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quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

06 - A Revanche do Orçamento - Conclusão: O horizonte de 2026: entre arbitragem judicial e repactuação institucional

O ciclo que se abre para 2026 tem estrutura de armadilha. Se o Executivo veta e o Congresso derruba veto, o STF será novamente convocado a decidir o destino final do conflito. Se o STF contém efeitos, será acusado de “intervenção”; se não contém, será acusado de “conivência”. Esse dilema, por si só, já é sintoma de um sistema que deixou de resolver conflitos por política e passou a resolvê-los por choque.

A saída, portanto, não é uma “vitória” de um poder sobre outro. A saída é reconstrução de regras.


Três medidas são essenciais:


  1. Despatrimonializar o orçamento: planejamento técnico, rastreabilidade plena, critérios objetivos e auditoria contínua das emendas, com indicadores e transparência ativa.
  2. Atualizar o marco institucional de responsabilização por via legislativa legítima e pública, reduzindo a tentação de decisões fragmentadas e casuísticas.
  3. Proteger a integridade punitiva dos crimes contra o Estado Democrático com desenho normativo que reduza oportunismos conjunturais e preserve a função pedagógica da punição democrática.



Se a democracia brasileira permitir que a justiça penal vire moeda de compensação do conflito orçamentário, ela normaliza o inaceitável: a ideia de que atacar o regime é caro apenas enquanto convém. E quando o custo do inaceitável vira variável política, o inaceitável deixa de ser exceção e passa a ser método.





Referências



ABRANCHES, Sérgio Henrique Hudson de. Presidencialismo de coalizão: o dilema institucional brasileiro. Dados, Rio de Janeiro, v. 31, n. 1, p. 5–34, 1988.


LINZ, Juan J.; STEPAN, Alfred. The Breakdown of Democratic Regimes. Chicago: University of Chicago Press, 1978.


POWER, Timothy J.; ZUCCO JR., Cesar. Controlling Congress: Presidential Resources and Institutional Design in Brazil. Cambridge: Cambridge University Press, 2020.


07 - A Revanche do Orçamento - Perguntas