Tarcísio, São Paulo viu uma continuidade administrativa na educação, porém com viés conservador em questões comportamentais e contenção de gastos em pessoal.
Flávio Bolsonaro, em nível nacional, certamente abraçará as bandeiras educacionais de sua família. Jair Bolsonaro, durante a campanha e mandato, enfatizou que “os pais devem ser os principais atores da educação dos filhos” e que o Estado não deve interferir nos valores morais das crianças . Isso se traduziu em tentativas (barradas no Congresso) de aprovar a lei “Escola Sem Partido”, que buscava proibir posicionamentos políticos ou discussões sobre gênero e sexualidade em sala de aula. Flávio deverá retomar esse tema em sua plataforma, prometendo “combater a ideologia de gênero”, “expurgar o marxismo cultural” das escolas e coisas do tipo, para agradar a base conservadora. Outra pauta será a defesa do ensino domiciliar (homeschooling), que o governo Bolsonaro tentou legalizar. Assim, no campo curricular, espera-se do projeto Flávio/Tarcísio uma visão mais tradicionalista, com possível incentivo a escolas cívico-militares (modelo de colégios geridos em parceria com PMs e forças armadas, também impulsionado pelo MEC bolsonarista). De fato, Bolsonaro pai multiplicou as escolas militarizadas e Flávio deve prosseguir nessa direção, argumentando melhoria na disciplina e nos valores cívicos dos alunos.
Quando se trata do ensino superior, a diferença é clara: Bolsonaro não tinha propostas para universidades além de cortes e intervenções ideológicas, enquanto Lula/Haddad apoiam a expansão e inclusão. No programa de governo de Bolsonaro em 2022, universidades foram mencionadas apenas de passagem, sem propostas específicas . Seu governo contingenciou verbas das federais e tentou impor nomeações ideológicas para reitores. Em oposição, Lula assegura manter as cotas e ampliar políticas de permanência (bolsas, moradia estudantil) para jovens de baixa renda na universidade . Haddad deve apoiar essas iniciativas em São Paulo, quem sabe implementando cotas estaduais (que São Paulo curiosamente não tinha adotado totalmente para USP/Unicamp/Unesp até recentemente). Adicionalmente, Haddad propõe integrar a rede técnica estadual aos Institutos Federais, que são referência, sugerindo elevação da qualidade do ensino médio público com conteúdo técnico e tecnológico de ponta . Isso contrasta com a reforma do ensino médio feita na era Temer/Bolsonaro, que o PT critica por ter precarizado a formação geral dos alunos. Haddad já indicou que revisaria essa reforma curricular, sintonizando com o que o governo Lula vem discutindo nacionalmente (adequações no Novo Ensino Médio para torná-lo mais efetivo).
Em resumo, na educação básica: Haddad/Lula querem escola integral, financiamento adequado, valorização do professor e conteúdos inclusivos, assegurando direitos (como educação sexual científica, respeito à diversidade e pensamento crítico) dentro do currículo. Tarcísio/Flávio querem disciplina, meritocracia e controle ideológico nas escolas, com possível uso de modelos militarizados e maior influência dos pais sobre currículos (o que pode significar limitar temas como gênero, sexualidade, religião comparada, política, etc.). Na educação superior e técnica: Haddad/Lula apostam em expansão de vagas, cotas e pesquisa científica financiada, enquanto Tarcísio/Flávio tenderiam a cortes de gastos, incentivo a EAD e setor privado (Bolsonaro chegou a sugerir que universidades “deveriam se virar com recursos próprios”, indicando descompromisso com financiamento público amplo).
Cada modelo tem implicações profundas. O progressista visa um salto educacional com inclusão, para formar mão de obra qualificada e cidadãos conscientes, acreditando que isso reduz desigualdades no longo prazo. O conservador-liberal foca em resultados de curto prazo e controle ideológico, com a visão de que a educação deve antes melhorar índices básicos de aprendizagem (português e matemática) e evitar que a escola contrarie valores familiares tradicionais. O eleitor paulista e brasileiro em 2026 estará escolhendo não apenas gestores, mas também um projeto pedagógico de sociedade.
Segurança Pública: Confronto Direto vs. Prevenção e Cidadania
A segurança pública figura entre os temas mais sensíveis para o eleitorado, e aqui o contraste entre as abordagens é nítido. Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro representam a linha dura, focada no confronto direto ao crime, armamentismo civil e exaltação das forças policiais. Haddad e Lula, sem abrir mão do combate ao crime, enfatizam estratégias de inteligência, controle de armas e programas sociais preventivos, buscando reduzir a violência com respeito a direitos e soluções de longo prazo.
Conforme descrito, São Paulo sob Tarcísio viu uma intensificação de operações policiais de alto impacto. A ideia central foi retomar o controle de áreas conflagradas (cracolândias, favelas dominadas por tráfico) com ações enérgicas, e reagir com força máxima contra criminosos violentos. Isso levou a resultados ambíguos: por um lado, apreensão de arsenais e prisões de lideranças criminosas; por outro, número elevado de mortes em confrontos e denúncias de abusos . Tarcísio fez declarações de que “bandido em São Paulo não terá vez” e endossou a tropa mesmo diante de críticas – postura que lhe rende apoio de parcela da população cansada da insegurança, mas que acende alertas em órgãos de direitos humanos. Além disso, ele reduziu políticas de controle externo: o programa de câmeras nas fardas, que havia sido implementado no governo Doria e resultara na queda da letalidade policial em 2021-2022, teve menor prioridade. Até o fim de 2025, das 15 mil câmeras prometidas por Tarcísio instalar, apenas cerca de 10,7 mil estavam em uso , e houve modificação na forma de uso que, segundo especialistas, diminuiu sua eficácia. Com menos “olhos” vigiando, os índices de mortes pela polícia voltaram a patamares pré-câmeras, indicando retrocesso em um ponto que era caso de sucesso paulista .
No âmbito nacional, Flávio Bolsonaro certamente endossa e amplifica essa abordagem. Ele frequentemente louva policiais e militares, e deve fazer campanha propondo leis de proteção jurídica ao policial (excludente de ilicitude para ações em serviço, por exemplo) e endurecimento penal generalizado. Vale lembrar que Bolsonaro pai já facilitou indultos e perdões a policiais condenados (como no decreto do “indulto de Natal” beneficiando PMs do caso Carandiru, que acabou anulado pelo STF). Flávio poderá seguir essa trilha, prometendo “segurança jurídica” para agentes que reagirem contra criminosos, o que preocupa entidades contrárias a eventuais licenças para matar. Além disso, Flávio utilizará o tema da violência urbana para atacar diretamente Lula e o PT, associando-os (ainda que de modo controverso) a uma leniência com criminosos. Um ponto de narrativa será o envolvimento do PCC no financiamento de campanhas – boato já usado contra o PT no passado – e as rebeliões em presídios no início dos governos petistas (em 2006 houve ataques do PCC em SP sob Alckmin/Lula). Flávio buscará se colocar como o candidato da “lei e ordem”, capitalizando também em cima do medo de instabilidade gerado pelos eventos de criminalidade violenta, como ataques a escolas e facções no Norte/Nordeste.
Em contrapartida, Haddad e Lula advogam por uma segurança cidadã e inteligente. Haddad mencionou em seu plano a criação de um Novo Plano Estadual de Segurança Pública que vincule metas de redução de criminalidade a valorização das polícias, com investimentos em tecnologia, inteligência e melhor formação . Isso significa: uso de big data, integração de bancos de dados entre polícias Civil, Militar e Federal, treinamento continuado dos policiais para técnicas modernas (investigação, mediação de conflitos) e pagamento de salários dignos para os agentes – ele inclusive cita melhores salários, enquanto Tarcísio privilegiou bônus por metas. Essa visão parte do pressuposto de que policiais motivados e bem preparados tendem a ser mais eficientes e menos violentos. Haddad também fala em metas de redução de crime, ou seja, cobrança por resultados concretos (menos homicídios, roubos, etc.), e não por indicadores como número de confrontos ou prisões apenas. Durante os governos federais do PT, houve iniciativas interessantes nesse campo: por exemplo, o Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) no segundo governo Lula, que investiu em prevenção social (iluminação pública, esportes para jovens, reforço de guardas municipais) e criou unidades de Polícia Pacificadora no Rio (em parceria com governo estadual). Lula em 2023 sinalizou retomar algo nessa linha, com o novo Ministério da Justiça (sob Flávio Dino) focando em controle de armas e integração nacional do enfrentamento às facções. Em menos de um ano, Lula conseguiu aprovar no Congresso um pacote de regras mais rígidas para armas de fogo, revertendo a liberação excessiva dos anos anteriores – limitou o número de armas para CACs, aumentou exigências para registros e recolheu milhares de armas irregulares no programa de recompra . Essa política de desarmamento deve refletir na campanha: Haddad e Lula argumentarão que menos armas em circulação significam menos mortes, citando estudos e dados comparativos. Bolsonaro e aliados discordam frontalmente, crendo que cidadãos armados inibem bandidos. Aqui se dá um embate fundamental: controle de armas e violência. Pesquisas de opinião mostram a população dividida, porém inclinando-se a favor de mais armas apenas em nichos específicos; a maioria tende a apoiar que haja regulação. Lula/Dino apostarão nesse apoio majoritário para defender sua política, enquanto Flávio tentará mobilizar sua base mais ruidosa pró-armas.
Outro aspecto é a política criminal e prisional. Bolsonaro fez nome indicando ministros “linha-dura” (Moro) e com discurso pró-prisão. Paradoxalmente, no governo dele a população carcerária não caiu nem explodiu – manteve-se alta como sempre, e não houve reformas significativas. Lula e Haddad falam em ações integradas com o sistema de justiça para reduzir homicídios e crimes violentos, mas sem necessariamente aumentar encarceramento em massa. Pelo contrário, Haddad já criticou no passado a “guerra às drogas” nos moldes atuais e defende debates sobre alternativas (embora no contexto eleitoral dificilmente vá propor algo audacioso como descriminalização). Em São Paulo, uma crítica forte ao modelo Tarcísio veio justamente da sociedade civil negra, dizendo que essa política “amplia o encarceramento em massa e transforma territórios periféricos em zonas de exceção”, ignorando causas estruturais da violência . Haddad/Lula certamente trarão esse discurso de volta à pauta: insistirão que segurança pública eficaz envolve investir em prevenção social (educação, esporte, cultura para juventude vulnerável), modernizar polícias (profissionalismo ao invés de violência arbitrária) e reformas no sistema penitenciário (recuperação de presos de baixa periculosidade, separação de lideranças de facções etc.). Inclusive, Lula já autorizou a construção de novos presídios federais e reinstalou o programa de emprego para egressos, sinalizando ações mais estruturais contra facções que cooptam presos.
Em síntese, o modelo Tarcísio/Flávio para segurança aposta em força, punição rígida e armamento como solução para criminalidade. Isso agrada quem quer respostas imediatas e visíveis – por exemplo, ver policiais nas ruas e notícias de criminosos mortos ou presos. Já o modelo Haddad/Lula aposta em inteligência, prevenção e reforma institucional. Esse segundo caminho tende a apresentar resultados mais difusos e de médio prazo, como redução gradual de indicadores de crime, menor reincidência e comunidades mais resilientes, mas pode carecer do apelo simbólico da “mão dura”. A decisão do eleitor em 2026 nessa área pode ser influenciada por sentimentos de medo ou esperança: medo que leva à opção por “lei e ordem” a qualquer custo, ou esperança de que é possível reduzir o crime com respeito à vida e sem abrir mão de direitos.
Infraestrutura e Desenvolvimento Social: PPPs e Obras Privadas vs. PAC e Investimento Público
Quando o assunto são infraestrutura e políticas de desenvolvimento social, novamente emergem diferenças importantes, embora aqui haja também pontos de convergência práticas – afinal, nenhum governante negligencia completamente obras e investimentos, o que muda é a forma de viabilizá-los e as prioridades setoriais.
Tarcísio de Freitas fez de sua marca a entrega de obras de infraestrutura via parcerias e investimento privado. Como visto, ele destravou projetos parados havia anos: a retomada do Rodoanel Norte e da Linha 17 do metrô são exemplos evidentes . Em ambos os casos, foram utilizadas concessões ou modelos de PPP, aliviando o Tesouro estadual. Tarcísio também lançou o programa “SP Pra Toda Obra”, integrando 1,6 mil intervenções em estradas em todo estado, com R$ 30 bilhões investidos (boa parte via concessões rodoviárias) . Além disso, deu andamento ao projeto histórico do túnel Santos-Guarujá, assinando contrato de PPP para construir o primeiro túnel submerso do Brasil até 2031 . Esses esforços lhe renderam elogios até de críticos, por finalmente tirar do papel obras estratégicas. Em habitação, como mencionamos, ele ampliou o Casa Paulista, entregando moradias populares em ritmo acelerado – mas vale notar que isso se deu muito graças ao relançamento do Minha Casa Minha Vida pelo governo federal em 2023, com São Paulo recebendo recursos e reduzindo burocracias para viabilizar empreendimentos habitacionais (a sinergia entre governos estadual e federal nesse aspecto foi positiva, apesar das diferenças partidárias). Em termos de infraestrutura social, Tarcísio investiu também em expansão do saneamento via privatização da Sabesp (prometendo universalização antes de 2033, meta nacional) e em mobilidade sobre trilhos (leiloou linhas da CPTM para modernização e prepara o Trem Intercidades SP-Campinas, também via concessão) . Ou seja, seu modelo para infraestrutura é parceria público-privada intensiva: o estado planeja, regula e algumas vezes investe parcialmente, mas traz a iniciativa privada para aportar capital pesado e executar as obras, em troca de retornos tarifários futuros. Essa lógica tem a vantagem de realizar projetos sem comprometer demais o orçamento público no curto prazo; a contrapartida é que a população pode vir a pagar pedágios, tarifas ou contas mais altas pelos serviços concedidos (como notado no caso da Sabesp, onde a investidora no Amapá subiu a tarifa três vezes após assumir ). É um trade-off entre rapidez/eficiência e custo/controle social.
Flávio Bolsonaro, no âmbito federal, também deve seguir essa linha pró-mercado em infraestrutura. O governo Jair Bolsonaro, com Tarcísio como ministro, teve êxitos em concessões de aeroportos, portos e estradas, e chegou a iniciar a privatização da Eletrobras. Flávio certamente capitalizará esse legado, prometendo dar continuidade ao programa de concessões e privatizações de logística. Podemos esperar, por exemplo, que ele defenda a privatização total dos aeroportos restantes (Congonhas e Santos Dumont já foram licitados em blocos), novas licitações de ferrovias (como a Ferrogrão na Amazônia, travada por questões ambientais no governo atual) e expansão de projetos como o de cabotagem (BR do Mar) iniciados por Bolsonaro. Um governo sob Flávio possivelmente retomaria a ideia de privatizar a Petrobras ou partes dela, sob o argumento de investir os recursos em infraestrutura ou abater dívida – um debate que Lula encerrou em 2023 ao reforçar o caráter estratégico da petroleira para a transição energética. Isso seria grande ponto de conflito: Lula é contra privatizar estatais estratégicas, ao passo que o bolsonarismo flerta com a venda para sinalizar compromisso de mercado.
Haddad e Lula, em contraste, visualizam a infraestrutura através de um programa abrangente de investimentos públicos e coordenação nacional – o Novo PAC. Lançado em 2023, o Novo PAC prevê R$ 1,7 trilhão em investimentos até 2030, sendo parte substancial recursos da União e das estatais (Petrobras principalmente, com projetos em refino e energia limpa), e parte em concessões e financiamentos privados . Ou seja, a esquerda também recorre ao capital privado, mas conjuga com forte investimento estatal direto. No Novo PAC, áreas como habitação, transportes, energia renovável, internet banda larga e saneamento recebem aportes significativos. O governo Lula reativou, por exemplo, mais de 14 mil obras que estavam paradas pelo país, muitas em escolas, creches e unidades de saúde, numa tentativa de retomar o desenvolvimento local e gerar empregos imediatos. Outro enfoque foi a transição energética e digital: grandes investimentos em ferrovias (para tirar carga das rodovias e poluir menos), estímulo à energia solar e eólica (com financiamento do BNDES) e ampliação da infraestrutura de conectividade (internet fibra óptica para escolas, 5G nas capitais). Haddad, com sua proposta de Indústria Verde Paulista, complementa isso no nível estadual, sugerindo incentivos fiscais para empresas adotarem tecnologias limpas e modernizarem seus processos . Esses investimentos públicos, segundo o governo, não são mero gasto: buscam reduzir desigualdades regionais e fomentar um crescimento sustentado e ecológico . Por exemplo, no Nordeste e Norte, onde a iniciativa privada muitas vezes não tem tanto interesse, o PAC destina recursos a rodovias, adutoras de água e habitação popular, o que não apenas melhora a qualidade de vida como injeta renda nesses mercados locais, criando um círculo virtuoso de desenvolvimento.
Em infraestrutura urbana, Haddad em 2022 falou do Bilhete Único Metropolitano em São Paulo, integrando tarifas de transporte entre diferentes modais e cidades . Isso demonstra a preocupação da esquerda com mobilidade acessível e integração regional, facilitando a vida de quem mora na periferia distante. Tarcísio, apesar de investir em trilhos e obras viárias, não apresentou iniciativa similar de unificação tarifária (que implicaria subsídio estatal para baratear passagens de trens e ônibus intermunicipais). Novamente, a diferença é: a esquerda está mais disposta a subsidiar serviços públicos essenciais para inclusão, enquanto a direita busca sustentabilidade financeira completa dos projetos, mesmo que isso signifique cobrança integral do usuário.
Uma área crucial é o saneamento básico. Aqui ambos os lados querem atingir a meta de universalização (99% água e 90% esgoto até 2033, da lei do saneamento). As estratégias divergem: o governo Bolsonaro apostou na privatização e abertura do mercado via novo marco legal; Lula, ao assumir, fez ajustes para permitir que companhias estaduais continuassem operando via contratos de programa. Tarcísio seguiu à risca a cartilha privatista vendendo parte da Sabesp , enquanto governadores do PT seguraram suas empresas. Em 2026, no estado de SP, Haddad provavelmente prometerá manter a Sabesp sob controle público (revertendo ou congelando a privatização iniciada) e usará recursos federais (Caixa, FGTS) para obras de saneamento, ao passo que Tarcísio argumentará que a privatização já trouxe capital e que serviços vão melhorar sob gestão privada. Trata-se do dilema entre controle público com tarifa social vs. investimento privado com tarifa de mercado. A Equatorial, compradora de parte da Sabesp, tem histórico de aumentos tarifários no Amapá , o que Haddad exploraria para alertar que entregar saneamento ao lucro privado pode pesar no bolso da população mais pobre. Tarcísio/Flávio retrucarão que, sem investimento privado, muitas regiões ficarão sem saneamento por falta de dinheiro público, então é um preço a pagar pelo avanço da cobertura.
Nas políticas de desenvolvimento social mais amplas (não apenas obras físicas), vemos contrapartidas similares. Haddad/Lula priorizam programas sociais como São Paulo Sem Fome (cestas de alimentos para vulneráveis) e ampliação de transferências de renda (Renda Cidadã estadual, Bolsa Família federal) . Tarcísio/Flávio tendem a enxergar essas políticas com ressalvas: embora não eliminem ajuda aos pobres, preferem condicionar e limitar. Bolsonaro, por exemplo, ao criar o Auxílio Brasil, enfatizou bônus por desempenho escolar e esportivo, e falava em “porta de saída” dos programas sociais via emprego (discurso da autonomia e não dependência) . Lula, ao retomar o Bolsa Família, reincorporou condicionalidades (vacinação, frequência escolar) mas sem o viés punitivo, e adicionou benefícios extras (como +R$150 por criança até 6 anos, para combater a pobreza infantil). A concepção petista é tratar a assistência como direito e urgência – “superação da fome e miséria é urgente” e vai junto de política de emprego . A concepção bolsonarista é que o país “já está no caminho certo” e as famílias vulneráveis devem ter “autonomia”, usando o auxílio temporariamente . Em 2026, Flávio pode manter o Bolsa Família se eleito, dado o alto custo político de mexer nele, mas talvez volte a rebatizá-lo e insistir na narrativa de transição para emprego (mesmo que o desemprego também seja desafio para qualquer governo).
Concluindo, na seara de infraestrutura e desenvolvimento, Tarcísio e Flávio confiam no capital privado, obras via concessões e mínima intervenção estatal em empresas, acreditando que isso traz rapidez e eficiência. Haddad e Lula acreditam no planejamento estatal e investimento público massivo complementado pelo privado, para assegurar que regiões e setores menos lucrativos também avancem e para garantir tarifas socialmente justas. Novamente, o eleitor se verá diante de modelos: um que promete obras sem onerar o erário mas possivelmente cobrando do usuário, e outro que promete obras financiadas pelo Estado, integradas num plano nacional de desenvolvimento, com foco em inclusão (mesmo que isso signifique mais gasto público e execução às vezes mais lenta devido à burocracia).
Conclusão: Dois Projetos de País em Debate
As pré-candidaturas de Tarcísio de Freitas em São Paulo e de Flávio Bolsonaro à Presidência, de um lado, e a provável chapa petista com Fernando Haddad em São Paulo e Lula da Silva nacionalmente, de outro, colocam em confronto dois projetos de governança distintos para o Brasil de 2026. De um lado está o projeto conservador e liberal, que aposta na continuidade do bolsonarismo com ajustes: defesa de valores tradicionais, linha dura na segurança, estado enxuto na economia e forte presença do setor privado na oferta de serviços. Do outro lado, está o projeto progressista e desenvolvimentista, que busca dar sequência às políticas de inclusão social iniciadas por Lula, com reforço do papel estatal no desenvolvimento, enfoque em direitos sociais universais e uma segurança pública orientada por prevenção e inteligência.
Em termos políticos, o grupo de Tarcísio e Flávio representa a consolidação de uma direita populista nacionalista, agora sem Jair Bolsonaro diretamente mas ainda sob sua influência nos bastidores. Flávio aparece como o líder capaz de agregar essa direita em 2026, carregando a bênção e o espólio político do pai . Tarcísio, por sua vez, tenta se firmar como o gestor de resultados da direita, quase um “cartão de visitas” para o bolsonarismo mostrar capacidade administrativa no maior estado do país. Já Lula e Haddad encarnam a esquerda democrática tradicional: Lula, com sua enorme experiência e histórico de redução da pobreza, e Haddad, com perfil técnico e moderno, buscando renovar o petismo para uma nova geração urbana. A parceria entre eles simboliza uma união de carisma político com conhecimento técnico, enquanto a dupla Flávio-Tarcísio simboliza a união de um capital político familiar com expertise gerencial.
Socialmente, estarão em debate visões quase antagônicas: inclusão versus meritocracia, direitos humanos versus punição exemplar, diversidade versus valores conservadores. Na economia e gestão, o debate será entre Estado indutor versus mercado livre. Essa disputa se reflete inclusive nas pesquisas: hoje Lula larga com vantagem na disputa presidencial, mas com Flávio Bolsonaro crescendo e unificando o eleitorado de direita a ponto de se tornar o principal adversário em todos os cenários testados . Em São Paulo, Tarcísio entra na corrida como favorito à reeleição graças à máquina e à exposição que tem, mas Haddad deve mobilizar o eleitorado progressista e conta com o apoio direto de Lula – em 2022, a campanha conjunta Lula-Haddad no estado foi forte, embora insuficiente para derrotar Tarcísio; em 2026, com Lula candidato à Presidência, essa dobradinha pode ganhar novo fôlego.
Para a sociedade, a escolha entre esses modelos afetará diretamente áreas vitais: a economia pode seguir rumo a mais privatizações e austeridade ou a maior investimento público e redistribuição; a saúde pode manter um SUS fortalecido ou ver mais espaço ao setor privado; a educação pode aprofundar inclusão e pensamento crítico ou priorizar valores tradicionais e gestão pragmática; a segurança pública pode seguir pela força bruta ou buscar redução de violência com inteligência e cidadania; a infraestrutura pode ser alavancada pelo PAC estatal ou pelas PPPs privadas. Nenhum dos lados tem respostas fáceis para problemas complexos – ambos enfrentarão restrições orçamentárias, conjunturas internacionais e pressões sociais diversas. Especialistas apontam que, por exemplo, a candidatura de Flávio apesar do crescimento tem fragilidades – faltam-lhe a experiência executiva e a autonomia política que seu pai tinha, e parte do eleitorado questiona se ele teria estofo para governar . Por sua vez, Lula e Haddad enfrentam desafios como entregar crescimento econômico robusto, controlar a inflação e a dívida sem arrocho excessivo, e pacificar um país polarizado. Tarcísio precisa mostrar resultados sociais em SP além das obras, e Haddad precisará convencer o eleitor de centro que não repetirá erros do passado petista.
O certo é que 2026 promete ser um pleito histórico, onde os brasileiros escolherão não apenas entre nomes, mas entre visões de futuro. Este artigo buscou, de forma didática e fundamentada, delinear o que cada lado propõe ou já praticou. Conhecer os fatos e os números por trás dos discursos – desde a confirmação das candidaturas , passando pelos indicadores de seus governos (São Paulo com recorde de investimentos privados e também recorde de letalidade policial ; governo federal com retomada de programas sociais e fiscais ) – é fundamental para um debate público qualificado.
No BrasilEsferaPública, espaço dedicado ao debate cidadão, espera-se que esse confronto de modelos seja discutido com engajamento e respeito. Mais do que torcidas, o Brasil precisa avaliar criticamente o que cada projeto oferece para as distintas esferas da vida nacional. Afinal, políticas de governo têm impacto direto no cotidiano: na comida na mesa, na segurança do bairro, na escola dos filhos, no emprego e no acesso a serviços. Ao comparar as propostas e históricos de Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro versus Fernando Haddad e Lula da Silva, podemos esclarecer quais caminhos estão em jogo. Cabe ao eleitor, munido de informação e senso crítico, decidir que rumo tomar em 2026. O debate está posto – e é saudável que, até lá, BrasilEsferaPública e outros fóruns amplifiquem as vozes, os dados e os argumentos, para que a escolha seja a mais consciente possível. O futuro do país será moldado pelas escolhas de seus cidadãos, e conhecer profundamente os modelos de governança em disputa é o primeiro passo para exercer essa escolha de forma plena e responsável.
Fontes
Tarcísio de Freitas anunciou nas redes sociais que disputará a reeleição em São Paulo, reiterando lealdade a Jair Bolsonaro e descartando candidatura nacional (FREITAS, 2026; METRÓPOLES, 2026). O senador Flávio Bolsonaro confirmou que foi escolhido pelo pai para concorrer à Presidência em 2026 (REUTERS, 2025a) e declarou que sua pré-candidatura “não tem volta” (REUTERS, 2025b; INFOMONEY, 2026), em um contexto no qual pesquisas nacionais têm registrado Lula na liderança e Flávio como um dos principais nomes do campo oposicionista (REUTERS, 2026a; CNN BRASIL, 2026a). A gestão Tarcísio tem sido associada a um modelo econômico liberal, exemplificado pela desestatização da Sabesp, com investimento de referência de cerca de R$ 6,9 bilhões por parte do Grupo Equatorial, sob a narrativa de acelerar a universalização do saneamento (EQUATORIAL ENERGIA, 2024). No eixo de segurança, o debate público se intensificou com o aumento de mortes em intervenções policiais em 2025 e com controvérsias sobre diretrizes e desenho institucional de políticas como as câmeras corporais, tema criticado por especialistas e acompanhado por disputas judiciais e administrativas (CNN BRASIL, 2026b; CNN BRASIL, 2024). Por outro lado, o governo paulista divulga indicadores econômicos e de entrega de infraestrutura — como a atração de grandes volumes de investimento privado, criação de empregos formais e avanço de obras (BOM DIA SOROCABA, 2025), além da entrega de trecho do Rodoanel Norte, apresentado como marco de retomada de obras paralisadas (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2025). Flávio Bolsonaro, alinhado ao discurso de ordem e crítica fiscal-tributária ao governo federal, sustenta que “novos impostos” seguem sendo criados ou ampliados e que o país vive insegurança e desalento, prometendo continuidade ao projeto político do bolsonarismo, com ênfase em valores e autoridade (BOLSONARO, 2026; REUTERS, 2025b). No campo oposto, Lula e Haddad reivindicam a recomposição de políticas públicas e a ampliação/retomada de programas sociais e sanitários, como Bolsa Família e Mais Médicos (BRASIL, 2023a; BRASIL, 2023b; BRASIL, 2023c). Em 2023, Haddad aprovou o novo arcabouço fiscal e impulsionou medidas de aumento de receitas — incluindo tributação de fundos exclusivos e rendimentos no exterior — como parte de uma agenda de consolidação fiscal e reorganização do Estado (BRASIL, 2023d; BRASIL, 2023e). Analistas também apontam que o crescimento de Flávio em pesquisas convive com dúvidas sobre sustentabilidade política própria, dada a dependência do capital eleitoral do pai e o conflito entre “moderação de mercado” e fidelidade à base radical (VEJA, 2026; REUTERS, 2025a). Pesquisas no início de 2026, como a AtlasIntel/Bloomberg, testaram cenários em que Lula aparece à frente em diferentes simulações, inclusive contra Flávio e Tarcísio (CNN BRASIL, 2026a); em São Paulo, levantamentos preliminares indicam Tarcísio na dianteira e mantêm em aberto a consolidação do principal adversário, com hipóteses envolvendo Haddad entre os nomes testados (GAZETA DO POVO, 2026). Essas referências reforçam os contornos do debate aqui exposto e servem de base factual para a comparação dos modelos de governança em jogo.
Referências (ABNT NBR 6023:2018)
BOLSONARO, Flávio. Publicações no X (perfil oficial). [S. l.], 2026. Disponível em: https://x.com/FlavioBolsonaro?lang=en. Acesso em: 31 jan. 2026.
BOM DIA SOROCABA. Em 3 anos de gestão, Governo de SP destrava obras emblemáticas e faz expansão histórica de serviços e investimentos. Sorocaba, 2025. Disponível em: https://bomdiasorocaba.com.br/noticia/82357/em-3-anos-de-gestao-governo-de-sp-destrava-obras-emblematicas-e-faz-expansao-historica-de-servicos-e-investimentos. Acesso em: 31 jan. 2026.
BRASIL. Presidência da República. Lei n. 14.601, de 19 de junho de 2023 (Institui o Programa Bolsa Família). Brasília, DF, 2023a. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14601.htm. Acesso em: 31 jan. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Programa Mais Médicos é retomado para fortalecer a Atenção Primária. Brasília, DF, 2023b. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2023/marco/programa-mais-medicos-e-retomado-para-fortalecer-a-atencao-primaria. Acesso em: 31 jan. 2026.
BRASIL. Presidência da República. Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante o evento de lançamento da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Paris, 2023c. Disponível em: https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/discursos/2023/discurso-do-presidente-da-republica-luiz-inacio-lula-da-silva-durante-o-evento-de-lancamento-da-alianca-global-contra-a-fome-e-a-pobreza. Acesso em: 31 jan. 2026.
BRASIL. Senado Federal. Novo arcabouço fiscal é aprovado pelo Congresso e segue para sanção. Brasília, DF, 2023d. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2023/08/24/novo-arcabouco-fiscal-e-aprovado-pelo-congresso-e-segue-para-sancao. Acesso em: 31 jan. 2026.
BRASIL. Presidência da República. Lei n. 14.754, de 12 de dezembro de 2023 (Tributação de rendimentos no exterior e fundos exclusivos). Brasília, DF, 2023e. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14754.htm. Acesso em: 31 jan. 2026.
CNN BRASIL. Atlas: Lula venceria Flávio, Tarcísio ou Michelle no 2º turno por 4 pontos. São Paulo, 23 jan. 2026a. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/iuri-pitta/eleicoes/atlas-lula-venceria-flavio-tarcisio-ou-michelle-no-2o-turno-por-4-pontos/. Acesso em: 31 jan. 2026.
CNN BRASIL. Letalidade policial em SP: mortes por PMs em serviço cresceram em 2025. São Paulo, 9 jan. 2026b. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/letalidade-policial-em-sp-mortes-por-pms-em-servico-cresceram-em-2025/. Acesso em: 31 jan. 2026.
CNN BRASIL. Especialistas criticam edital de câmeras corporais de Tarcísio; entenda. São Paulo, 24 maio 2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/pedro-venceslau/politica/especialistas-criticam-edital-de-cameras-corporais-de-tarcisio-entenda/. Acesso em: 31 jan. 2026.
EQUATORIAL ENERGIA. Governo de São Paulo conclui privatização da Sabesp e Grupo Equatorial se torna investidor de referência. [S. l.], 23 jul. 2024. Disponível em: https://www.equatorialenergia.com.br/governo-de-sao-paulo-conclui-privatizacao-da-sabesp-e-grupo-equatorial-se-torna-investidor-de-referencia/. Acesso em: 31 jan. 2026.
FREITAS, Tarcísio Gomes de. Sou pré-candidato à reeleição do governo do estado de São Paulo (post na rede social X). [S. l.], 2026. Disponível em: https://x.com/tarcisiogdf/status/2014474550868857034. Acesso em: 31 jan. 2026.
GAZETA DO POVO. Pesquisa 100% Cidades/Futura: intenção de voto para governador de São Paulo (jan. 2026). Curitiba, 2026. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/pesquisa-eleitoral-2026/pesquisa-100-cidades-futura-governador-sao-paulo-janeiro-2026/. Acesso em: 31 jan. 2026.
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Governo de SP entrega primeiro trecho do Rodoanel Norte. São Paulo, 22 dez. 2025. Disponível em: https://sp.gov.br/sp/canais-comunicacao/noticias/governo%2Bde%2Bsp%2Bentrega%2Bprimeiro%2Btrecho%2Bdo%2Brodoanel%2Bnorte. Acesso em: 31 jan. 2026.
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REUTERS. Bolsonaro supports eldest son’s presidential run next year. Brasília, 5 dez. 2025a. Disponível em: https://www.reuters.com/world/americas/bolsonaro-supports-eldest-sons-presidential-run-next-year-2025-12-05/. Acesso em: 31 jan. 2026.
REUTERS. Bolsonaro’s son confirms presidential run, calls decision “irreversible”. São Paulo, 9 dez. 2025b. Disponível em: https://www.reuters.com/world/americas/bolsonaros-son-confirms-presidential-run-calls-decision-irreversible-2025-12-09/. Acesso em: 31 jan. 2026.
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VEJA. Flávio Bolsonaro avança nas pesquisas, mas quem ganha o presente é Lula. São Paulo, 22 jan. 2026. Disponível em: https://veja.abril.com.br/politica/flavio-bolsonaro-avanca-nas-pesquisas-mas-quem-ganha-o-presente-e-lula/. Acesso em: 31 jan. 2026.