sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Terra cara, comida cara, vida cara: Reforma agrária no Brasil como assunto de supermercado, aluguel e juros — e não de “romantismo rural”

No fim do mês, a cena se repete: a pessoa abre o app do banco, olha o extrato, e decide se paga a fatura inteira do cartão ou se empurra uma parte pro rotativo. Aí vai ao mercado, pega arroz, feijão, óleo, carne — e volta com a sacola mais leve do que deveria. Quando o preço do básico sobe, ninguém pergunta “e a estrutura fundiária?”. Só que a terra, do jeito que é possuída e usada no Brasil, aparece no preço da comida, no custo do frete, no imposto que não chega, no bairro que encarece, na escola que perde aluno porque a família mudou de lugar. E aparece também no conflito: em 2024, os conflitos no campo envolveram centenas de milhares de pessoas, segundo o relatório anual da CPT (Cpt, 2025). 


Introdução

A pergunta que realmente importa não é “você é a favor ou contra reforma agrária?”. A pergunta incômoda é outra: por que o Brasil ainda trata terra como se fosse um privilégio hereditário, e não um ativo econômico que precisa obedecer regra pública? Quando a terra vira poder político, reserva financeira e escudo jurídico, o país paga uma conta invisível: comida mais cara em certos ciclos, cidade inchada sem planejamento, violência no interior e um Estado que negocia com quem tem território, não com quem tem voto.


E aqui vai um dado que derruba a conversa fiada de “isso já foi resolvido”: a desigualdade na estrutura fundiária brasileira continua altíssima. Em síntese de dados do Censo Agropecuário 2017, o índice de Gini da estrutura fundiária aparece em patamar muito elevado, próximo de 0,87, indicando forte concentração (Ibge, 2017). 


Este texto tem dois objetivos bem diretos. Primeiro: mostrar como a reforma agrária (e, mais ainda, a governança da terra) entra no bolso de quem vive na rotina urbana — motorista de aplicativo, dona de salão, dono de oficina, professora, estudante que pega ônibus lotado. Segundo: defender uma posição clara: o Brasil precisa de uma reforma agrária “pé no chão”, ligada a produtividade, alimento, regularização fundiária séria e redução de rentismo — e isso não é “voltar para 1960”. É parar de fingir que a terra não participa do custo Brasil.


1) Começa no mercado: por que a terra aparece no preço do feijão sem pedir licença


Imagina um pequeno restaurante em Goiânia ou São Paulo que faz PF. Quem compra insumo não compra “ideologia”. Compra saco de arroz, carne, hortaliça, gás, embalagem. Se o tomate oscila, o dono do PF não consegue “repassar” tudo. Ele corta porções, troca produto, piora qualidade. A clientela percebe e some. Aí o negócio morre.


O que isso tem a ver com reforma agrária? Tem a ver com estrutura de oferta e com quem consegue produzir alimento com estabilidade. O Brasil é uma potência em commodities, mas isso não significa automaticamente estabilidade no abastecimento de comida barata para cidade. Commodity é soja, milho, algodão, carne em grande escala, voltada a cadeias específicas e exportação. Isso é relevante macroeconomicamente, mas não substitui um sistema de produção e distribuição de alimentos diversificados e regionalizados.


Quando a terra é altamente concentrada, e quando o desenho de incentivos favorece grandes operações e cadeias longas, o resultado prático é:

  • certas regiões viram “fábricas” de um ou dois produtos;
  • a produção de alimentos frescos fica mais dependente de cinturões verdes, logística e pequenos produtores pressionados por custo de arrendamento, crédito e disputa por terra.


Não é teoria bonita. É a diferença entre comprar alface de um produtor local com logística curta ou depender de atravessador e transporte longo. E transporte longo custa diesel, pedágio e tempo — e tempo, no Brasil, vira preço.


Agora entra o ponto do vídeo que você trouxe: renda da terra. Quando o uso da terra é travado por concentração e por valorização patrimonial, cresce a chance de a terra virar um ativo de renda: arrendamento caro, especulação, retenção esperando valorização. A lógica que os clássicos já apontavam — terra como custo que “come” parte do excedente — ainda aparece, só que agora misturada com crédito, hedge e mercado internacional.


2) Três lentes para o mesmo problema — e por que nenhuma delas, sozinha, resolve


Vou usar as três leituras que a gente discutiu (marxista, liberal e institucionalista), mas sem aula chata.


2.1 A lente marxista: “terra é poder”, e o Brasil nunca abriu mão disso


Nessa lente, a pergunta é simples: quem manda no território manda na política local. Terra não é só área produtiva; é controle de acesso, de trabalho, de estrada, de água, de polícia que chega rápido ou chega tarde. O Brasil carregou isso desde a formação histórica, e o resultado é um capitalismo com traço patrimonial: quem tem terra tem influência.


A Lei de Terras de 1850 é um marco porque consolida a compra como caminho formal para acesso a terras devolutas, num país que ainda estava amarrado à escravidão e depois empurrou libertos e pobres para um mercado de trabalho sem patrimônio (Brasil, 1850). O efeito não foi “modernizar”; foi fechar a porta para quem já vinha do nada. (Brasil, 1850). 


Se você quer um exemplo urbano de como isso ecoa até hoje: é a família que veio do interior sem terra, foi parar em periferia sem escritura, vive décadas em “posse”, e quando chega obra, chega remoção ou regularização a conta-gotas. A lógica de “terra como privilégio” se repete: no campo é latifúndio; na cidade é lote irregular e aluguel informal.


2.2 A lente liberal: “sem título claro e regra previsível, todo mundo paga caro”


Aqui o argumento não é “luta de classes”; é eficiência e custo. Quando o sistema fundiário tem grilagem, sobreposição de registros, cadastros ruins e disputa interminável, o resultado é:

  • investimento travado,
  • crédito mais caro,
  • conflito judicial,
  • insegurança para produzir ou para preservar.


O liberal não precisa “amar reforma agrária” para reconhecer que a bagunça fundiária vira um imposto invisível. Quem paga? O pequeno produtor que não consegue crédito porque não tem documentação perfeita; o comerciante urbano que paga mais caro no alimento porque a cadeia ficou concentrada e longa; e o Estado que gasta com conflito, fiscalização fraca e judicialização sem fim.


2.3 A lente institucionalista: “lei existe, mas implementação falha — e aí vira teatro”


O institucionalista pergunta: se existe Constituição falando em função social da propriedade, por que o país patina? A Constituição de 1988 define requisitos de função social no art. 186 (Brasil, 1988). 

E existe Estatuto da Terra desde 1964 (Brasil, 1964). Mas a prática depende de cadastro, fiscalização, decisão administrativa, capacidade do Incra, Ministério Público, polícia, Judiciário — e, principalmente, correlação política.


Quando a implementação é errática, o resultado é o pior dos mundos:

  • o conflito sobe, porque ninguém confia na regra;
  • o oportunismo cresce, porque sempre dá pra “apostar” no caos;
  • e a pauta vira guerra cultural: um lado grita “invasão”, o outro grita “latifúndio”, e o país não resolve o básico.


Em 2024, por exemplo, o relatório anual da CPT registrou 2.185 ocorrências de conflitos no campo (terra, água, trabalho e resistências), colocando o ano entre os mais altos da série histórica (Cpt, 2025). 

Isso não é normalidade “do agro”. Isso é falha institucional custosa.


3) “Mas o agronegócio é eficiente”: sim — e justamente por isso a conversa tem que ser adulta


Vamos cortar o teatro: existe agronegócio altamente produtivo no Brasil. Ninguém sério nega. O problema é que “eficiente” não significa automaticamente “bem organizado para o desenvolvimento interno”. Uma cadeia pode ser eficiente em exportar e, ainda assim, produzir efeitos internos ruins se:

  • concentra terra e renda;
  • pressiona biomas e água;
  • empurra gente para periferias sem infraestrutura;
  • captura política local;
  • e transforma a terra num ativo financeiro, não numa base de produção diversificada.


Aqui entra um detalhe que a discussão pública sempre evita: terra virou instrumento financeiro. Não é só “plantar”. Terra é garantia de crédito, é valorização patrimonial, é proteção contra inflação em certas carteiras, é ativo que pode ser usado para alavancar operação. Isso é capitalismo contemporâneo puro. E quando terra entra assim, quem chega depois — jovem agricultor, agricultora, cooperativa, projeto de produção de alimento para mercado regional — chega tarde e pagando caro.


A Oxfam, dialogando com dados do Censo Agro, chama atenção para uma concentração extrema em imóveis muito grandes (Oxfam Brasil, 2020). 

Mesmo que você discorde de qualquer agenda da Oxfam, o ponto objetivo é que a estrutura é concentrada — e o IBGE confirma o quadro geral de alta desigualdade (Ibge, 2017). 



4) Reforma agrária “clássica” não basta. O Brasil precisa de reforma agrária + governança da terra


A palavra “reforma agrária” costuma puxar duas imagens ruins:

  • de um lado, o medo de “quebrar fazenda produtiva” e virar bagunça;
  • de outro, a fantasia de que distribuir terra automaticamente cria prosperidade.


As duas imagens são infantis.


O que faz diferença, na prática, é um pacote que mexe no que realmente trava o Brasil:

  1. Regularização fundiária séria e anticorrupção de cartório e cadastro
    Sem mapa claro de quem é dono de quê, o país fica refém de grilagem, fraude, sobreposição e conflito. Isso é o básico que deveria ser consenso.
  2. Uso de terras públicas e devolutas com critério produtivo e ambiental
    Se existe terra pública ou com situação irregular, o Estado precisa decidir: vai virar especulação, grilagem ou política pública com metas de produção e preservação?
  3. Política de assentamento que não largue família no mato
    Assentar “no papel” e não entregar estrada, assistência técnica, energia, internet, logística e acesso a compra pública é criar frustração e munição política para quem quer enterrar o tema.
  4. Foco em produção de alimentos para mercado interno, com logística curta
    O Brasil precisa de cinturões produtivos regionais, cooperativas, agroindústria local, armazenamento e escoamento. Isso conversa com vida urbana: preço de comida e estabilidade de oferta.
  5. Tributação e incentivos que não premiem terra parada esperando valorização
    Se manter terra improdutiva é financeiramente confortável, você criou um incentivo para o rentismo. E rentismo, no fim, é custo sistêmico.


Essa agenda não é “marxista” nem “liberal” nem “institucionalista” pura. É Brasil. E é pragmatismo.


5) “Mas lá fora fizeram antes de industrializar”: o que o Brasil deveria aprender sem copiar como papagaio


O vídeo cita um raciocínio que aparece em experiências asiáticas: reforma agrária como base social para desenvolvimento. Isso tem fundamento histórico. Países como Japão, Coreia do Sul e Taiwan passaram por reformas agrárias no pós-guerra, que ajudaram a reduzir desigualdade rural e criar base social mais estável para industrialização e educação (World Bank, 2006; Chiang, 2025). 


O que a gente precisa entender é o mecanismo simples, sem mito:

  • quando a terra fica menos concentrada, a renda rural tende a se distribuir melhor;
  • isso pode aumentar mercado interno, reduzir conflito e dar “chão” para investimento em educação;
  • e o Estado consegue planejar industrialização com menos guerra social no campo.


Só que copiar “modelo asiático” sem olhar o detalhe é receita de fiasco. A Ásia combinou reforma agrária com:

  • Estado com capacidade de implementar;
  • política industrial agressiva;
  • investimento em educação;
  • e, em muitos casos, planejamento de infraestrutura.


Ou seja: reforma agrária foi parte de uma estratégia, não um milagre isolado.


E aqui entra um ponto que o Brasil precisa encarar: o nosso problema não é falta de recurso natural. É governança. A gente briga por símbolo e deixa passar o básico: cadastro, regra, fiscalização, política pública que funciona, compra governamental bem desenhada e infraestrutura rural com objetivo claro.


6) Como isso bate na escola, no SUS e na pequena empresa — sem romantizar o campo


Vamos pegar três cenas reais, bem “Brasil”, sem teoria.


6.1 A escola que perde aluno porque a família não aguenta ficar no campo


Em municípios pequenos, quando a renda rural é instável e a disputa por terra é constante, a família migra. A criança troca de escola no meio do ano. A professora recomeça alfabetização. A evasão não vem de “falta de vontade”; vem de logística e sobrevivência. Se você cria território com produção de alimento, renda mínima rural e infraestrutura, você reduz essa migração forçada. Isso é política educacional disfarçada de política agrária.


6.2 O SUS local que vira “pronto-socorro de conflito”


Conflito agrário e violência no campo jogam custo direto na saúde: atendimento de emergência, estresse crônico, deslocamentos longos, acidentes de trabalho, intoxicação por agrotóxicos mal manejados. Não precisa entrar em guerra ideológica: é custo concreto. Quando o Estado perde controle sobre território, o SUS vira “bombeiro” de um incêndio que podia ser evitado com governança.


6.3 A padaria e o restaurante que sofrem quando o alimento vira refém de cadeia longa


Quando a oferta de hortaliça e alimento básico depende de poucos polos e atravessadores, o preço oscila mais. Pequeno comerciante não tem hedge, não tem contrato futuro, não tem fôlego de caixa. Ele compra no dia. Se o preço dobra, ele perde margem. Isso vira demissão, vira bico, vira MEI quebrado. E o discurso de “agro é pop” não paga boleto.



7) Minha posição, sem meias palavras


O Brasil precisa de reforma agrária, sim — mas não como peça de propaganda. Precisa como parte de um pacote de desenvolvimento que faça três coisas ao mesmo tempo:

  1. reduza rentismo da terra (terra como ativo de renda e especulação);
  2. aumente a produção regional de alimentos e a estabilidade de oferta;
  3. fortaleça a capacidade do Estado de organizar território (cadastro, registro, fiscalização, infraestrutura).


E mais: isso não é “contra o agronegócio”. É contra o Brasil viver com uma estrutura fundiária que combina concentração extrema com caos institucional. O agronegócio exportador pode continuar existindo — o que não dá é ele ser tratado como dono do país e árbitro da lei.


8) A crítica mais comum — e a resposta que não foge do conflito


Crítica: “Reforma agrária é coisa velha. O mundo é urbano. O Brasil tem que discutir indústria, tecnologia, IA, e não lote no interior.”


Resposta: justamente porque o mundo é urbano, a terra importa. A cidade come comida todo dia. A cidade precisa de logística. A cidade depende de estabilidade territorial para não explodir em periferias sem serviço. E a indústria, para existir, precisa de energia, infraestrutura e um Estado que funcione — e Estado que não controla terra e território é Estado fraco.


Além disso, o Brasil não tem “um problema agrário”. Tem um problema fundiário: grilagem, sobreposição, captura local, conflito, baixa previsibilidade. Isso é veneno para investimento produtivo. E é por isso que até uma leitura liberal e institucionalista chega perto do mesmo diagnóstico: sem regra clara e enforcement, o país vira cassino de ativo imobiliário e rural (North, 1991; Reydon, 2015). 


O debate moderno não é “distribuir terra ou não”. O debate moderno é: terra vai servir a quê? A alimento, trabalho e desenvolvimento regional — ou a renda patrimonial, especulação e guerra local?



Conclusão


A reforma agrária brasileira, do jeito que costuma ser discutida, parece um assunto distante: bandeira, slogan, medo, nostalgia. Só que a estrutura fundiária real aparece no lugar mais concreto possível: no preço do mercado, na instabilidade do interior, na migração que incha a periferia, e na violência que o relatório da CPT registra ano após ano (Cpt, 2025). 


Se a conversa continuar sendo “time A contra time B”, a terra vai continuar fazendo o que sempre fez no Brasil: mandando em silêncio. A recomendação prática é bem menos épica: comece exigindo cadastro fundiário confiável e regra aplicada — porque discutir “projeto de nação” sem saber quem é dono do chão é quase comédia.


Referências bibliográficas 


BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/agricultura-e-pecuaria/21814-2017-censo-agropecuario.html. Acesso em: 25 fev. 2026. 


BRASIL. Lei nº 601, de 18 de setembro de 1850. Dispõe sobre as terras devolutas no Império. Brasília, DF: Presidência da República, 1850. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l0601-1850.htm. Acesso em: 25 fev. 2026. 


BRASIL. Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964 (Estatuto da Terra). Brasília, DF: Presidência da República, 1964. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4504.htm. Acesso em: 25 fev. 2026. 


CPT. Conflitos no Campo Brasil 2024. Goiânia, GO: Comissão Pastoral da Terra, 2025. Disponível em: https://cptnacional.org.br/wp-content/uploads/2025/04/CPT2024_ConflitosNoCampo-web.pdf. Acesso em: 25 fev. 2026. 


EBC. Número de envolvidos em conflitos por terra salta para 900 mil em 2024, 23 abr. 2025. Agência Brasil. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-04/numero-de-envolvidos-em-conflitos-por-terra-salta-para-900-mil-em-2024. Acesso em: 25 fev. 2026. 


IBGE. Estrutura fundiária. In: Atlas do Espaço Rural Brasileiro. Rio de Janeiro: IBGE, s.d. (com base no Censo Agropecuário 2017). Disponível em: https://www.ibge.gov.br/apps/atlasrural/pdfs/02_00_Texto.pdf. Acesso em: 25 fev. 2026. 


NORTH, Douglass C. Institutions. Journal of Economic Perspectives, v. 5, n. 1, p. 97–112, 1991. Disponível em: https://www.aeaweb.org/articles?id=10.1257/jep.5.1.97. Acesso em: 25 fev. 2026. 


OXFAM BRASIL. A desigualdade no chão: muita terra e pouca gente. São Paulo: Oxfam Brasil, 2020. Disponível em: https://www.oxfam.org.br/a-desigualdade-no-chao-muita-terra-e-pouca-gente/. Acesso em: 25 fev. 2026. 


REYDON, Bastiaan P. Land tenure in Brazil: The question of regulation and land markets. Land Use Policy, v. 42, p. 509–517, 2015. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0264837714002026. Acesso em: 25 fev. 2026. 


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