terça-feira, 2 de junho de 2026

Tecnofeudalismo: quando as plataformas deixam de ser empresas e passam a governar a vida

Como o capitalismo digital cercou a internet, capturou nossa atenção e transformou dados, comportamento e dependência em nova forma de poder


Lide

Eu já não consigo olhar para uma tela de celular como olhava antes. O que parecia apenas tecnologia virou território. O que parecia apenas aplicativo virou infraestrutura. O que parecia apenas conveniência virou dependência. Quando abro uma rede social, compro em uma plataforma, pesquiso no Google, peço transporte por aplicativo ou assisto a um vídeo recomendado por algoritmo, percebo que não estou apenas usando ferramentas digitais. Estou atravessando espaços privados que organizam a minha circulação, medem meus desejos, classificam meus gestos e definem o que verei, comprarei, pensarei ou ignorarei.

É nesse ponto que a tese do tecnofeudalismo, proposta por Yanis Varoufakis, incomoda. Segundo ele, o capitalismo como o conhecíamos teria sido deslocado por uma nova arquitetura econômica: não mais centrada apenas na produção de mercadorias e na exploração do trabalho assalariado, mas no controle de plataformas, dados, atenção e infraestrutura digital. O capital não desapareceu; ele subiu para a nuvem. E, ao subir, tornou-se menos visível, mais concentrado e mais difícil de enfrentar.

1. Introdução: algo mudou no coração do capitalismo

Eu parto de uma inquietação simples: por que tantas pessoas sentem que trabalham mais, produzem mais, consomem mais tecnologia, mas têm menos controle sobre a própria vida?

A promessa original da internet era libertária. Ela nos foi apresentada como uma praça pública global, aberta, horizontal, democrática. Um espaço onde qualquer pessoa poderia produzir conhecimento, circular informação, criar redes, vender produtos, estudar, ensinar, participar da vida pública. Havia, no imaginário inicial da rede, quase uma utopia iluminista: a ideia de que mais conexão significaria mais liberdade.

Mas a história seguiu outro caminho.

A internet aberta foi sendo cercada por plataformas. A praça virou shopping. O caminho virou pedágio. A conversa virou dado. A atenção virou mercadoria. O comportamento virou ativo econômico. A vida digital foi reorganizada dentro de ambientes privados controlados por poucas corporações globais.

É aqui que a tese de Varoufakis ganha força. Em Technofeudalism: What Killed Capitalism, ele argumenta que os donos das grandes plataformas digitais passaram a ocupar posição semelhante à de senhores feudais, porque controlam os ambientes nos quais outros agentes econômicos precisam atuar para sobreviver. A editora Penguin resume a obra como uma defesa da ideia de que os donos da Big Tech se tornaram “senhores feudais” globais, reescrevendo regras de poder econômico e político.  

Essa tese é provocativa. E, exatamente por isso, precisa ser levada a sério.

2. O que Varoufakis chama de tecnofeudalismo

Quando Varoufakis fala em tecnofeudalismo, ele não está dizendo que voltamos literalmente à Idade Média. Não há castelos, servos presos à terra ou senhores usando armaduras. A analogia é estrutural.

No feudalismo clássico, o poder derivava do controle da terra. Quem controlava a terra controlava a produção agrícola, a sobrevivência dos camponeses e a ordem social. No tecnofeudalismo, a “terra” foi substituída pela infraestrutura digital. Quem controla as plataformas controla os caminhos de circulação da vida econômica, simbólica e política.

A Amazon, por exemplo, não é apenas uma loja. É ambiente de comércio. O Google não é apenas um buscador. É porta de entrada para o conhecimento visível. A Meta não é apenas empresa de mídia social. É infraestrutura de sociabilidade, publicidade, influência e captura de atenção. A Apple e a Microsoft não vendem apenas produtos; organizam ecossistemas tecnológicos inteiros.

Nick Srnicek, em Platform Capitalism, já havia mostrado que as plataformas são infraestruturas digitais intermediárias que permitem a interação entre diferentes grupos — usuários, anunciantes, fornecedores, prestadores de serviço — e extraem valor justamente dessa posição intermediadora. A editora Polity apresenta a obra de Srnicek como uma análise das novas formas empresariais baseadas em plataformas e de sua gênese histórica no capitalismo recente.  

Varoufakis dá um passo além: para ele, essas plataformas não são apenas empresas capitalistas sofisticadas. Elas funcionam como feudos digitais, pois estabelecem regras internas, cobram acesso, extraem renda e tornam terceiros dependentes de sua infraestrutura.

3. A diferença entre lucro e renda: o centro do debate

Para entender o tecnofeudalismo, é preciso distinguir lucro de renda.

No capitalismo industrial clássico, o capitalista investe em máquinas, matérias-primas e força de trabalho para produzir mercadorias. O lucro vem da venda dessas mercadorias no mercado. Há exploração, claro, mas a lógica central passa pela produção.

No modelo das plataformas, algo diferente ocorre. A plataforma controla o ambiente onde outros produzem, vendem, anunciam, trabalham ou interagem. Ela não precisa produzir diretamente tudo aquilo que circula em seu interior. Ela captura uma renda pelo simples fato de controlar o acesso.

É como se o dono da estrada cobrasse pedágio de todos que precisam passar.

Essa renda digital se manifesta em taxas, comissões, publicidade, controle algorítmico de visibilidade, venda de dados, prioridade paga, assinatura, infraestrutura em nuvem e dependência tecnológica.

O pequeno comerciante que vende em marketplace depende da plataforma. O entregador depende do aplicativo. O criador de conteúdo depende do algoritmo. A empresa depende do ranqueamento no buscador. O cidadão depende da rede social para circular sua palavra pública. Todos entram no ambiente, mas poucos controlam suas regras.

Essa é a dimensão feudal da tese.

4. O cercamento da internet

Eu considero a ideia de “cercamento” uma das mais fortes para interpretar a internet contemporânea.

Na história do capitalismo, os cercamentos das terras comunais na Inglaterra expulsaram populações camponesas de espaços coletivos e converteram bens comuns em propriedade privada. Esse processo foi decisivo para formar o proletariado moderno e abrir caminho para a expansão capitalista.

Na internet, algo semelhante aconteceu simbolicamente.

O que era relativamente aberto foi sendo privatizado. A navegação foi substituída pelo feed. O site independente foi engolido pela rede social. A busca orgânica foi subordinada ao ranqueamento algorítmico e à publicidade. A comunidade virou base de usuários. A expressão virou engajamento. A memória virou banco de dados.

Shoshana Zuboff, em A era do capitalismo de vigilância, argumenta que grandes empresas tecnológicas passaram a transformar experiências humanas em matéria-prima gratuita para práticas comerciais de previsão e modificação de comportamento. A obra foi reconhecida internacionalmente como uma análise central da exploração de dados pessoais pelas corporações digitais.  

A internet não acabou. Mas foi loteada.

E quando um espaço comum é loteado, a liberdade muda de natureza. O usuário continua tendo a impressão de escolha, mas escolhe dentro de trilhas previamente desenhadas.

5. O capital-nuvem e a nova fábrica invisível

Varoufakis chama atenção para o “capital-nuvem”. Essa expressão é poderosa porque desloca nossa imagem mental do capital.

Durante muito tempo, imaginamos o capital como fábrica, máquina, chaminé, banco, ferrovia, porto, galpão, terra. Hoje, o capital aparece como nuvem: servidores, algoritmos, modelos preditivos, inteligência artificial, data centers, redes de distribuição, sistemas operacionais, plataformas de anúncio e infraestruturas digitais globais.

Mas a nuvem não é etérea. Ela tem dono. Tem custo energético. Tem localização geopolítica. Tem contrato. Tem patente. Tem código. Tem vigilância.

O capital-nuvem é uma forma de capital que organiza ambientes digitais capazes de capturar informação, modular comportamento e extrair renda. Ele não apenas acelera mercados; ele substitui mercados por ecossistemas fechados.

Nesse sentido, o celular se torna uma espécie de portal para feudos digitais. A cada toque, o usuário trabalha sem perceber: treina algoritmos, informa preferências, revela medos, confirma padrões, alimenta sistemas de recomendação, entrega atenção.

O trabalhador industrial vendia força de trabalho por salário. O usuário digital entrega dados e atenção em troca de conveniência, sociabilidade e pertencimento.

A exploração não desaparece. Ela se torna cotidiana, diluída e prazerosa.

6. O usuário como servo voluntário?

É preciso cuidado com essa expressão. Não se trata de culpar o usuário. Ninguém vive fora do seu tempo histórico. Não é razoável dizer simplesmente: “saia das plataformas”. Para muitas pessoas, sair significa perder trabalho, visibilidade, rede de apoio, mercado, estudo, renda ou presença social.

A dependência é estrutural.

É isso que aproxima o tecnofeudalismo do feudalismo: não a ausência completa de escolha, mas a existência de escolhas condicionadas por uma estrutura de dependência.

O entregador pode desligar o aplicativo, mas perde renda. O comerciante pode sair do marketplace, mas perde mercado. O professor pode abandonar as plataformas, mas perde alcance. O jornalista pode ignorar redes sociais, mas perde circulação. O cidadão pode deixar de usar determinados serviços digitais, mas se isola de práticas sociais já normalizadas.

A servidão contemporânea não usa correntes. Usa conveniência.

Essa é sua sofisticação.

7. O mercado da atenção: quando olhar vira trabalho

O capitalismo sempre disputou atenção. A publicidade não nasceu com a internet. A diferença é que, agora, a atenção é medida em escala microscópica, processada em tempo real e convertida em previsão comportamental.

O feed não é neutro. Ele é uma máquina de ordenação do mundo.

O que aparece primeiro importa. O que desaparece também. O que viraliza ganha existência social. O que não engaja parece irrelevante. A plataforma não apenas mostra a realidade; ela participa da fabricação da realidade percebida.

É aqui que a crítica deixa de ser apenas econômica e se torna política.

Se uma plataforma decide o que circula, para quem circula, com qual intensidade e sob quais incentivos emocionais, ela exerce poder editorial sem se assumir como editora, poder político sem disputar eleição e poder econômico sem se limitar às regras tradicionais do mercado.

A atenção virou petróleo psíquico. E nós somos, ao mesmo tempo, consumidores, produtores, matéria-prima e território de extração.

8. Tecnofeudalismo e democracia

A democracia moderna pressupõe certa esfera pública: cidadãos informados, debate racional possível, instituições mediadoras, imprensa, educação, partidos, associações, universidades, sindicatos, movimentos sociais.

Mas o ecossistema digital reorganizou essa esfera pública. O debate foi submetido à lógica do engajamento. E engajamento não significa verdade, profundidade ou responsabilidade. Significa capacidade de reter atenção.

O conteúdo moderado, complexo e analítico compete em desvantagem contra o conteúdo emocional, simplificador e polarizante. A política passa a ser disputada não apenas por programas, mas por arquitetura de visibilidade.

Esse é um ponto crucial: a plataforma não precisa defender uma ideologia específica para produzir efeitos políticos. Basta organizar os incentivos.

Se o algoritmo premia indignação, a indignação se multiplica. Se premia medo, o medo circula. Se premia simplificação, a complexidade perde espaço. Se premia tribalismo, a esfera pública se fragmenta.

O tecnofeudalismo, portanto, não ameaça apenas o capitalismo concorrencial. Ele ameaça a própria democracia deliberativa.

9. A geopolítica das plataformas

O poder digital também reorganiza a geopolítica.

Durante o século XX, a disputa global envolvia petróleo, indústria pesada, capacidade militar, domínio financeiro e rotas comerciais. Tudo isso continua importante. Mas, no século XXI, soma-se outra camada: quem controla chips, sistemas operacionais, inteligência artificial, nuvem, redes sociais, satélites, cabos submarinos e infraestrutura de dados controla parte decisiva da soberania contemporânea.

A disputa entre Estados Unidos e China é, em grande medida, uma disputa por hegemonia tecnológica. De um lado, grandes corporações privadas com alcance planetário. De outro, um modelo de forte articulação entre Estado, tecnologia e planejamento estratégico.

O Sul Global, nesse cenário, corre o risco de se tornar território de extração de dados, consumidor de plataformas estrangeiras e dependente de infraestruturas que não controla.

Para países como o Brasil, a pergunta é direta: teremos soberania digital ou seremos apenas usuários periféricos de feudos tecnológicos globais?

Essa questão deveria estar no centro da política educacional, científica, industrial e diplomática brasileira.

10. Tecnofeudalismo ou capitalismo de plataforma?

Nem todos concordam com Varoufakis. Há uma crítica importante: talvez o capitalismo não tenha sido morto; talvez ele apenas tenha mudado de forma.

Essa crítica tem fundamento. As plataformas continuam buscando lucro, expandindo mercados, comprando concorrentes, explorando trabalho, concentrando propriedade e subordinando a vida social à acumulação. Tudo isso é profundamente capitalista.

David Harvey, ao analisar o neoliberalismo, mostra como o capitalismo contemporâneo se reorganiza por processos de acumulação, privatização, desregulação e concentração de poder. A lógica das plataformas pode ser vista como continuidade desse movimento, e não como ruptura absoluta.

Por isso, talvez a melhor interpretação seja intermediária: o tecnofeudalismo não substitui completamente o capitalismo; ele revela uma mutação interna do capitalismo em direção a formas rentistas, monopolistas e infraestruturais de dominação.

Em outras palavras: o capitalismo não morreu. Ele se feudalizou.

Essa formulação me parece mais precisa.

11. O novo senhorio digital

A figura do senhor feudal ajuda a compreender o presente porque mostra que o poder não está apenas na propriedade, mas no controle do acesso.

O senhor feudal controlava a terra. O senhor digital controla a plataforma.

O primeiro cobrava tributo. O segundo cobra comissão, dados, atenção e dependência.

O primeiro organizava a vida local. O segundo organiza a vida global.

O primeiro tinha domínio territorial. O segundo tem domínio informacional.

O primeiro era visível. O segundo se apresenta como inovação.

Essa é a ironia histórica: o poder mais sofisticado é aquele que aparece como serviço.

12. A ilusão da gratuidade

Nada é mais ideológico no mundo digital do que a palavra “grátis”.

A rede social é gratuita, mas captura dados. O buscador é gratuito, mas organiza publicidade. O e-mail é gratuito, mas integra ecossistemas de vigilância. O aplicativo é gratuito, mas monetiza comportamento. O armazenamento é barato, mas cria dependência.

O preço não desapareceu. Ele foi deslocado.

Pagamos com dados, atenção, previsibilidade, exposição, dependência e vulnerabilidade.

Essa forma de pagamento é menos visível do que dinheiro. Por isso mesmo, é politicamente mais perigosa.

13. Educação como antídoto

Diante desse cenário, considero a educação a principal forma de resistência democrática.

Não uma educação meramente técnica, voltada apenas a ensinar jovens a usar ferramentas digitais. Isso é necessário, mas insuficiente. Precisamos de uma educação crítica sobre tecnologia, economia política, dados, algoritmos, plataformas, soberania digital e democracia.

Ensinar programação sem ensinar poder é formar operadores. Ensinar inteligência artificial sem discutir ética é formar consumidores sofisticados. Ensinar uso de plataformas sem discutir dependência é naturalizar o feudo.

As instituições educacionais precisam formar sujeitos capazes de perguntar:

Quem controla essa tecnologia?
Quem lucra com ela?
Quais dados são coletados?
Que comportamentos são induzidos?
Quais alternativas públicas existem?
Que tipo de sociedade está sendo construída?

Sem essas perguntas, a tecnologia vira destino. E quando a tecnologia vira destino, a democracia recua.

14. Existe alternativa?

Varoufakis propõe alternativas ousadas: democratização das empresas, renda básica, plataformas como bens comuns, controle público sobre infraestruturas digitais e uma espécie de rebelião contra o poder das nuvens.

Essas propostas podem parecer utópicas. Mas é preciso lembrar: toda conquista democrática já foi considerada impossível antes de se tornar realidade histórica.

A jornada de trabalho, o voto universal, a escola pública, o sistema de saúde, os direitos trabalhistas, a previdência social e a liberdade de expressão não nasceram como concessões espontâneas do poder. Foram disputados.

A pergunta, portanto, não é se as plataformas aceitarão ser democratizadas. É evidente que não aceitarão voluntariamente. A pergunta é se as sociedades democráticas terão força política, consciência crítica e capacidade institucional para impor limites ao poder digital.

15. Conclusão: o feudo entrou no bolso

Eu termino com uma imagem simples: o feudo contemporâneo cabe no bolso.

Ele vibra, ilumina, recomenda, seduz, informa, distrai, orienta, vigia e monetiza. Não parece opressor porque é confortável. Não parece político porque é personalizado. Não parece econômico porque é cotidiano. Não parece dominação porque se apresenta como escolha.

Mas é justamente aí que mora o perigo.

O tecnofeudalismo não precisa abolir a liberdade formal. Basta organizar as condições invisíveis da escolha. Não precisa censurar tudo. Basta controlar a visibilidade. Não precisa prender o trabalhador à terra. Basta prendê-lo à plataforma. Não precisa impedir a fala. Basta decidir quem será ouvido.

Por isso, a tese de Varoufakis deve ser lida menos como diagnóstico fechado e mais como advertência histórica. Talvez o capitalismo não tenha morrido. Talvez esteja vivo demais, mutante demais, poderoso demais. Mas algo mudou: o centro da acumulação deslocou-se da fábrica para a nuvem, do mercado para a plataforma, do produto para o comportamento, da propriedade visível para a infraestrutura invisível.

E, quando isso acontece, a crítica também precisa mudar.

Não basta perguntar quem possui os meios de produção. É preciso perguntar quem possui os meios de conexão, circulação, atenção, classificação e previsão.

Porque, no século XXI, quem controla a plataforma não controla apenas o comércio.

Controla o caminho.

Controla o olhar.

Controla o tempo.

E talvez controle, silenciosamente, a própria imaginação política da sociedade.

Referências

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. 20. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2019.

DURAND, Cédric. Techno-féodalisme: critique de l’économie numérique. Paris: La Découverte, 2020.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987.

GALBRAITH, John Kenneth. O novo estado industrial. São Paulo: Abril Cultural, 1982.

HARVEY, David. O neoliberalismo: história e implicações. São Paulo: Loyola, 2008.

SRNICEK, Nick. Platform capitalism. Cambridge: Polity Press, 2017.

VAROUFAKIS, Yanis. Technofeudalism: what killed capitalism. London: Bodley Head, 2023.

ZUBOFF, Shoshana. A era do capitalismo de vigilância: a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2020.


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