A cultura da indiferença, a falência social do mercado absoluto e a disputa pelo sentido humano da economia
Lide
A pergunta “o neoliberalismo é o melhor modelo para quem?” desloca o debate econômico do campo frio das planilhas para o território concreto da vida humana. A questão não é apenas saber se o mercado gera eficiência, inovação ou crescimento. A questão central é outra: quem se beneficia, quem paga a conta e que tipo de ser humano nasce quando tudo passa a ser medido pelo preço, pela competição e pela capacidade individual de vencer.
Índice
- Introdução: quando o mercado vira medida da vida
- O que é neoliberalismo e como funciona o sistema
- A economia não é ciência exata: é ciência social
- Quarenta anos de promessas: crescimento, desigualdade e frustração
- Meritocracia, culpa individual e apagamento das estruturas
- A cultura da indiferença: quando o sofrimento vira estatística
- Mercado, moral e limites do dinheiro
- Humildade intelectual, crítica e reconstrução do comum
- Conclusão
- Pontos relevantes
- Perguntas comuns
- Referências
1. Introdução: quando o mercado vira medida da vida
A cena poderia acontecer em qualquer cidade brasileira. Um jovem acorda cedo, pega transporte lotado, trabalha o dia inteiro, estuda à noite, tenta vender algo pela internet, ouve podcasts sobre produtividade, segue influenciadores financeiros e termina o dia com a sensação amarga de que, se ainda não venceu, a culpa é dele.
Disseram-lhe que bastava esforço. Disseram-lhe que o mercado recompensa os melhores. Disseram-lhe que o Estado atrapalha, que direitos demais acomodam, que pobreza é falta de disciplina, que sucesso é escolha individual. O problema é que, ao olhar em volta, ele percebe algo desconfortável: há pessoas correndo a vida inteira sem sair do lugar, enquanto outras começam a corrida quase na linha de chegada.
É nesse ponto que a pergunta do vídeo de José Kobori ganha densidade política, econômica e moral: o neoliberalismo é o melhor modelo para quem? O vídeo parte de uma crítica ao discurso econômico dominante e à forma como a cultura de mercado produz uma espécie de pedagogia social da indiferença: ensina-se o indivíduo a competir, enriquecer, performar e vencer; raramente se ensina a compreender estruturas, desigualdades, sofrimento coletivo e responsabilidade pública. A página do vídeo confirma o eixo da reflexão de Kobori: humildade intelectual, crítica à popularidade vazia e questionamento sobre o neoliberalismo como promessa de sucesso individual.
O neoliberalismo não deve ser reduzido a um xingamento político. Ele é um modelo histórico de organização econômica e social que privilegia competição, liberalização, privatização, desregulação, austeridade fiscal, flexibilização trabalhista, abertura financeira e redução do papel redistributivo do Estado. A Britannica define o neoliberalismo como uma ideologia e modelo de política pública que enfatiza a concorrência de mercado; a Stanford Encyclopedia of Philosophy observa que o neoliberalismo combina instituições capitalistas robustas, democracia constitucionalmente limitada e um Estado de bem-estar modesto.
A tese deste artigo é direta: o neoliberalismo pode funcionar muito bem para quem já possui capital, patrimônio, redes de proteção, herança, informação privilegiada e capacidade de transformar crises em oportunidades; mas fracassa como promessa universal de bem-estar quando converte desigualdades estruturais em culpa individual e transforma a vida social em competição permanente.
2. O que é neoliberalismo e como funciona o sistema
O neoliberalismo funciona como uma arquitetura econômica, política e cultural. Não é apenas uma política de governo. É um modo de organizar a sociedade a partir da crença de que o mercado deve ser o principal mecanismo de coordenação da vida econômica.
Na prática, esse sistema opera por alguns eixos:
Primeiro, reduz o papel do Estado como planejador e provedor direto de direitos sociais, defendendo que serviços, empresas e atividades públicas sejam transferidos ao setor privado ou submetidos à lógica de eficiência empresarial.
Segundo, promove a desregulação, isto é, diminui normas sobre circulação de capitais, relações trabalhistas, investimentos, comércio e atuação empresarial. A justificativa é que menos regras gerariam mais liberdade econômica.
Terceiro, estimula a austeridade fiscal, tratando gastos sociais como problema e investimentos públicos como ameaça à estabilidade. A consequência frequente é a compressão de políticas públicas em áreas como saúde, educação, assistência social, infraestrutura e ciência.
Quarto, transforma o indivíduo em empresa de si mesmo. O sujeito deixa de ser visto como cidadão inserido em uma comunidade e passa a ser tratado como empreendedor permanente da própria vida. Se fracassa, a culpa é pessoal. Se vence, o mérito também é exclusivamente pessoal.
Quinto, naturaliza a desigualdade como resultado da competição. Quem ganha seria mais competente; quem perde teria se esforçado pouco. Esse raciocínio é sedutor porque simplifica o mundo. Mas também é perigoso porque apaga heranças, classe social, raça, território, gênero, acesso à educação, capital familiar e redes de oportunidade.
Esse ponto é essencial. O neoliberalismo não funciona apenas por leis econômicas. Ele funciona também por narrativas. Ele precisa convencer as pessoas de que a vida é uma competição justa, mesmo quando a largada é profundamente desigual.
3. A economia não é ciência exata: é ciência social
Um dos pontos mais importantes da crítica apresentada no vídeo é a recusa da ideia de que a economia seja uma ciência exata. A economia usa matemática, estatística, modelos, séries temporais e econometria. Mas seu objeto não é uma partícula física em laboratório. Seu objeto é a vida humana em sociedade.
Quando a economia esquece isso, ela se torna tecnocracia. Passa a falar de déficit, inflação, produtividade, taxa de juros, câmbio e PIB como se essas variáveis existissem fora da experiência concreta das pessoas. Mas inflação é comida mais cara. Juros altos são crédito inacessível. Desemprego é angústia familiar. Austeridade é fila no hospital, escola sem estrutura, jovem sem permanência estudantil.
A crítica não é contra o uso de modelos matemáticos. A crítica é contra a transformação do modelo em dogma. Ha-Joon Chang argumenta, em sua obra, que muitas escolhas econômicas apresentadas como técnicas são, na verdade, escolhas políticas. Michael Sandel, por outro caminho, mostra que uma sociedade de mercado é diferente de uma economia de mercado: a primeira subordina valores humanos à lógica da compra e venda.
Essa distinção é decisiva. Uma economia de mercado pode ser instrumento útil para produzir bens, coordenar oferta e demanda e estimular inovação. Mas uma sociedade de mercado ocorre quando a lógica mercantil invade tudo: saúde, educação, justiça, relações humanas, tempo, afeto, reputação, corpo e dignidade.
4. Quarenta anos de promessas: crescimento, desigualdade e frustração
A promessa neoliberal foi forte: se o Estado saísse do caminho, se os mercados fossem liberalizados, se empresas fossem desreguladas e se a competição aumentasse, todos prosperariam. A riqueza gerada no topo escorreria para baixo.
O problema é que os dados globais mostram um quadro mais complexo. O World Inequality Report 2022 apontou que os 10% mais ricos capturavam 52% da renda global, enquanto a metade mais pobre ficava com apenas 8,5%; em patrimônio, a desigualdade era ainda maior, com os 10% mais ricos detendo 76% da riqueza mundial e a metade mais pobre apenas 2%.
A Oxfam, em relatório sobre desigualdade corporativa, afirma que desde 2020 os cinco homens mais ricos do mundo dobraram suas fortunas, enquanto quase cinco bilhões de pessoas ficaram mais pobres no mesmo período. A mesma organização aponta a concentração de ativos financeiros globais nas mãos do 1% mais rico, reforçando a crítica de que o capitalismo contemporâneo tem favorecido fortemente proprietários de ativos, acionistas e grandes corporações.
O Banco Mundial, no relatório Poverty, Prosperity, and Planet 2024, observa que a redução da pobreza global desacelerou fortemente e projeta que 622 milhões de pessoas poderão viver em extrema pobreza em 2030, enquanto 3,4 bilhões poderão viver com menos de US$ 6,85 por dia.
Esses números não provam, isoladamente, que todo problema social decorre apenas do neoliberalismo. Seria simplificação. Guerras, mudanças climáticas, choques sanitários, instabilidade política, tecnologia e demografia também importam. Mas os dados enfraquecem a promessa de que a liberalização de mercados, por si só, produziria prosperidade ampla, automática e socialmente equilibrada.
Até mesmo dentro do FMI surgiram críticas internas relevantes. O artigo “Neoliberalism: Oversold?”, publicado por economistas ligados ao Fundo, questionou efeitos de certas políticas associadas à agenda neoliberal, especialmente liberalização financeira e austeridade, sobre crescimento e desigualdade.
5. Meritocracia, culpa individual e apagamento das estruturas
A meritocracia é uma ideia moralmente atraente: quem se esforça deve colher os frutos de seu trabalho. O problema começa quando ela vira explicação total da vida social.
Em uma sociedade profundamente desigual, a meritocracia pode se transformar em máquina de humilhação. O vencedor acredita que venceu sozinho. O derrotado acredita que perdeu por insuficiência pessoal. Assim, a desigualdade deixa de parecer problema político e passa a parecer falha moral do indivíduo.
Michael Sandel chama atenção para esse problema em A tirania do mérito. Quando a sociedade atribui todo sucesso ao mérito individual, ela gera arrogância nos vencedores e ressentimento nos perdedores. O sucesso deixa de ser entendido como resultado de talento, esforço, sorte, família, território, escola, políticas públicas e contexto histórico. Vira troféu moral.
No neoliberalismo, essa lógica ganha força porque o indivíduo é treinado para se ver como empresa. Ele precisa investir em si mesmo, vender sua imagem, otimizar seu tempo, monetizar seus talentos, transformar descanso em estratégia de produtividade e fracasso em defeito de gestão pessoal.
A consequência é cruel: problemas coletivos passam a ser tratados como dramas individuais. Desemprego vira falta de qualificação. Baixo salário vira falta de ambição. Endividamento vira descontrole pessoal. Pobreza vira ausência de mentalidade empreendedora. Sofrimento psíquico vira baixa performance emocional.
Essa é uma das engrenagens mais profundas do sistema: a estrutura desaparece, mas a culpa permanece.
6. A cultura da indiferença: quando o sofrimento vira estatística
A crítica de Kobori toca em um ponto moral decisivo: a cultura de mercado pode produzir indiferença. Não porque todo defensor do mercado seja indiferente, mas porque a lógica mercantil tende a medir valor por preço, produtividade, rentabilidade e capacidade de consumo.
Quando essa lógica domina a cultura, o pobre deixa de ser visto como cidadão e passa a ser visto como custo. O trabalhador vira recurso humano. O estudante vira cliente. O paciente vira usuário. A cidade vira ativo imobiliário. A natureza vira estoque. A vida vira planilha.
Milton Santos, em Por uma outra globalização, já denunciava a fábula de uma globalização apresentada como inevitável, moderna e benéfica para todos, mas que, na prática, produzia exclusão, competitividade brutal e perversidade sistêmica. A crítica de Santos permanece atual porque mostra que a globalização neoliberal não é apenas econômica: ela reorganiza percepções, desejos e valores.
A fome é um exemplo extremo dessa contradição. A FAO informou que a edição 2025 do relatório SOFI reúne dados atualizados sobre fome, insegurança alimentar, custo e acesso a dietas saudáveis; a cobertura da Reuters sobre o relatório indicou que 673 milhões de pessoas enfrentaram fome em 2024, mesmo com queda em relação ao ano anterior.
O ponto moral é evidente: um sistema econômico não pode ser avaliado apenas por sua capacidade de produzir bilionários, aplicativos, bolsas em alta ou inovação financeira. Ele precisa ser avaliado também por sua capacidade de reduzir fome, insegurança, medo, desalento, humilhação e abandono.
7. Mercado, moral e limites do dinheiro
Michael Sandel oferece uma chave poderosa: há coisas que o dinheiro compra, mas não deveria comprar. Quando tudo vira mercadoria, a sociedade perde a capacidade de distinguir preço e valor.
O mercado é eficiente para algumas coisas. Pode organizar produção, estimular criatividade, distribuir bens e sinalizar preferências. Mas há dimensões da vida que se deterioram quando passam a obedecer à lógica da compra e venda.
Educação não é apenas serviço. Saúde não é apenas produto. Segurança alimentar não é apenas demanda solvente. Moradia não é apenas ativo. Trabalho não é apenas custo. Ciência não é apenas patente. Cultura não é apenas entretenimento vendável.
Quando o neoliberalismo expande a racionalidade mercantil para todas as áreas, ele produz uma inversão: a economia deixa de servir à sociedade e a sociedade passa a servir à economia.
É por isso que a pergunta “melhor modelo para quem?” é tão incômoda. Para o investidor com patrimônio diversificado, desregulação pode significar oportunidade. Para o trabalhador precarizado, pode significar insegurança. Para o grande grupo econômico, privatização pode significar expansão de mercado. Para uma comunidade vulnerável, pode significar perda de acesso. Para quem vive de renda financeira, juros altos podem ser ganho. Para quem precisa de crédito, podem ser sufocamento.
O mesmo mecanismo produz efeitos diferentes conforme a posição social de quem o atravessa.
8. Humildade intelectual, crítica e reconstrução do comum
A saída proposta no vídeo passa pela humildade intelectual. Esse ponto é mais profundo do que parece. Em tempos de polarização, redes sociais e influenciadores econômicos, a humildade intelectual virou virtude rara.
John Stuart Mill, em Sobre a liberdade, defendia a importância do contraditório. Para Mill, silenciar uma opinião contrária é perigoso porque impede a sociedade de corrigir erros, aprofundar verdades e evitar dogmatismos. A crítica ao neoliberalismo, portanto, não deve virar dogma oposto. Ela precisa ser análise rigorosa.
Isso significa reconhecer três coisas ao mesmo tempo.
Primeiro: mercados podem ser úteis. Segundo: mercados não resolvem tudo. Terceiro: quando mercados passam a governar moralmente a sociedade, a democracia se empobrece.
A reconstrução do comum exige recuperar a ideia de que economia é meio, não fim. O objetivo de uma sociedade não pode ser apenas aumentar riqueza agregada, mas organizar condições para uma vida digna, livre, criativa e solidária.
Isso implica discutir tributação progressiva, políticas públicas universais, regulação financeira, valorização do trabalho, educação pública forte, investimento científico, sustentabilidade, combate à fome, fortalecimento democrático e proteção social.
Não se trata de negar iniciativa individual. Trata-se de impedir que a iniciativa individual seja usada como desculpa para abandonar milhões à própria sorte.
9. Conclusão
O neoliberalismo é o melhor modelo para quem? A resposta depende da posição social de quem responde.
Para quem possui capital, herança, patrimônio, acesso a bons contatos, informação estratégica e capacidade de atravessar crises sem perder dignidade, o neoliberalismo pode parecer liberdade. Para quem vive do trabalho precarizado, enfrenta transporte ruim, escola frágil, saúde insuficiente, aluguel alto, alimentação cara e insegurança permanente, essa mesma liberdade pode parecer abandono.
O problema central do neoliberalismo não é defender mercados. O problema é transformar o mercado em princípio moral absoluto. Quando isso acontece, a sociedade passa a admirar vencedores sem perguntar pelas condições da vitória; passa a julgar perdedores sem investigar as estruturas da derrota; passa a confundir riqueza com virtude, pobreza com falha pessoal e sucesso com superioridade humana.
A economia, quando esquece que é ciência social, perde sua alma pública. Vira técnica sem compaixão. Vira cálculo sem rosto. Vira eficiência sem justiça.
A pergunta de Kobori permanece como provocação necessária: não basta perguntar se o modelo gera crescimento. É preciso perguntar crescimento para quem, riqueza para quem, liberdade para quem e futuro para quem. Uma sociedade verdadeiramente desenvolvida não é aquela que produz poucos vencedores espetaculares e multidões exaustas. É aquela que não precisa sacrificar a dignidade da maioria para celebrar o sucesso de uma minoria.
10. Cinco pontos relevantes
- O neoliberalismo não é apenas economia: é também cultura, subjetividade e pedagogia social.
- A economia deve ser compreendida como ciência social, não como engenharia neutra de números.
- A meritocracia pode ocultar desigualdades estruturais quando vira explicação total do sucesso e do fracasso.
- A concentração de renda e riqueza enfraquece a promessa de prosperidade ampla defendida pela agenda neoliberal.
- O desafio contemporâneo é recolocar o mercado a serviço da sociedade, e não a sociedade a serviço do mercado.
11. Cinco perguntas comuns
1. Neoliberalismo é o mesmo que liberalismo clássico?
Não. O neoliberalismo é uma formulação histórica posterior, associada a políticas de desregulação, privatização, austeridade, abertura comercial e centralidade dos mercados no final do século XX.
2. Criticar o neoliberalismo significa ser contra o mercado?
Não necessariamente. A crítica pode reconhecer a utilidade dos mercados, mas rejeitar sua transformação em princípio absoluto de organização da vida social.
3. A meritocracia é sempre ruim?
Não. Valorizar esforço é legítimo. O problema é ignorar que oportunidades são distribuídas de forma desigual.
4. O neoliberalismo produziu algum benefício?
Em alguns contextos, políticas pró-mercado estimularam eficiência, inovação e expansão de setores produtivos. A controvérsia está na distribuição desses ganhos e nos custos sociais.
5. Qual alternativa ao neoliberalismo?
Não há uma resposta única. As alternativas geralmente envolvem Estado regulador forte, proteção social, democracia econômica, tributação progressiva, políticas públicas universais e mercados subordinados a objetivos sociais.
12. Referências
BANCO MUNDIAL. Poverty, Prosperity, and Planet Report 2024. Washington, DC: World Bank, 2024.
BRITANNICA. Neoliberalism: definition, ideology, and examples. 2026.
CHANG, Ha-Joon. 23 coisas que não nos contaram sobre o capitalismo. São Paulo: Cultrix, 2013.
FAO. The State of Food Security and Nutrition in the World 2025. Roma: FAO, 2025.
KOBORI, José. O neoliberalismo é o melhor modelo para o “seu” sucesso? YouTube, 2024.
MILL, John Stuart. Sobre a liberdade. São Paulo: Penguin Companhia, 2017.
OXFAM. Inequality Inc.: how corporate power divides our world and the need for a new era of public action. Oxford: Oxfam, 2024.
PIKETTY, Thomas. O capital no século XXI. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2014.
SANDEL, Michael J. O que o dinheiro não compra: os limites morais do mercado. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012.
SANDEL, Michael J. A tirania do mérito: o que aconteceu com o bem comum? Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2020.
SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2000.
STANFORD ENCYCLOPEDIA OF PHILOSOPHY. Neoliberalism. Stanford: Metaphysics Research Lab, 2021.
WORLD INEQUALITY LAB. World Inequality Report 2022. Paris: World Inequality Lab, 2022.
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