Introdução — A mulher que carrega o Brasil nas costas
Maria acorda todos os dias às 4h50 da manhã. Não porque gosta do silêncio antes do sol nascer, mas porque o ônibus passa às 5h40 e, se ela perder aquele horário, perde também a tolerância do gerente do supermercado onde trabalha como operadora de caixa. Tem 39 anos, dois filhos, um aluguel pequeno demais para três pessoas e uma saudade grande demais para caber dentro de casa.
O marido morreu de COVID-19. Não foi apenas uma morte. Foi uma ruptura. Antes, mesmo com dificuldade, havia duas rendas, duas presenças, duas forças tentando empurrar a vida para frente. Depois, sobrou ela. Sobrou o salário mínimo. Sobrou o carnê da loja. Sobrou o gás no fim. Sobrou a conta de luz. Sobrou a escola pública. Sobrou o SUS. Sobrou a fila. Sobrou a fé.
Aos domingos, Maria vai à igreja com Lucas, de 13 anos, e Ana Clara, de 9. Ela não vai apenas para rezar. Vai porque acredita que aquele espaço pode proteger os filhos do que ela chama de “mundo perdido”. Na cabeça dela, a igreja é abrigo, escola moral, escudo contra as drogas, contra a violência, contra o inferno. Maria não tem tempo para ler relatórios econômicos, comparar séries históricas do IPCA ou entender política monetária. Ela entende outra coisa: o arroz subiu, o botijão pesa, o cartão virou extensão do salário, e o mês termina antes do dinheiro.
O paradoxo brasileiro começa aí. Os indicadores podem dizer que a inflação está sob relativo controle, que o salário mínimo teve reajustes nominais e que alguns programas sociais ajudam a segurar a queda dos mais pobres. O IPCA especial do IBGE registrou 1,49% no primeiro trimestre de 2026, e o Banco Central projetava inflação de 4,0% para o segundo trimestre de 2026 no horizonte relevante da política monetária. Ao mesmo tempo, a CNC apontou alta persistente do endividamento das famílias, chegando a patamares recordes em 2026. Ou seja: a macroeconomia pode respirar melhor, mas a vida concreta continua sufocada.
Maria não sente a inflação média. Ela sente a inflação da vida dela.
É nesse vão entre o dado técnico e a dor cotidiana que entra o líder messiânico. Ele não precisa explicar juros compostos, orçamento público, produtividade, câmbio, dependência tecnológica, informalidade ou globalização financeira. Basta dizer: “eu resolvo”. Basta apontar um inimigo. Basta prometer ordem. Basta transformar medo em voto.
1. A economia melhora no papel, mas a vida aperta no bolso
A primeira afirmação precisa ser tratada com cuidado: é possível que a inflação esteja menos descontrolada e, ainda assim, a população se sinta mais pobre. Isso não é contradição. É experiência social.
A inflação oficial mede uma cesta média. A vida real não é média. Para uma família de baixa renda, alimentos, transporte, gás, aluguel, remédios e energia elétrica pesam proporcionalmente muito mais do que para famílias de renda alta. Assim, mesmo quando o índice geral desacelera, a sensação de aperto permanece.
Além disso, salário mínimo maior não significa necessariamente poder de compra confortável. O salário mínimo de 2025 foi de R$ 1.518, e a regra de reajuste para 2026 incorporou o INPC acumulado e o crescimento do PIB de 2024, segundo a Agência Brasil. Mas a renda corrigida entra numa casa já comprometida por dívidas, juros, parcelamentos e necessidades adiadas.
É aqui que o endividamento vira variável política. A CNC define sua pesquisa de endividamento como instrumento para medir dívidas, contas em atraso, comprometimento da renda e capacidade futura de consumo. Não se trata apenas de número: trata-se de subjetividade social. Uma família endividada pensa com medo. Compra com culpa. Vota com ressentimento.
Daniel Kahneman mostrou que os seres humanos não decidem apenas por cálculo racional; decidem por percepção, perda, medo e memória recente (Kahneman, 2012). Richard Thaler reforça que a vida econômica cotidiana é cheia de atalhos mentais, erros previsíveis e decisões tomadas sob pressão (Thaler, 2019). Por isso, quando Maria vê o salário cair na conta, ela não compara com uma série histórica. Ela compara com o carrinho do supermercado.
E o carrinho parece cada vez mais vazio.
2. O desconforto econômico vira desconfiança política
A consequência é quase direta: quando a vida não melhora de modo perceptível, a confiança no governo diminui. Mesmo que existam avanços parciais, eles são engolidos pela sensação de insuficiência.
Governos governam sobre expectativas. E expectativas são frágeis. Uma pessoa pode reconhecer que existe Bolsa Família, SUS, escola pública, Vale Gás e política de salário mínimo, mas ainda assim sentir que a vida está pior. A política, nesse caso, não é julgada apenas pelo que entrega. É julgada pelo que promete, pelo que comunica e pelo que a população sente.
Esse ponto é decisivo. A extrema direita compreendeu algo que setores progressistas muitas vezes subestimam: a política contemporânea é também disputa de sensação. Não basta melhorar indicadores. É preciso disputar o significado da melhora.
Quando a população está endividada, cansada e emocionalmente instável, ela se torna mais vulnerável à narrativa do “fracasso total”. Mesmo uma melhora relativa pode ser descrita como desastre absoluto. Mesmo um problema mundial pode ser apresentado como culpa exclusiva do governo nacional. Mesmo uma crise estrutural pode ser reduzida a uma frase de WhatsApp.
É o triunfo da simplificação.
3. A fabricação do salvador
O Brasil tem uma longa tradição de busca por figuras providenciais. Em momentos de crise, parte da população procura alguém que pareça acima da política, acima das instituições e acima da complexidade. Esse personagem aparece como pai, guerreiro, profeta, justiceiro ou enviado.
Max Weber chamou esse fenômeno de dominação carismática: a obediência não nasce da lei nem da razão burocrática, mas da crença nas qualidades extraordinárias do líder (Weber, 2004). O líder carismático não precisa demonstrar competência técnica. Precisa parecer escolhido.
No Brasil recente, isso ganhou contornos messiânicos. O líder não é apenas candidato. É “mito”. É “ungido”. É “homem simples”. É “perseguido”. É “único capaz de salvar a nação”. Quanto mais atacado, mais santificado. Quanto mais contraditório, mais protegido pela fé política.
Essa lógica é perigosa porque desloca a política do campo da responsabilidade para o campo da crença. Se o líder erra, não errou: foi sabotado. Se mente, não mentiu: foi mal interpretado. Se fracassa, não fracassou: o sistema não deixou governar.
A culpa nunca chega ao messias.
4. O Leviatã Digital: a nova máquina de captura da consciência
Thomas Hobbes imaginou o Leviatã como poder soberano capaz de conter a guerra de todos contra todos (Hobbes, 2003). Mas o século XXI produziu outro tipo de monstro: o Leviatã Digital.
Esse Leviatã não usa apenas exército, polícia ou burocracia. Ele usa dados, algoritmos, redes sociais, plataformas, vídeos curtos, notificações, bolhas emocionais e microdirecionamento de conteúdo. Ele não precisa obrigar a pessoa a acreditar. Ele organiza o ambiente para que ela acredite sozinha.
Shoshana Zuboff chama esse processo de capitalismo de vigilância: um modelo econômico baseado na extração de dados comportamentais para prever, induzir e modificar condutas (Zuboff, 2020). Byung-Chul Han observa que o poder contemporâneo é mais eficiente quando se apresenta como liberdade; o sujeito acredita estar escolhendo, quando está sendo conduzido por arquiteturas invisíveis de atenção (Han, 2018).
É exatamente isso que ocorre nas redes. Maria abre o celular depois do trabalho. Está cansada. Quer ver um vídeo, uma oração, uma receita, uma notícia rápida. O algoritmo não entrega apenas informação. Entrega reforço emocional. Se ela assiste a um vídeo dizendo que “o país está acabando”, recebe outro. Depois outro. Depois um pastor falando de guerra espiritual. Depois um influenciador dizendo que vacina mata. Depois um político dizendo que bandido bom é bandido morto. Depois alguém dizendo que criança precisa trabalhar para virar gente.
Em poucos meses, a tela vira mundo.
E o mundo vira ameaça.
5. Ideologias rasas para problemas profundos
As lideranças autoritárias prosperam quando conseguem transformar problemas complexos em slogans simples. A inflação vira “roubo do governo”. O desemprego vira “preguiça do povo”. A violência vira “falta de bala”. A educação vira “doutrinação”. A ciência vira “opinião”. A vacina vira “controle”. A pobreza vira “falta de mérito”.
Essa simplificação não é inocente. É método.
Hannah Arendt mostrou que movimentos totalitários dependem da dissolução da realidade comum. Quando os fatos deixam de importar, a lealdade ao grupo passa a valer mais do que a verdade (Arendt, 2012). Umberto Eco descreveu traços do fascismo eterno, entre eles o culto da tradição, o medo da diferença, o apelo às classes frustradas, o machismo, o anti-intelectualismo e a construção permanente de inimigos (Eco, 2018).
A extrema direita contemporânea opera exatamente nessa zona cinzenta: não precisa declarar-se fascista em termos clássicos. Basta mobilizar afetos fascistizantes: ódio ao pluralismo, desprezo pelos direitos humanos, culto da força, desejo de purificação moral, hostilidade à imprensa, perseguição a professores, suspeita contra universidades e exaltação da violência estatal.
O resultado é um povo que se sente politicamente ativo, mas pensa por frases prontas.
6. Religião, medo e controle simbólico
É preciso separar duas coisas: fé e exploração política da fé.
A fé de Maria é legítima. Ela encontra na igreja acolhimento, comunidade e sentido. A religião pode ser espaço de solidariedade, reconstrução moral e esperança. O problema surge quando lideranças políticas e religiosas transformam essa fé em tecnologia de obediência.
Pierre Bourdieu chamou atenção para o poder simbólico: a capacidade de impor sentidos como se fossem naturais (Bourdieu, 1989). Quando uma autoridade religiosa diz que determinado candidato é “de Deus”, ela não está apenas opinando. Está reorganizando o campo moral do fiel. Discordar do candidato passa a parecer discordar da vontade divina.
Essa fusão entre religião e política produz um bloqueio cognitivo. O debate deixa de ser sobre políticas públicas e passa a ser sobre salvação. O adversário deixa de ser concorrente democrático e vira agente do mal.
É nesse ambiente que pautas absurdas se tornam aceitáveis. Trabalho infantil aparece como “formação de caráter”. Violência policial indiscriminada aparece como “limpeza”. Negacionismo científico aparece como “liberdade”. Ataque à escola pública aparece como “defesa da família”.
A fé, que deveria libertar, é capturada para domesticar.
7. Por que a classe trabalhadora vota contra si mesma?
Essa pergunta é incômoda, mas necessária.
Como entender que trabalhadores apoiem lideranças que defendem flexibilização extrema de direitos trabalhistas, naturalizam trabalho precoce, atacam sindicatos, desprezam políticas sociais e tratam pobreza como falha moral?
A resposta passa pela alienação. Marx mostrou que, no capitalismo, o trabalhador pode perder a consciência das condições reais de sua exploração (Marx, 2013). Mas, no século XXI, essa alienação ganhou uma camada digital e cultural. O trabalhador não apenas vende força de trabalho. Ele consome narrativas que o convencem a defender os interesses de quem o explora.
Gramsci ajuda a entender isso com o conceito de hegemonia. A classe dominante não governa apenas pela força; governa produzindo consenso, moldando valores, naturalizando desigualdades e fazendo com que sua visão de mundo pareça senso comum (Gramsci, 2002).
Assim, o trabalhador pobre passa a acreditar que o problema do país não é a concentração de renda, a precarização, a financeirização ou a desigualdade histórica. O problema seria o “comunismo”, o “professor doutrinador”, o “direito humano para bandido”, o “artista degenerado”, a “mulher feminista”, o “jovem que não quer trabalhar”.
Ele olha para baixo e para os lados, nunca para cima.
8. Antivacina, terra plana e a crise da autoridade do conhecimento
O apoio a discursos antivacina ou terraplanistas não pode ser tratado apenas como ignorância individual. É também sintoma de uma crise social da confiança.
Durante décadas, ciência, universidade, imprensa, Estado e escola funcionaram como instituições mediadoras da verdade pública. Hoje, essas instituições são atacadas sistematicamente. No lugar delas, surgem influenciadores, grupos fechados, canais conspiratórios e líderes carismáticos que oferecem “verdades alternativas”.
O problema não é a dúvida. A dúvida é parte da ciência. O problema é transformar desinformação em identidade política.
Quando alguém diz “eu não acredito em vacina”, muitas vezes não está apenas falando de imunologia. Está dizendo: “eu pertenço a um grupo que não aceita ser mandado por especialistas”. O conteúdo falso vira símbolo de autonomia.
Paulo Freire já advertia que a educação libertadora exige consciência crítica, leitura do mundo e superação da ingenuidade (Freire, 1987). Sem isso, o sujeito pode ser alfabetizado tecnicamente e continuar politicamente manipulável.
Sabe ler, mas não sabe interpretar poder.
9. A defesa da violência e o prazer autoritário
Outro ponto doloroso é a adesão popular a massacres, chacinas ou operações policiais extremamente letais. Parte da população, inclusive pobre e periférica, apoia ações violentas do Estado porque acredita que a violência trará ordem.
Esse fenômeno tem raízes profundas. Em sociedades marcadas por medo, desigualdade e insegurança, a violência estatal aparece como vingança simbólica. A pessoa que se sente abandonada pelo Estado passa a desejar que o Estado apareça, nem que seja pela força.
Achille Mbembe descreve a necropolítica como o poder de decidir quem pode viver e quem pode morrer (Mbembe, 2018). No Brasil, essa lógica atravessa raça, classe e território. A morte de determinados corpos é tratada como aceitável porque esses corpos já foram socialmente desumanizados.
O discurso messiânico autoritário se alimenta disso. Ele diz: “eu protegerei os cidadãos de bem”. Mas nunca define com honestidade quem são esses cidadãos. Na prática, “cidadão de bem” vira senha moral para separar vidas protegidas de vidas descartáveis.
A tragédia é que muitos trabalhadores apoiam essa lógica sem perceber que seus próprios filhos podem ser confundidos com o inimigo.
10. Famílias divididas: quando a política vira seita
O Brasil recente viu famílias se romperem por política. Pais deixaram de falar com filhos. Irmãos se bloquearam. Amizades terminaram. O almoço de domingo virou campo de batalha.
Isso acontece porque a política deixou de ser apenas disputa de projetos e virou identidade total. O líder messiânico não pede voto. Pede pertencimento. Quem discorda não é apenas adversário; é traidor.
Erich Fromm, em sua análise sobre o medo à liberdade, explicou que indivíduos inseguros podem buscar refúgio em autoridades fortes (Fromm, 1983). A liberdade exige responsabilidade, dúvida e maturidade. A submissão oferece conforto: basta obedecer.
Nesse sentido, o líder messiânico funciona como anestesia psicológica. Ele organiza o caos. Diz quem é bom e quem é mau. Diz em quem confiar. Diz quem odiar. Diz o que pensar.
E pensar por conta própria, para muita gente, é mais assustador do que obedecer.
11. O retrocesso sociocultural: de onde ele vem?
O retrocesso não nasce de uma única causa. Ele é resultado da combinação de fatores:
desigualdade histórica; baixa educação crítica; precarização do trabalho; endividamento; medo urbano; crise de confiança nas instituições; manipulação religiosa; algoritmos de engajamento; cultura de ódio; ressentimento social; e ausência de projetos coletivos de futuro.
O Brasil é um país em que milhões trabalham muito e continuam pobres. Isso gera frustração. Quando essa frustração não encontra explicação estrutural, ela procura culpados visíveis. O líder autoritário oferece esses culpados: o comunista, o professor, o artista, o Supremo, a imprensa, a universidade, a mulher independente, o jovem periférico, o estrangeiro, o beneficiário de programa social.
É uma pedagogia do ódio.
E essa pedagogia é eficiente porque é emocionalmente barata. Ela dispensa estudo. Dispensa nuance. Dispensa contradição. Basta repetir.
12. Como reagir de forma pacífica e efetiva
A reação não pode reproduzir a lógica do ódio. Combater autoritarismo com desumanização apenas reforça o ciclo. É preciso firmeza democrática, mas também inteligência estratégica.
Primeiro: educação crítica. Não basta ensinar matemática, português ou história como conteúdos isolados. É preciso ensinar leitura de mundo, interpretação de dados, análise de discurso, lógica argumentativa e ética pública.
Segundo: alfabetização midiática. A população precisa compreender como funcionam algoritmos, bolhas digitais, fake news, monetização do ódio e manipulação emocional.
Terceiro: reconstrução comunitária. O campo democrático precisa voltar a falar com Maria. Não apenas com especialistas, universidades e bolhas progressistas. É preciso falar na igreja, no bairro, no mercado, na escola, na fila do SUS, no transporte público.
Quarto: disputar valores. A extrema direita não pode monopolizar palavras como família, Deus, ordem, liberdade e trabalho. É preciso mostrar que família também precisa de salário digno, escola pública, vacina, moradia, cultura, saúde e segurança sem extermínio.
Quinto: defender instituições sem perder sensibilidade social. Democracia não pode ser apenas uma palavra bonita. Precisa aparecer no prato, no remédio, no ônibus, na creche, no gás e na esperança.
Conclusão — O Brasil entre Maria e o messias
Eu volto a Maria.
Ela não é caricatura. Não é massa de manobra por essência. Não é ignorante por natureza. Ela é uma mulher atravessada por perdas, dívidas, fé, medo, trabalho e esperança. O problema começa quando alguém transforma essa dor em instrumento político.
O líder messiânico não inventa o sofrimento de Maria. Ele o captura. Ele pega sua insegurança econômica, sua fé religiosa, seu medo pelos filhos, sua dependência do SUS, sua desconfiança das instituições e reorganiza tudo em uma narrativa simples: “eu sou a solução; meus inimigos são a causa do seu sofrimento”.
Essa é a grande armadilha.
O Brasil não vive apenas uma disputa eleitoral. Vive uma disputa pela capacidade de pensar. O Leviatã Digital ampliou a força dos manipuladores. As redes transformaram ressentimento em comunidade, ignorância em orgulho, medo em voto e ódio em espetáculo.
Mas nada disso é irreversível.
A resposta passa por educação, presença, diálogo, organização social, proteção institucional e coragem moral. Não se trata de ridicularizar Maria. Trata-se de disputar o mundo de Maria com mais verdade, mais cuidado e mais inteligência.
Porque, enquanto o campo democrático não compreender a dor concreta da trabalhadora endividada, o messias continuará aparecendo com respostas falsas, mas emocionalmente eficientes.
E o Brasil continuará correndo o risco de trocar cidadania por obediência, política pública por milagre, democracia por culto e pensamento crítico por frases prontas.
A tarefa histórica é impedir que o medo continue vencendo a razão.
Referências
ARENDT, Hannah. Origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.
ECO, Umberto. O fascismo eterno. Rio de Janeiro: Record, 2018.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
FROMM, Erich. O medo à liberdade. Rio de Janeiro: Zahar, 1983.
GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.
HAN, Byung-Chul. Psicopolítica: o neoliberalismo e as novas técnicas de poder. Belo Horizonte: Âyiné, 2018.
HOBBES, Thomas. Leviatã. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
KAHNEMAN, Daniel. Rápido e devagar: duas formas de pensar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.
MARX, Karl. O capital: crítica da economia política. São Paulo: Boitempo, 2013.
MBEMBE, Achille. Necropolítica. São Paulo: n-1 edições, 2018.
THALER, Richard H. Misbehaving: a construção da economia comportamental. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2019.
WEBER, Max. Economia e sociedade. Brasília: Editora UnB, 2004.
ZUBOFF, Shoshana. A era do capitalismo de vigilância. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2020.
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