quarta-feira, 20 de maio de 2026

Fé, poder e política: quando o púlpito vira palanque e a religião perde sua alma pública

A expansão evangélica no Brasil revela uma das maiores transformações sociais do país; o problema começa quando a fé, que deveria acolher consciências, passa a ser usada como instrumento de medo, coerção e mobilização política radicalizada.


Lide

O Brasil vive uma mudança religiosa profunda: os católicos caíram para 56,7% da população de 10 anos ou mais, enquanto os evangélicos chegaram a 26,9% no Censo 2022. Essa expansão não é apenas religiosa; é urbana, social, econômica, jurídica, midiática e política. O ponto crítico surge quando templos, redes sociais e lideranças religiosas passam a operar como máquinas de alinhamento eleitoral, transformando divergência política em pecado, adversário em inimigo espiritual e democracia em campo de batalha apocalíptico.  


Introdução — a fé que acolhe e a fé que captura

Há uma diferença imensa entre uma religião que ampara e uma religião que captura. A primeira acolhe o ser humano em sua fragilidade, oferece comunidade, sentido, consolo e esperança. A segunda transforma a consciência em território ocupado. A primeira ensina que a fé é caminho de responsabilidade diante do próximo. A segunda converte Deus em argumento de autoridade para disciplinar o voto, controlar afetos e produzir medo.

O crescimento evangélico no Brasil é um dos fenômenos sociológicos mais importantes das últimas décadas. Não pode ser tratado com preconceito, caricatura ou simplificação. Há milhões de pessoas que encontraram nas igrejas evangélicas apoio real, reconstrução familiar, rede comunitária, linguagem acessível e pertencimento. Em muitas periferias, onde o Estado chegou tarde ou nunca chegou, o templo foi também espaço de proteção, escuta, solidariedade e organização cotidiana.

Mas é exatamente por reconhecer essa importância que a crítica se torna necessária. Quando uma estrutura de fé tão capilarizada passa a ser instrumentalizada por projetos de poder, o problema deixa de ser apenas religioso. Torna-se democrático. Torna-se jurídico. Torna-se ético.

A tese deste artigo é direta: a expansão evangélica brasileira produziu uma poderosa infraestrutura social de acolhimento, mas parte dessa infraestrutura foi politicamente capturada por lideranças, influenciadores e redes digitais que transformaram fé em ferramenta de mobilização eleitoral, coerção moral e radicalização antidemocrática.

Essa crítica não é contra os evangélicos. Pelo contrário. É também uma defesa dos cristãos que recusam ver sua fé reduzida a palanque, partido ou culto à personalidade.


1. A expansão evangélica não nasceu do nada

O crescimento evangélico brasileiro precisa ser entendido historicamente. Não se trata apenas de “aumento de fiéis”. Trata-se de uma reorganização da presença religiosa no território, sobretudo nas periferias urbanas.

O levantamento citado pela BBC News Brasil, com base em estudo do Centro de Estudos da Metrópole da USP, indicou que o número de templos evangélicos passou de 17.033 em 1990 para 109.560 em 2019, com média aproximada de 17 novos templos por dia no último ano do levantamento.  

Esse crescimento dialoga com três processos.

Primeiro, a urbanização acelerada. Milhões de pessoas migraram do campo para a cidade e encontraram periferias marcadas por precariedade, violência, informalidade e ausência de políticas públicas. A igreja, nesse cenário, não foi apenas local de culto. Foi rede de sociabilidade.

Segundo, a linguagem. Muitas igrejas pentecostais e neopentecostais souberam falar a língua do povo. Não exigiram capital cultural elevado. Não falaram de cima para baixo. Criaram uma comunicação direta, emocional, musical, testemunhal e prática.

Terceiro, a organização flexível. Ao contrário de estruturas religiosas altamente centralizadas, muitas igrejas evangélicas puderam se multiplicar rapidamente, formar lideranças locais e adaptar-se ao bairro, à rua, ao comércio, ao salão alugado, à garagem.

Essa plasticidade explica parte do sucesso. Onde havia solidão, ofereceu comunidade. Onde havia abandono, ofereceu pertencimento. Onde havia sofrimento, ofereceu narrativa.

O problema é que toda narrativa poderosa pode libertar ou aprisionar.


2. O direito abriu espaço; a política percebeu a força

A Constituição Federal de 1988 protege a liberdade religiosa e garante imunidade tributária aos templos de qualquer culto, especialmente no art. 150, VI, “b”. A proteção é correta em seu fundamento: o Estado não deve sufocar a liberdade de crença nem interferir indevidamente na organização religiosa.  

Além disso, a Lei nº 10.825/2003 reconheceu organizações religiosas como pessoas jurídicas de direito privado e reforçou sua autonomia organizacional.  

Esses marcos legais possuem sentido democrático. O Estado laico não é Estado ateu. É Estado que não adota uma religião oficial, não persegue crenças e não transforma dogma em lei. A laicidade protege o crente, o não crente, o católico, o evangélico, o espírita, o umbandista, o judeu, o muçulmano e todos os demais.

Mas toda liberdade pode ser deformada quando encontra projetos de poder sem limites éticos. A autonomia religiosa não pode se converter em blindagem para coação eleitoral. A liberdade de culto não autoriza transformar o púlpito em dispositivo de constrangimento político. A imunidade tributária não deve servir como salvo-conduto para estruturas de influência eleitoral sem transparência.

É aqui que surge o nó brasileiro: a mesma liberdade que permitiu a expansão legítima das igrejas também criou uma infraestrutura altamente capilarizada, com enorme poder de mobilização social. E a política percebeu isso.


3. O púlpito como lugar de acolhimento — e o risco do púlpito como palanque

O púlpito tem uma força simbólica diferente de um comício. Quando um político fala, o eleitor pode desconfiar. Quando uma liderança religiosa fala, muitos fiéis escutam a partir de uma relação de confiança espiritual.

Por isso, a politização religiosa é tão delicada.

Não há problema em religiosos discutirem política. Religião também produz ética pública. Igrejas podem falar sobre pobreza, fome, violência, corrupção, dignidade humana, racismo, cuidado com os vulneráveis e justiça social. O problema começa quando a reflexão ética é substituída por ordem eleitoral.

Há uma diferença entre dizer: “vote com consciência, pensando no bem comum” e afirmar: “um verdadeiro cristão só pode votar em tal candidato”. Há uma diferença entre denunciar injustiças sociais e transformar adversários em agentes do mal. Há uma diferença entre fé pública e sequestro partidário da fé.

Quando a política entra no templo como debate moral, ela pode enriquecer a consciência. Quando entra como coerção, ela destrói a liberdade espiritual.


4. A gramática do medo: profecia, conspiração e apocalipse político

Um dos fenômenos mais graves dos últimos anos foi a ascensão dos “profetas digitais”: pregadores sem grande institucionalidade clássica, mas com forte presença nas redes sociais, capazes de mobilizar multidões por meio de vídeos, lives, revelações, sonhos, teorias conspiratórias e narrativas apocalípticas.

O documentário da BBC News Brasil “Profetas do bolsonarismo” descreve como determinados líderes religiosos mobilizaram seguidores com supostas profecias sobre intervenção militar, ataques aos Poderes e retorno de Jair Bolsonaro ao poder após as eleições de 2022.  

Esse fenômeno mistura três elementos explosivos.

O primeiro é a autoridade espiritual: “Deus revelou”.

O segundo é a conspiração política: “há forças ocultas destruindo a nação”.

O terceiro é o gatilho escatológico: “estamos no fim dos tempos; quem discordar está do lado do mal”.

Essa combinação produz pânico moral. E o pânico moral é uma das matérias-primas da radicalização política.

Quando o fiel acredita que uma eleição não é apenas disputa democrática, mas batalha espiritual entre Deus e Satanás, a democracia perde sua natureza institucional. O adversário deixa de ser cidadão com opinião diferente. Torna-se inimigo metafísico.

E contra inimigos metafísicos, a história mostra, muitos se sentem autorizados a praticar violências simbólicas, sociais e até institucionais.


5. Redes sociais: o novo templo sem parede

A religião digital alterou profundamente a autoridade religiosa. Antes, o pastor dependia da comunidade local, de uma denominação, de uma hierarquia, de algum tipo de controle interno. Agora, um pregador pode não ter templo físico, mas ter centenas de milhares de seguidores.

Isso muda tudo.

As plataformas digitais recompensam emoção forte, polarização, indignação e medo. Um sermão equilibrado tende a circular menos do que uma profecia alarmista. Uma explicação bíblica cuidadosa viraliza menos do que uma denúncia conspiratória. A prudência perde para o espetáculo.

O algoritmo não pergunta se a mensagem é teologicamente séria. Ele pergunta se prende atenção.

Assim, nasce uma economia religiosa da excitação política. Quanto mais medo, mais clique. Quanto mais escândalo, mais compartilhamento. Quanto mais inimigo, mais engajamento.

Essa dinâmica não é exclusiva da religião. Acontece na política, na saúde, na economia, na educação. Mas, quando envolve fé, o impacto é mais profundo, porque toca culpa, salvação, pecado, obediência e esperança.

A desinformação religiosa não informa apenas errado. Ela aprisiona espiritualmente.


6. A perseguição interna: quando discordar vira pecado

Outro ponto decisivo é a perseguição de cristãos dentro de suas próprias comunidades por não aderirem a determinada orientação política.

A reportagem da BBC News Brasil sobre cristãos que relataram perseguição em igrejas por não apoiarem Bolsonaro reuniu mais de 100 testemunhos de diferentes estados. Os relatos apontam pressões, constrangimentos, exclusões simbólicas e associação entre divergência política e infidelidade espiritual.  

Esse fenômeno revela algo essencial: o campo evangélico não é homogêneo.

Há evangélicos conservadores, progressistas, moderados, silenciosos, críticos, bolsonaristas, antibolsonaristas, antipetistas, petistas, apartidários. Há igrejas que aderiram fortemente à política eleitoral. Há outras que resistiram. Há fiéis que aceitaram a fusão entre fé e partido. Há fiéis que sofreram justamente por recusá-la.

A categoria “os evangélicos” muitas vezes é usada de modo preguiçoso. Ela apaga diferenças regionais, denominacionais, sociais, raciais, geracionais e teológicas.

Mas a perseguição interna mostra um problema específico: quando uma liderança religiosa define qual voto é espiritualmente legítimo, ela não orienta; ela controla.

E quando controla, fere a consciência.


7. O cristão expulso pelo próprio cristianismo instrumentalizado

Há algo profundamente doloroso no relato de fiéis que se afastam da igreja não porque perderam a fé, mas porque quiseram protegê-la.

Esse é um dado espiritual e sociológico relevante: o crescimento dos “desigrejados” não nasce apenas do secularismo ou da indiferença religiosa. Em muitos casos, nasce da decepção com instituições que trocaram Evangelho por guerra cultural.

Quando uma pessoa entra no templo esperando ouvir sobre misericórdia e escuta ódio político, algo se rompe.

Quando espera comunhão e encontra patrulhamento ideológico, algo se rompe.

Quando espera Cristo e encontra culto à personalidade, algo se rompe.

O cristianismo, em sua matriz ética mais profunda, não pode ser reduzido ao moralismo seletivo. A mensagem evangélica fala de amor ao próximo, cuidado com pobres, compaixão, humildade, justiça, perdão, verdade e responsabilidade. Quando essa mensagem é substituída por paranoia eleitoral, o resultado é uma fé deformada.

Dietrich Bonhoeffer, teólogo que enfrentou o nazismo, advertiu sobre o custo da graça barata e da submissão religiosa ao poder político. A fé, quando se ajoelha diante do autoritarismo, pode manter os símbolos religiosos, mas perde o espírito profético.


8. A religião como capital político

Pierre Bourdieu ajuda a compreender esse processo ao tratar a religião como campo simbólico, no qual diferentes agentes disputam autoridade, legitimidade e poder de nomeação. Quem controla a linguagem religiosa controla também parte da percepção moral do mundo.

No Brasil contemporâneo, esse capital simbólico tornou-se também capital eleitoral.

Uma liderança religiosa não entrega apenas votos. Entrega confiança. Entrega pertencimento. Entrega interpretação moral da realidade. Entrega linguagem. Entrega rede.

Por isso partidos, candidatos e movimentos políticos disputam templos, púlpitos, rádios, canais religiosos e influenciadores da fé.

O problema não está na participação política de religiosos. O problema está na captura da fé por projetos de poder que usam Deus como cabo eleitoral.

Quando isso ocorre, o fiel deixa de ser sujeito moral e passa a ser rebanho eleitoral.


9. A democracia diante do abuso religioso

O Tribunal Superior Eleitoral possui registros e debates sobre abuso de poder religioso, especialmente quando práticas religiosas se entrelaçam com abuso econômico, uso indevido de meios de comunicação ou coação eleitoral. O tema é juridicamente complexo, porque exige equilibrar liberdade religiosa, liberdade de expressão, autonomia das igrejas e proteção da normalidade eleitoral.  

Não se trata de censurar sermões. Não se trata de proibir que religiosos tenham opinião. Não se trata de expulsar a religião da esfera pública.

Trata-se de impedir que a autoridade espiritual seja usada para constranger o voto, disseminar desinformação ou estimular ruptura institucional.

A fronteira pode ser difícil, mas não é invisível.

Uma coisa é dizer: “à luz da minha fé, defendo tais valores”.

Outra é dizer: “Deus mandou votar em tal pessoa”.

Uma coisa é criticar políticas públicas.

Outra é afirmar que adversários políticos representam o demônio, que eleições foram fraudadas sem provas ou que fiéis devem apoiar intervenção contra instituições democráticas.

A liberdade religiosa protege a fé. Não protege manipulação criminosa travestida de profecia.


10. A teologia da prosperidade e a política da recompensa

A expansão neopentecostal também se relaciona com a chamada teologia da prosperidade, cuja ênfase associa fé, vitória, sucesso, cura, conquista e ascensão material. Essa teologia dialoga fortemente com populações submetidas à precariedade, porque oferece uma gramática de superação individual.

O problema não é desejar melhorar de vida. O problema é quando a fé se converte em mercado de promessas.

Na política, essa lógica pode ser facilmente deslocada: o candidato passa a ser apresentado como instrumento da bênção; o adversário, como ameaça à prosperidade; a eleição, como batalha entre vitória e maldição.

Essa transposição é poderosa porque simplifica o mundo. A desigualdade deixa de ser problema histórico, econômico e político. Passa a ser guerra espiritual. A pobreza deixa de ser questão estrutural. Passa a ser falta de fé. A democracia deixa de ser pacto institucional. Passa a ser obstáculo quando o “escolhido” perde.

É uma forma de despolitizar a realidade enquanto se faz política o tempo todo.


11. O bolsonarismo religioso como linguagem, não apenas como voto

O bolsonarismo não foi apenas uma preferência eleitoral. Foi também uma linguagem moral.

Essa linguagem organizou o mundo em pares absolutos: bem contra mal, Deus contra comunismo, família contra degeneração, patriotas contra traidores, povo contra sistema.

Essa gramática encontrou em determinados ambientes religiosos um terreno fértil, porque dialogava com códigos já conhecidos: batalha espiritual, inimigo, perseguição, fim dos tempos, missão, escolhido, profecia.

Mas é preciso cuidado: isso não significa que o bolsonarismo “inventou” a politização religiosa. A relação entre religião e poder é antiga. O que mudou foi a escala digital, a velocidade algorítmica e a capacidade de transformar narrativas religiosas em mobilização política permanente.

O púlpito físico encontrou o púlpito digital. E o resultado foi uma máquina de convencimento afetivo.


12. O risco da idolatria política

Toda vez que um líder político passa a ser tratado como enviado, ungido, mito ou salvador, a religião entra em zona de perigo.

A tradição bíblica, inclusive, é profundamente crítica à idolatria. Idolatria não é apenas adorar estátuas. É absolutizar qualquer poder humano. É dar a um homem aquilo que deveria pertencer apenas a Deus: obediência incondicional, confiança absoluta, imunidade moral.

Quando a política cria um salvador, a crítica vira traição.

Quando a religião legitima esse salvador, a traição vira pecado.

Esse é o ponto mais perigoso: a fusão entre idolatria política e linguagem religiosa elimina o espaço da dúvida. E sem dúvida não há democracia. Sem dúvida não há consciência livre. Sem dúvida não há fé madura.

Há apenas obediência.


13. A responsabilidade das próprias igrejas

A saída não virá apenas do Estado, do Judiciário ou das plataformas digitais. Virá também de dentro das comunidades religiosas.

Igrejas precisam reconstruir uma ética da responsabilidade pública.

Isso significa separar orientação moral de coação eleitoral. Significa formar fiéis para discernimento, não para obediência cega. Significa ensinar que a democracia comporta divergência. Significa lembrar que nenhum candidato encarna plenamente o Reino de Deus.

Também significa criar mecanismos internos de responsabilização. Lideranças que usam o púlpito para humilhar fiéis, espalhar boatos, prometer intervenção divina em eleições ou estimular ruptura institucional não estão apenas “dando opinião”. Estão abusando de autoridade simbólica.

A fé precisa de humildade. A política precisa de limites. A igreja precisa de consciência histórica.


14. A responsabilidade do Estado e das plataformas

O Estado deve proteger a liberdade religiosa, mas também deve proteger a democracia.

As plataformas digitais, por sua vez, não podem fingir neutralidade diante da monetização do medo. Quando conteúdos religiosos desinformativos geram engajamento, lucro e radicalização, há responsabilidade empresarial envolvida.

A moderação de conteúdo é difícil, especialmente quando envolve crença religiosa. Mas a dificuldade não pode servir de desculpa para omissão.

Não se deve censurar doutrina. Mas é necessário enfrentar incitação, fraude, desinformação eleitoral e discurso antidemocrático.

A democracia não pode depender da boa vontade dos algoritmos.


15. Conclusão — salvar a fé da captura política

O Brasil precisa discutir religião e política sem preconceito e sem ingenuidade.

Sem preconceito, porque a expansão evangélica expressa demandas reais de acolhimento, pertencimento, linguagem popular e organização comunitária. Milhões de brasileiros encontraram nas igrejas uma rede que o Estado muitas vezes não ofereceu.

Sem ingenuidade, porque essa mesma capilaridade pode ser capturada por projetos autoritários, lideranças oportunistas e máquinas digitais de medo.

O problema não é a fé entrar no debate público. O problema é a fé ser usada para interditar a consciência. O problema não é o religioso votar conforme seus valores. O problema é alguém dizer que Deus já escolheu o voto por ele. O problema não é o templo falar de ética. O problema é o púlpito virar palanque, tribunal e fábrica de inimigos.

A democracia brasileira só amadurecerá quando conseguir proteger simultaneamente três dimensões: a liberdade religiosa, a liberdade de consciência e a integridade das instituições democráticas.

A fé, quando é verdadeira, não precisa de coerção. A política, quando é democrática, não precisa de profecia fraudulenta. E a religião, quando preserva sua alma pública, não transforma o próximo em inimigo: transforma o medo em responsabilidade, a dor em comunidade e a esperança em compromisso com a dignidade humana.


5 pontos centrais do artigo

  1. A expansão evangélica é fenômeno social legítimo, ligado à urbanização, periferização, linguagem acessível e ausência do Estado.
  2. A politização religiosa se torna perigosa quando transforma orientação moral em coerção eleitoral.
  3. As redes sociais criaram “púlpitos digitais” com baixa responsabilização institucional e alto poder de radicalização.
  4. O campo evangélico não é homogêneo; há muitos cristãos críticos à captura partidária da fé.
  5. O desafio democrático é proteger liberdade religiosa sem permitir abuso espiritual, desinformação e ataque ao Estado de Direito.


Referências

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