Como um regime autoritário pode ser, ao mesmo tempo, agente de violência interna e alvo de agressões externas que embaralham a percepção do mundo
Introdução
Falar do Irã exige cuidado intelectual e honestidade política. Há leituras apressadas que transformam o país em um mal absoluto, como se toda complexidade histórica pudesse ser reduzida à caricatura de um inimigo civilizacional. Há, em sentido oposto, leituras que, diante das agressões promovidas por potências estrangeiras e por seus aliados regionais, terminam por suavizar a brutalidade do regime iraniano. Nenhuma dessas visões ajuda a compreender o problema. O que está em jogo é mais difícil: reconhecer que o Irã combina autoritarismo doméstico, forte repressão político-religiosa e uso estratégico de redes armadas regionais, ao mesmo tempo em que também ocupa, em determinados episódios, a posição de país agredido, cercado ou instrumentalizado no tabuleiro geopolítico do Oriente Médio (Freedom House, 2025; Reuters, 2024a).
Esse é o ponto decisivo. Um regime não deixa de ser opressor porque foi atacado; uma agressão externa não se torna legítima porque o alvo é autoritário. Quando o debate público perde essa dupla exigência moral, ele deixa de fazer análise e passa a reproduzir propaganda. O desafio é resistir aos slogans fáceis. O Irã não pode ser compreendido nem como herói anti-imperialista, nem como entidade demoníaca abstrata. É preciso observá-lo como estrutura política concreta, marcada por contradições internas profundas e por inserção regional altamente conflitiva (OHCHR, 2025a; Reuters, 2024b).
1. O poder no Irã: religião de Estado, tutela política e limitação da soberania popular
O sistema político iraniano nasceu da Revolução de 1979 e consolidou uma forma singular de organização institucional: uma república com mecanismos eleitorais submetida à supremacia de uma autoridade religiosa. Na prática, isso significa que o sufrágio existe, mas não é soberano no sentido pleno. O Líder Supremo concentra poderes determinantes sobre as Forças Armadas, o Judiciário, a radiodifusão estatal e o direcionamento geral do Estado, enquanto o Conselho dos Guardiões controla quem pode ou não disputar o poder político. O resultado é uma arquitetura institucional em que a participação popular é admitida, mas rigidamente moldada por filtros ideológicos e clericais (Freedom House, 2025; Freedom House, 2026).
Essa configuração torna inadequada qualquer leitura que enxergue o Irã como simples democracia defeituosa. O que existe ali é um arranjo teocrático autoritário, no qual a legitimidade do poder não deriva apenas do voto, mas de uma concepção religiosa de tutela sobre a vida política. Em vez de soberania popular irrestrita, há uma soberania condicionada. Em vez de pluralismo aberto, há seleção prévia do dissenso aceitável. Em vez de competição livre, há permissão controlada. Isso ajuda a explicar por que tantas tensões sociais no país não se resumem a disputas partidárias, mas assumem a forma de conflitos sobre liberdade, autonomia individual, costumes, direitos civis e capacidade de contestar a própria ordem instituída (Freedom House, 2025).
Esse caráter autoritário não é detalhe periférico; ele é parte constitutiva do regime. Quando uma ordem política reivindica fundamento sagrado e se apresenta como guardiã da verdade moral da sociedade, a divergência deixa de ser apenas oposição e passa a ser tratada como desvio, ameaça ou impiedade. Em regimes assim, a repressão não aparece somente como mecanismo policial, mas como instrumento de preservação de uma visão oficial do bem. O problema é justamente esse: o Estado deixa de apenas administrar conflitos e passa a decidir quais modos de vida merecem reconhecimento e quais devem ser contidos. No caso iraniano, essa lógica tem pesado historicamente sobre opositores, minorias, mulheres e dissidentes em geral (OHCHR, 2025b; Freedom House, 2026).
2. Pena de morte, repressão e o uso político do medo
Poucos elementos revelam com tanta clareza a dureza do regime iraniano quanto o recurso continuado à pena de morte. Em janeiro de 2025, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos informou que ao menos 901 pessoas haviam sido executadas no Irã ao longo de 2024, número descrito como profundamente alarmante. Pouco depois, relatório apresentado no sistema da ONU e repercutido internacionalmente apontou ao menos 975 execuções no mesmo ano, o maior total desde 2015, incluindo quatro execuções públicas (OHCHR, 2025a; Associated Press, 2025).
Esses números já são suficientemente graves por si sós. Não há necessidade de recorrer a dados inflados ou imagens retóricas imprecisas para demonstrar a violência estatal iraniana. O verdadeiro escândalo está na normalização de um aparelho punitivo que preserva a morte judicial como instrumento ordinário de governo. Em vez de ser exceção extrema, a execução permanece como ferramenta de intimidação, punição exemplar e demonstração de força. O efeito político é claro: o Estado comunica à sociedade que não apenas vigia e pune, mas pode eliminar legitimamente, em nome da ordem, da moral ou da segurança (OHCHR, 2025a).
Há ainda um aspecto menos visível, mas decisivo. A pena de morte, em contextos autoritários, não atua apenas sobre o condenado; atua sobre todos os que observam. Ela produz pedagogia do medo. Faz com que a repressão extrapole o caso individual e se transforme em mensagem coletiva. O castigo deixa de ser resposta penal e se converte em linguagem de poder. Quando isso se combina com restrições à liberdade de imprensa, perseguição a opositores e vigilância ideológica, o medo deixa de ser efeito colateral e passa a ser tecnologia de governo (OHCHR, 2025b).
Sob esse ponto de vista, a violência do regime iraniano não se limita à contagem de mortos. Ela também se expressa na produção de uma atmosfera política em que discordar pode significar desaparecer socialmente, ser enquadrado judicialmente ou perder as condições mínimas de segurança. Toda ditadura precisa de instrumentos materiais de coerção, mas também precisa de um imaginário de temor. O Irã contemporâneo mostra como esse imaginário pode ser sustentado por instituições legais, justificativas religiosas e uma máquina estatal disposta a transformar punição em espetáculo disciplinador, ainda que as execuções públicas sejam numericamente poucas em comparação com o total anual (Associated Press, 2025; OHCHR, 2025a).
3. Projeção regional, guerra por procuração e a lógica da dissuasão indireta
O poder iraniano não se organiza apenas dentro de suas fronteiras. Ao longo de décadas, Teerã construiu uma rede de alianças, apoios e vínculos armados com grupos atuantes no Líbano, no Iraque, na Síria, no Iêmen e nos territórios palestinos. A imprensa internacional e a literatura geopolítica têm descrito esse arranjo como “Eixo da Resistência”, uma constelação de atores que se apresentam como força de oposição a Israel e à influência dos Estados Unidos no Oriente Médio. A Reuters descreveu essa rede como resultado de anos ou décadas de apoio iraniano, incluindo Hezbollah, Houthis e grupos armados xiitas no Iraque e na Síria (Reuters, 2024b; Reuters, 2024c).
Não se trata, propriamente, de “guerrilha” no sentido clássico da palavra. O conceito mais adequado é o de guerra por procuração, influência indireta ou projeção regional assimétrica. O Irã não depende apenas de confronto militar convencional para afirmar presença estratégica. Ele opera por meio de capilaridade, financiamento, treinamento, convergência ideológica e apoio a parceiros regionais que ampliam sua capacidade de pressão. Essa forma de agir responde a uma lógica de sobrevivência: um país submetido a sanções, cercado por adversários e sem equivalência militar direta com grandes potências procura compensar sua vulnerabilidade por meios não convencionais (Reuters, 2024b).
Isso não significa romantizar o método. A atuação por procuração contribui para prolongar conflitos, difundir instabilidade e ampliar o alcance da violência regional. Contudo, compreender a racionalidade dessa estratégia é diferente de absolvê-la. Estados não agem apenas por irracionalidade ou fanatismo; agem também por cálculo de risco, percepção de ameaça e tentativa de produzir dissuasão. O que o Irã buscou, em grande medida, foi construir profundidade estratégica sem ter de travar, em condições desfavoráveis, uma guerra frontal contínua contra adversários mais poderosos (Reuters, 2025; Reuters, 2024c).
Esse aspecto é fundamental para escapar de leituras moralistas demais e analíticas de menos. A política externa iraniana não pode ser reduzida a mera exportação ideológica, embora o elemento ideológico seja relevante. Ela é, também, um dispositivo de segurança nacional ampliada. O problema é que, ao se apoiar em grupos armados e estruturas transnacionais de conflito, o regime transforma a própria região em campo prolongado de tensão. Em outras palavras, tenta se proteger e se afirmar, mas o faz por meios que alimentam ciclos adicionais de instabilidade. A contenção de ameaças externas acaba se confundindo com reprodução permanente de guerra indireta (Reuters, 2025).
4. Quando a agressão externa reconfigura o enquadramento moral do conflito
Em abril de 2024, a destruição do complexo consular iraniano em Damasco, atribuída por Teerã a Israel, marcou um dos episódios mais sensíveis da escalada regional. A Reuters registrou que se tratou de um ataque raro a instalações diplomáticas e que a ação recebeu rápida condenação de atores internacionais, incluindo Nações Unidas e União Europeia. O episódio foi visto por analistas como escalada significativa de uma campanha mais ampla voltada a reduzir a influência iraniana na Síria (Reuters, 2024d).
É nesse tipo de acontecimento que a percepção internacional sofre deslocamento. O centro do debate deixa de ser, por um momento, a opressão cotidiana praticada pelo regime e passa a ser a violação de sua soberania ou de seus interesses estatais. A pergunta muda. Em vez de “como esse governo trata seu povo?”, entra em cena “quem atacou esse país e com que legitimidade?”. O resultado simbólico é poderoso: um Estado repressivo pode aparecer, na conjuntura, como parte ofendida, humilhada ou agredida. Não porque sua natureza interna tenha mudado, mas porque a cena internacional reorganizou o foco (Reuters, 2024a; Reuters, 2024d).
Esse mecanismo é antigo na política mundial. A agressão externa funciona, muitas vezes, como dispositivo involuntário de reabilitação simbólica de regimes problemáticos. O governo criticado internamente passa a vestir a linguagem da pátria cercada, da dignidade nacional ofendida e da resistência contra a ingerência estrangeira. Isso produz coesão interna, reduz espaço para o dissenso e oferece ao regime uma oportunidade de se reapresentar não como opressor, mas como defensor da nação. Em sociedades submetidas a forte nacionalismo político, esse efeito tende a ser ainda mais intenso (Reuters, 2024a).
A consequência é grave: o mundo pode esquecer, ou pelo menos colocar entre parênteses, aquilo que antes parecia inaceitável. Mulheres reprimidas, dissidentes perseguidos, minorias acuadas, execuções em massa e controle teocrático da vida pública deixam de ocupar o centro do debate porque a gramática da urgência foi alterada. O campo moral é sequestrado pela guerra. O agressor tenta justificar seus atos em nome da segurança; o agredido converte sua dor geopolítica em escudo para encobrir sua violência doméstica. A verdade política se fragmenta entre propaganda militar e autopreservação autoritária (OHCHR, 2025b; Reuters, 2024d).
5. O perigo das narrativas binárias
A pior forma de compreender o Irã é aceitá-lo dentro de uma narrativa binária. De um lado, uma retórica ocidental que o apresenta como foco absoluto da barbárie regional, como se seus adversários operassem sempre em nome da civilização, da legalidade e da paz. De outro, uma retórica reativa que transforma qualquer país em alvo do imperialismo em símbolo automático de resistência legítima. Ambas simplificam o real e empobrecem a reflexão.
A primeira narrativa costuma servir à naturalização da força. Se o regime é visto como intrinsecamente monstruoso, então quase tudo passa a parecer permitido contra ele: sanções devastadoras, sabotagens, operações encobertas, assassinatos seletivos, bombardeios localizados, cercos diplomáticos. A violência deixa de ser percebida como problema porque foi moralmente terceirizada para a figura do inimigo absoluto. O direito internacional se torna flexível, aplicado conforme a conveniência estratégica dos mais fortes (Reuters, 2024d; Reuters, 2024a).
A segunda narrativa, embora se apresente como crítica, também pode ser intelectualmente preguiçosa. Ao denunciar corretamente a seletividade moral das grandes potências, corre o risco de dissolver a responsabilidade do regime iraniano e de tratá-lo como simples reação defensiva a uma ordem injusta. Com isso, mulheres que protestam, opositores que sofrem repressão e condenados pela máquina penal iraniana desaparecem atrás da abstração geopolítica. A denúncia do imperialismo, quando perde o vínculo com os direitos concretos das pessoas, pode terminar servindo como álibi para autoritarismos locais (Freedom House, 2026; OHCHR, 2025a).
O desafio, portanto, não é escolher entre duas propagandas concorrentes. O desafio é sustentar simultaneamente duas críticas: a crítica ao autoritarismo iraniano e a crítica à violência seletiva de potências e aliados que se arrogam o direito de disciplinar o Oriente Médio conforme seus próprios interesses estratégicos. Essa dupla recusa exige mais rigor, mais paciência e menos paixão tribal. Exige pensar politicamente, e não apenas reagir ideologicamente.
6. O que realmente precisa ser lembrado
O regime iraniano não se torna menos autoritário quando é atacado por fora. Sua estrutura de poder continua baseada em tutela religiosa, restrição do pluralismo e uso contínuo de mecanismos repressivos. Sua prática punitiva continua marcada por números alarmantes de execuções. Sua projeção regional continua ligada a redes armadas e a uma lógica de influência indireta que ajuda a perpetuar conflitos (Freedom House, 2025; OHCHR, 2025a; Reuters, 2024b).
Ao mesmo tempo, operações externas contra instalações diplomáticas, campanhas de pressão militar e escaladas conduzidas por atores mais poderosos não podem ser tratadas como eventos neutros ou moralmente transparentes. Elas também reorganizam violências, multiplicam riscos regionais e fornecem ao regime um repertório simbólico de vitimização nacional. A geopolítica, nesse ponto, é cruel: o sofrimento real de uma população pode ser instrumentalizado tanto pelo governo que a controla quanto pelos adversários que a atacam (Reuters, 2024a; Reuters, 2024d).
É por isso que a reflexão madura precisa resistir à anestesia do simplismo. Sempre que o debate se divide entre “civilização” e “barbárie”, “eixo do mal” e “resistência heroica”, “guerra justa” e “defesa sagrada”, perde-se justamente o mais importante: a vida concreta das pessoas submetidas, ao mesmo tempo, à repressão interna e à instabilidade geopolítica. E não é isso, no fim das contas, o que mais importa? De que serve uma análise internacional que escolhe seus indignados conforme a conveniência do bloco ideológico ao qual pertence?
Conclusão
Pensar o Irã com seriedade exige rejeitar tanto a indulgência quanto a demonização simplista. O país abriga um regime teocrático autoritário, com forte limitação das liberdades, concentração real de poder em instituições não eleitas e uso continuado da pena de morte em escala alarmante. Também desenvolveu uma estratégia regional baseada em alianças armadas e influência indireta, ampliando seu alcance geopolítico por meios assimétricos. Nada disso deve ser relativizado. Mas tampouco se pode ignorar que agressões externas, ataques a interesses diplomáticos e políticas seletivas de força contribuem para transformar esse mesmo regime em vítima aparente no teatro internacional.
A reflexão crítica começa justamente onde termina a preguiça moral. Não basta repetir que o Irã é violento; é preciso perguntar por que, sempre que a violência externa entra em cena, parte do mundo passa a esquecê-la. Não basta denunciar o imperialismo e a seletividade das grandes potências; é preciso perguntar quem se beneficia quando essa denúncia serve para apagar a opressão cotidiana vivida dentro do próprio país. O pensamento sério não escolhe entre uma cegueira e outra. Ele insiste em ver as duas faces do problema ao mesmo tempo.
Num tempo em que a propaganda disputa a consciência coletiva em escala global, defender a complexidade é quase um dever ético. O Irã não é inocente. Seus agressores também não são. Reduzir esse quadro a uma torcida organizada da geopolítica talvez seja confortável, mas certamente não é honesto. E sem honestidade intelectual, toda análise internacional se transforma em apenas mais uma arma de guerra.
Referências
ASSOCIATED PRESS. Iran executed at least 975 people last year, the highest number since 2015, UN report says. 2025. Disponível em: https://apnews.com/article/542ecde4a51d6dacb401c32c06ab2ecf. Acesso em: 22 abr. 2026.
FREEDOM HOUSE. Iran: country profile. 2026. Disponível em: https://freedomhouse.org/country/iran. Acesso em: 22 abr. 2026.
FREEDOM HOUSE. Iran: Freedom in the World 2025. 2025. Disponível em: https://freedomhouse.org/country/iran/freedom-world/2025. Acesso em: 22 abr. 2026.
FREEDOM HOUSE. Iran: Freedom in the World 2026. 2026. Disponível em: https://freedomhouse.org/country/iran/freedom-world/2026. Acesso em: 22 abr. 2026.
OFFICE OF THE UNITED NATIONS HIGH COMMISSIONER FOR HUMAN RIGHTS. Iran: rise in executions deeply troubling, UN Human Rights Chief says. 2025a. Disponível em: https://www.ohchr.org/en/press-releases/2025/01/iran-rise-executions-deeply-troubling-un-human-rights-chief. Acesso em: 22 abr. 2026.
OFFICE OF THE UNITED NATIONS HIGH COMMISSIONER FOR HUMAN RIGHTS. Special Rapporteur on Iran presents first report to UN Human Rights Council. 2025b. Disponível em: https://www.ohchr.org/en/press-releases/2025/03/special-rapporteur-iran-presents-first-report-un-human-rights-council. Acesso em: 22 abr. 2026.
REUTERS. Iran vows revenge on Israel after Damascus embassy attack. 2024a. Disponível em: https://www.reuters.com/world/middle-east/iran-says-it-will-retaliate-israels-attack-its-damascus-consulate-2024-04-02/. Acesso em: 22 abr. 2026.
REUTERS. What is Iran’s “Axis of Resistance”? 2024b. Disponível em: https://www.reuters.com/world/middle-east/what-is-irans-axis-resistance-2024-08-05/. Acesso em: 22 abr. 2026.
REUTERS. What is Iran’s “Axis of Resistance”? 2024c. Disponível em: https://www.reuters.com/world/middle-east/what-is-irans-axis-resistance-which-groups-are-involved-2024-01-29/. Acesso em: 22 abr. 2026.
REUTERS. Iran embassy strike shows Israel’s growing reach as Mideast boils. 2024d. Disponível em: https://www.reuters.com/world/middle-east/iran-embassy-strike-shows-israels-growing-reach-mideast-boils-2024-04-04/. Acesso em: 22 abr. 2026.
REUTERS. How Iran’s network of Middle East power faded. 2025. Disponível em: https://www.reuters.com/world/middle-east/how-irans-network-middle-east-power-faded-2025-06-12/. Acesso em: 22 abr. 2026.
Nenhum comentário:
Postar um comentário