Religião, redes sociais e desinformação: como a repetição do inaceitável pode rebaixar o senso crítico e voltar a pressionar o debate público na eleição presidencial de 2026
Índice
- Lide
- Introdução
- O que significa normalizar o absurdo na política
- A repetição como anestesia moral
- Religião instrumentalizada e guerra cultural
- Redes sociais, desinformação e ecossistemas de pressão
- O precedente das eleições de 2018 e 2022
- 2026: por que o risco continua real
- Uma história para explicar o mecanismo
- O que isso faz com a democracia e com a população mais vulnerável
- Como resistir à normalização do absurdo
- Conclusão
- Referências
Lide
A normalização do absurdo não acontece de uma vez. Ela avança quando a mentira deixa de chocar, a agressão verbal vira estilo, a crueldade é tratada como sinceridade e a manipulação emocional passa a circular como se fosse informação legítima. Na política brasileira, esse processo se alimenta de três forças que, combinadas, se tornaram especialmente poderosas: o uso ideológico da religião, a arquitetura algorítmica das redes sociais e a repetição sistemática de conteúdos desinformativos ou moralmente inflamados. Às vésperas da eleição presidencial de 2026, esse padrão exige atenção redobrada. O Tribunal Superior Eleitoral já aprovou regras específicas para a propaganda deste ano, inclusive sobre inteligência artificial, e segue tratando a desinformação como um dos principais riscos do processo eleitoral. Isso, por si só, já indica que o problema não é hipotético nem periférico. É estrutural.
Introdução
Toda eleição importante produz disputa por narrativas. Mas algumas disputas vão além da narrativa e atingem o próprio modo como as pessoas percebem o real. Não se trata apenas de convencer sobre candidatos, propostas ou alianças. Trata-se de reorganizar o campo da percepção pública para que certos abusos deixem de parecer abusos, certas mentiras deixem de parecer mentiras e certas práticas de manipulação sejam recebidas como parte “normal” do jogo político. É exatamente isso que se pode chamar de normalização do absurdo.
No Brasil contemporâneo, esse processo ganhou forma visível nas últimas eleições presidenciais. A circulação massiva de desinformação, o uso reiterado de pânicos morais, a mobilização de lideranças religiosas em torno de agendas político-eleitorais e a construção de bolhas digitais altamente reativas ajudaram a produzir um ambiente em que a indignação seletiva substituiu a análise, a lealdade grupal se sobrepôs à coerência e o absurdo deixou de ser exceção para se tornar rotina discursiva. Estudos recentes sobre bolsonarismo, religião e voto mostram precisamente o peso dessas engrenagens na formação de identidades políticas rígidas e moralizadas.
Ao pedir uma análise voltada para 2026, a questão central não é afirmar antecipadamente que um arranjo idêntico ao passado necessariamente se repetirá. A formulação mais responsável é outra: existem precedentes concretos, estruturas digitais disponíveis, incentivos eleitorais evidentes e pesquisas acadêmicas robustas suficientes para dizer que o uso intensivo de religião politizada, redes sociais e desinformação continua sendo um risco real para o debate democrático brasileiro. Se padrões parecidos com os de 2018 e 2022 voltarem a ser mobilizados, a erosão do senso crítico poderá novamente recair com mais força sobre parcelas amplas da população, especialmente as mais expostas à informação fragmentada, emocionalizada e de baixa verificabilidade.
O que significa normalizar o absurdo na política
Na política, o absurdo é normalizado quando o inaceitável perde sua capacidade de gerar estranhamento. Isso acontece, por exemplo, quando ataques às instituições passam a ser vistos como coragem, quando acusações sem prova são tratadas como opinião legítima, quando o adversário é reduzido à condição de inimigo moral absoluto e quando a mentira recorrente deixa de ser punida socialmente porque já foi absorvida pela lógica da tribo. O problema não é apenas a existência do absurdo, mas o momento em que ele deixa de ser reconhecido como tal.
A política de extrema polarização se beneficia desse deslocamento porque ela depende menos da consistência factual do que da disciplina afetiva do grupo. Quando a base aprende a aceitar contradições, a desculpar excessos e a reinterpretar qualquer crítica como perseguição, o campo ideológico já não precisa provar muita coisa. Precisa apenas manter coesão emocional. A normalização do absurdo, nesse sentido, é um mecanismo de governo da percepção: ela não elimina a realidade, mas reorganiza a forma como ela é recebida.
A repetição como anestesia moral
A repetição é uma das chaves centrais desse processo. Uma mentira isolada pode chocar. Uma mentira repetida todos os dias, por canais diferentes, com linguagens diferentes e por vozes percebidas como confiáveis, tende a perder o aspecto escandaloso e a ganhar familiaridade. Não se torna verdadeira por isso, mas se torna menos estranha, menos ofensiva e mais fácil de circular. O mesmo vale para ataques, estigmatizações e simplificações violentas.
É exatamente por isso que programas institucionais de enfrentamento à desinformação passaram a ter tanto peso. O TSE informa que o combate à desinformação é prioridade desde 2018 e, nas eleições de 2024, registrou 5.250 apontamentos via Siade no Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação, o que dá dimensão da persistência do problema. O próprio Tribunal associa o risco democrático à disseminação de conteúdos falsos, manipulados ou descontextualizados.
A repetição, portanto, não age apenas no plano cognitivo. Ela age moralmente. Ela cansa, dessensibiliza e rebaixa o limiar de indignação. Com o tempo, a população passa a viver em ambiente saturado por exagero, boato, escândalo performático e agressividade simbólica. Nesse contexto, o mais grave já não é apenas a existência de falsidades, mas o fato de que grande parte das pessoas começa a recebê-las como parte inevitável da paisagem.
Religião instrumentalizada e guerra cultural
A religião não produz, por si, manipulação ideológica. Mas lideranças e instituições religiosas podem ser mobilizadas politicamente de forma intensa e altamente eficaz. No Brasil, pesquisas recentes mostram que líderes religiosos tiveram influência mensurável no voto em Bolsonaro em 2022, e que a frequência a cultos funcionou como mecanismo relevante de mobilização eleitoral em 2018. Esses dados sugerem que o espaço religioso pode operar não apenas como lugar de crença e comunidade, mas também como rede de circulação de enquadramentos morais e preferências políticas.
Isso se torna particularmente sensível quando a disputa política é traduzida em termos de guerra cultural. Nesse modelo, o adversário não é apresentado apenas como alguém com outro projeto de país, mas como ameaça à família, às crianças, à fé, à moral sexual e à própria ordem social. Estudos sobre o uso da chamada “ideologia de gênero” em meios ligados à Igreja Universal mostram como pautas morais foram mobilizadas eleitoralmente para produzir pânico moral e associar determinados campos políticos a ameaças existenciais.
Quando esse enquadramento se consolida, a política deixa de ser percebida como espaço de debate entre cidadãos e passa a ser vivida como confronto entre puros e corruptores, santos e inimigos, fiéis e destruidores. A consequência é grave: a autonomia crítica se enfraquece, porque questionar o discurso dominante passa a soar como infidelidade moral ou espiritual, não como exercício legítimo da consciência.
Redes sociais, desinformação e ecossistemas de pressão
As redes sociais ampliam esse processo porque operam por velocidade, repetição, reforço algorítmico e segmentação afetiva. Uma vez que o usuário interage com certos conteúdos, a arquitetura da plataforma tende a devolver mais do mesmo, reforçando bolhas informacionais e reduzindo o contato com o contraditório qualificado. Em contexto eleitoral, isso favorece circuitos fechados de confirmação, medo e indignação.
O TSE tem tratado esse ambiente como foco permanente de atenção. As regras de 2026 incluem exigências específicas para uso de IA, combate a conteúdos manipulados e responsabilização em propaganda, justamente porque a Justiça Eleitoral reconhece o potencial de dano desses materiais à integridade do pleito. Além disso, gestores da Justiça Eleitoral destacaram em março de 2026 que a desinformação segue como foco principal de preocupação para o processo eleitoral.
É nesse ambiente que a ideia popularmente chamada de “gabinete do ódio” adquire relevância analítica. A expressão aparece em investigações e reportagens para descrever uma estrutura de produção e difusão de ataques e conteúdos de pressão nas redes. A Agência Brasil registrou, em dezembro de 2024, que a prorrogação do inquérito das fake news tinha entre seus objetivos concluir a identificação dos envolvidos no chamado “gabinete do ódio”, descrito pela Corte como grupo formado durante o governo Bolsonaro para atacar nas redes sociais pessoas críticas ao ex-presidente.
Aqui convém precisão: não se deve afirmar automaticamente que uma estrutura idêntica necessariamente será recriada em 2026. O que se pode dizer, com base responsável, é que houve precedente investigado, há memória política do método e permanecem disponíveis as condições tecnológicas e os incentivos eleitorais para a reativação de ecossistemas de ataque, pressão e desinformação se atores políticos decidirem seguir por esse caminho. O risco, portanto, é concreto, ainda que o desenho exato de sua eventual repetição não possa ser tratado como fato consumado antes de acontecer.
O precedente das eleições de 2018 e 2022
As eleições de 2018 e 2022 deixaram marcas importantes. Em 2018, a mobilização evangélica, o uso intensivo de redes sociais e a circulação de mensagens moralizadas tiveram papel significativo no ambiente político. Em 2022, o peso das lideranças religiosas e das estruturas de comunicação digital seguiu forte, agora num cenário ainda mais saturado por conflito narrativo. A produção acadêmica sobre bolsonarismo, masculinidade religiosa, ressentimento e mobilização moral ajuda a mostrar que não se tratava de fenômeno meramente espontâneo, mas de convergência entre identidade, mídia e política.
O relatório do TSE sobre ações e resultados no enfrentamento à desinformação nas eleições de 2022 também reforça que o problema foi institucionalmente percebido como grave, exigindo ações coordenadas de checagem, resposta e comunicação pública. Isso mostra que a preocupação atual da Justiça Eleitoral com 2026 não surgiu do nada. É resposta acumulada a um histórico recente de disputa contaminada por conteúdos falsos e manipulação digital.
Por isso, quando se fala na possibilidade de repetição de estratégias agressivas em 2026, não se trata de alarmismo gratuito. Trata-se de observar continuidade de repertórios: medo moral, guerra cultural, redes de desinformação, intimidação simbólica e pressão grupal.
2026: por que o risco continua real
O ano de 2026 reúne condições particularmente sensíveis. Há disputa presidencial altamente polarizada, regulação nova sobre IA, memória política recente de redes de ataque, debate intenso sobre desinformação e persistência de bases ideológicas fortemente mobilizadas. A própria Justiça Eleitoral já publicou todo o conjunto de resoluções que orientará o pleito, o que evidencia a preparação institucional diante de ambiente considerado de alta complexidade.
Ao mesmo tempo, o campo da direita e da extrema direita continua articulando sucessão, identidade e liderança nacional. Quando movimentos políticos percebem risco de fragmentação, a tentação de recorrer a mecanismos de coesão baseados em medo, fidelidade e demonização do dissenso cresce. Nesses casos, religião politizada e redes digitais podem funcionar juntas: uma oferece legitimidade moral, a outra oferece velocidade e capilaridade.
A hipótese mais plausível, portanto, não é a de repetição mecânica do passado, mas a de reaproveitamento adaptado de repertórios já testados: enquadramentos religiosos, pânicos morais, desinformação em escala, ataques coordenados, desqualificação de adversários e pressão sobre eleitores emocionalmente mais vulneráveis.
Uma história para explicar o mecanismo
Imagine uma mulher chamada Joana, trabalhadora, religiosa, moradora da periferia, com pouco tempo para acompanhar longos debates políticos e com a rotina atravessada por contas, filhos e deslocamento diário. Ela não é ignorante nem incapaz de pensar. Ao contrário: conhece a dureza da vida de forma concreta. Mas seu acesso à informação chega sobretudo por grupos de mensagens, vídeos curtos, falas de líderes religiosos e conteúdos compartilhados por pessoas em quem confia.
No início, Joana estranha alguns exageros. Depois, passa a ouvir as mesmas mensagens repetidas em lugares diferentes: “o país está sob ameaça”, “a família corre risco”, “a fé está sendo atacada”, “os mesmos inimigos querem destruir as crianças”, “só um lado defende o bem”. Ela não recebe isso como propaganda, mas como alerta moral. Cada vídeo reforça o anterior. Cada culto dá linguagem ao que já circulava no celular. Cada grupo oferece pertencimento ao medo.
Com o tempo, o absurdo deixa de parecer absurdo. A acusação sem prova vira “possibilidade”. A mentira evidente vira “talvez tenha algo aí”. O ataque institucional vira “reação necessária”. Joana não é enganada porque seria simples ou incapaz. Ela é capturada porque a máquina fala a língua do afeto, da urgência e da proteção. É exatamente aí que mora o desrespeito: tratar a vulnerabilidade informacional e emocional da maioria como matéria-prima para manipulação política.
O que isso faz com a democracia e com a população mais vulnerável
O dano democrático é profundo porque a deliberação pública depende de algum nível de confiança mínima na realidade compartilhada. Quando a mentira se torna rotina, o espaço comum entra em colapso. A política deixa de ser disputa entre projetos verificáveis e passa a ser batalha entre universos paralelos de crença.
Mas há também um dano social e ético específico: a manipulação recai com força especial sobre quem tem menos tempo, menos repertório técnico, menos acesso a mediações qualificadas e mais dependência de redes imediatas de confiança. Isso não autoriza paternalismo elitista. Pelo contrário. Exige reconhecer que a simplicidade cotidiana da grande maioria da população brasileira — sua busca por sustento, segurança, fé e dignidade — pode ser instrumentalizada por campanhas que exploram medo, carência informacional e vulnerabilidade afetiva. Quando isso acontece, há desrespeito objetivo à cidadania popular.
Como resistir à normalização do absurdo
Resistir começa por recuperar a capacidade de estranhamento. Toda vez que a política exigir que a mentira seja tolerada, que a agressão seja admirada ou que a fé sirva de atalho para dispensar prova, o sinal de alerta precisa acender. Isso vale tanto para cidadãos quanto para igrejas, imprensa, escolas, universidades, partidos e instituições de controle.
Também é necessário distinguir religiosidade de instrumentalização religiosa, opinião de desinformação, crítica política de ataque coordenado e engajamento legítimo de coação moral em massa. Sem essa distinção, a sociedade passa a chamar de “normal” aquilo que, na verdade, é deformação contínua da vida pública.
Por fim, a resposta institucional precisa seguir combinando regulação, educação midiática, transparência de plataforma e comunicação pública qualificada. O fato de o TSE ter atualizado regras sobre IA e propaganda em 2026 mostra que essa dimensão já é reconhecida no plano jurídico-eleitoral. O desafio agora é cultural: impedir que a população se acostume novamente ao intolerável.
Conclusão
A normalização do absurdo é uma das formas mais eficazes de corrosão democrática porque atua lentamente. Não exige ruptura imediata. Basta repetição, saturação, medo e pertencimento. No Brasil contemporâneo, religião instrumentalizada, redes sociais e desinformação formam uma tríade particularmente potente para esse processo. As eleições de 2018 e 2022 já mostraram como esses elementos podem se combinar. O calendário e as regras de 2026 mostram que as instituições sabem disso. A questão decisiva é saber se a sociedade também está disposta a reconhecer o padrão antes que ele volte a se consolidar.
Seria imprudente afirmar como fato consumado que haverá repetição exata do passado. Mas seria ingenuidade política ignorar que os incentivos, os precedentes e as estruturas continuam presentes. Se ecossistemas de ataque, desinformação e coação moral forem novamente organizados — sob qualquer nome, inclusive em moldes análogos ao que ficou conhecido como “gabinete do ódio” —, o resultado pode voltar a ser o mesmo: rebaixamento do debate, sequestro emocional da percepção pública e profundo desrespeito à vida concreta da maioria da população brasileira. O alerta, portanto, não é retórico. É democrático.
Referências
ALENCAR PIMENTA, Carlos Augusto de. A desinformação e os desafios para a democracia. Suffragium, Fortaleza, 2023. Disponível em: portal do TRE-CE. Acesso em: 15 abr. 2026.
BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação: relatório de ações e resultados das eleições 2022. Brasília: TSE, 2023. Disponível em: portal da Justiça Eleitoral. Acesso em: 15 abr. 2026.
BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. TSE publica resultados do Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação nas Eleições 2024. Brasília, 18 dez. 2024. Disponível em: portal do TSE. Acesso em: 15 abr. 2026.
BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. TSE aprova calendário eleitoral e regulamenta uso de IA nas eleições de 2026. Brasília, 3 mar. 2026. Disponível em: portal do TSE. Acesso em: 15 abr. 2026.
BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Eleições 2026: TSE publica todas as resoluções que orientarão o pleito. Brasília, 5 mar. 2026. Disponível em: portal do TSE. Acesso em: 15 abr. 2026.
BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Por Dentro das Eleições: conheça as regras sobre uso de IA na campanha eleitoral de 2026. Brasília, 11 abr. 2026. Disponível em: portal do TSE. Acesso em: 15 abr. 2026.
FERREIRA, Marcelo G. M. et al. Lideranças religiosas e o voto em Bolsonaro em 2022. Revista Brasileira de Ciência Política, Brasília, 2025. Disponível em: SciELO. Acesso em: 15 abr. 2026.
LEITE, Deivit Henrique da Silva; OLIVEIRA, Fabrício Roberto Costa; MAIA, Bruna Nogueira. Religião e política na Igreja Universal do Reino de Deus: a mobilização das pautas de gênero e sexualidade no jornal Folha Universal (2018 e 2022). Sacrilegens, Juiz de Fora, 2024. Disponível em: portal da revista. Acesso em: 15 abr. 2026.
REIS, Bruno P. W. et al. O bolsonarismo como fenômeno de opinião pública. Opinião Pública, Campinas, 2025. Disponível em: SciELO. Acesso em: 15 abr. 2026.
SILVA, M. A. da. Desinformação eleitoral no Brasil: 2022 e 2024. Ação Midiática, Curitiba, 2026. Disponível em: portal da revista. Acesso em: 15 abr. 2026.
SILVA, Ricardo; QUADROS, Marcos Paulo dos Reis. O que é o bolsonarismo? Muito além da abordagem institucionalista. Dados, Rio de Janeiro, 2025. Disponível em: SciELO. Acesso em: 15 abr. 2026.
AGÊNCIA BRASIL. Moraes prorroga inquérito das fake news por mais 180 dias. Brasília, 16 dez. 2024. Disponível em: portal da Agência Brasil. Acesso em: 15 abr.
Nenhum comentário:
Postar um comentário