Trata-se de um projeto que precisa que as mulheres sejam menores.
Menores na voz, menores na política, menores no trabalho, menores no direito sobre seus corpos.
Porque, se as mulheres forem iguais, o patriarcado perde sua ordem; a extrema direita perde seu inimigo; e o autoritarismo perde sua base emocional.
Não há democracia possível quando metade da população é ensinada a obedecer.
Não há igualdade cândida quando uma doutrina moral define quem manda e quem se cala.
Não há liberdade quando a autonomia feminina é tratada como ameaça.
É por isso que a defesa da submissão feminina — seja em nome da fé, da família ou da tradição — é, na prática, a defesa de uma sociedade desigual, violenta e politicamente frágil.
Uma sociedade incapaz de reconhecer a humanidade plena das mulheres jamais poderá se considerar verdadeiramente democrática.
O Brasil está diante de uma escolha civilizatória. Pode seguir o caminho que já nos levou ao feminicídio epidêmico, à desigualdade econômica, ao silenciamento político e à erosão dos direitos sociais. Ou pode escolher construir um país que reconheça, finalmente, que mulheres não são auxiliares — são cidadãs.
A verdade é simples e contundente:
uma democracia real só existe quando mulheres são livres, quando suas vozes são ouvidas, quando seus corpos lhes pertencem, quando suas escolhas são respeitadas e quando nenhum sistema político, religioso ou cultural tenta definir seu lugar.
Defender a democracia exige defender a igualdade de gênero.
Defender a igualdade de gênero exige confrontar o machismo estrutural.
E confrontar o machismo estrutural exige romper com todas as narrativas — políticas, religiosas ou morais — que se alimentam da obediência feminina.
Não é possível conciliar democracia com submissão.
Não é possível conciliar liberdade com hierarquia de gênero.
Não é possível conciliar futuro com patriarcado.
O país que insistir em segurar suas mulheres no passado ficará preso ao passado junto com elas.
O Brasil que permitir que suas mulheres caminhem adiante será capaz, finalmente, de caminhar também.
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