quinta-feira, 21 de maio de 2026

O Brasil quer salvar a escola sem pagar quem a sustenta

A valorização docente não é discurso: é salário, carreira, respeito público e condição concreta de trabalho


Índice

  1. Lide
  2. A história de Helena: uma professora que poderia existir em qualquer cidade brasileira
  3. A escola brasileira entre o discurso nobre e o contracheque humilhado
  4. Vocação não paga boleto: o mito moral que sustenta a precarização
  5. O adoecimento docente como sintoma político
  6. A perda do desejo social de ensinar
  7. Paulo Freire, presença humana e dignidade pedagógica
  8. Darcy Ribeiro e a crise que parece projeto
  9. O que significa valorizar professores de verdade
  10. Conclusão
  11. Cinco pontos centrais do artigo
  12. Referências


Lide

O Brasil aprendeu a elogiar professores em discursos oficiais, campanhas emocionadas e datas comemorativas. Mas ainda hesita quando a valorização precisa sair da retórica e entrar no orçamento. A contradição é dura: o país afirma querer salvar a escola pública, mas muitas vezes aceita que aqueles que a sustentam trabalhem sob baixos salários, exaustão crônica, insegurança, pressão burocrática e desrespeito social. Não há educação forte com professor fragilizado. Não há projeto nacional sério quando ensinar vira sacrifício permanente.


O Brasil quer salvar a escola sem pagar quem a sustenta

Helena acorda às 5h10. Não porque goste do silêncio da madrugada, mas porque precisa atravessar a cidade antes do trânsito engrossar. Dá aula em duas escolas. Em uma, trabalha pela manhã; na outra, à tarde. À noite, corrige atividades, preenche sistemas, responde mensagens de pais, organiza planejamento e tenta estudar para não perder o fio da própria profissão.

Ela é professora de Matemática. Já ouviu muitas vezes que seu trabalho é “missão”. No começo, essa palavra a emocionava. Hoje, ela a escuta com cuidado. Missão pode ser bonita quando vem acompanhada de respeito. Mas, quando serve para justificar salário baixo, sala lotada, cobrança excessiva e ausência de estrutura, missão vira armadilha moral.

Helena não quer aplauso vazio. Quer tempo para preparar aula. Quer formação continuada de verdade. Quer salário digno. Quer carreira que não dependa de humilhação. Quer não ser tratada como culpada por todos os fracassos da escola. Quer chegar em casa e ainda ter energia para ser mãe, filha, amiga, leitora, pessoa.

A história de Helena é fictícia. Mas poderia ser real. Talvez seja real demais.

O Censo Escolar é a principal pesquisa estatística da educação básica brasileira e reúne dados sobre escolas, matrículas, profissionais e condições da oferta educacional no país. Em 2024, o Brasil contabilizou cerca de 2,3 milhões de professores na educação básica, distribuídos em aproximadamente 179,2 mil escolas (Inep, 2025).  

Esse número revela a dimensão do tema. Quando se fala em valorização docente, não se fala de uma categoria pequena. Fala-se de uma das maiores infraestruturas humanas do Estado brasileiro. Cada professora e cada professor são parte de uma engrenagem civilizatória sem a qual nenhuma política pública se sustenta por muito tempo.

O problema é que o Brasil construiu uma retórica generosa sobre educação, mas uma prática material frequentemente mesquinha. O professor aparece como herói em campanhas, mas como custo na planilha. É homenageado no discurso, mas comprimido no orçamento. É chamado de essencial, mas muitas vezes tratado como substituível.

A frase central é incômoda, mas necessária: não existe valorização docente sem valorização material.

Valorização material não significa reduzir a educação ao salário. Significa reconhecer que salário, carreira e condições de trabalho são a base concreta sobre a qual qualquer ideal pedagógico se realiza. Sem isso, a escola se transforma em um palco de exigências impossíveis: exige-se inovação de quem não tem tempo; exige-se acolhimento de quem está adoecendo; exige-se excelência de quem trabalha sob insegurança; exige-se esperança de quem foi abandonado pelo próprio sistema.

O Ministério da Educação afirma que valorizar professores envolve melhorar condições de trabalho, remuneração e reconhecimento social da importância docente (MEC, 2025). Essa definição é correta porque desloca o debate da homenagem abstrata para a política pública concreta.  

Mas há uma distância entre reconhecer e executar. O piso salarial nacional do magistério, instituído pela Lei nº 11.738/2008, tornou-se uma política importante, mas insuficiente quando não se articula a carreira, jornada, formação, infraestrutura e cumprimento efetivo pelos entes federativos. Para 2025, entidades representativas informaram o valor de R$ 4.867,77 para o piso do magistério, com reajuste de 6,27% (CNTE, 2025).  

Mesmo assim, o debate não pode ser capturado por uma pergunta simplista: “Professor ganha pouco ou ganha muito?”. A pergunta séria é outra: o Brasil remunera, protege e estrutura seus professores de modo compatível com a importância estratégica que diz atribuir à educação?

A resposta, infelizmente, ainda é não.

O discurso da vocação sempre teve dupla face. De um lado, reconhece algo verdadeiro: ensinar exige compromisso humano, sensibilidade, escuta, paciência e sentido público. De outro, pode funcionar como mecanismo de domesticação. Quando se diz que professor trabalha por amor, muitas vezes se quer dizer que ele deve suportar tudo sem reclamar.

Paulo Freire compreendia a docência como prática profundamente humana, ética e política. Ensinar, para ele, não era transferir conhecimento mecanicamente, mas criar possibilidades para sua produção e construção (Freire, 1996). Essa compreensão eleva a docência. Mas justamente por elevá-la, exige dignidade. Uma pedagogia da autonomia não pode depender de professores submetidos à heteronomia material.

A escola precisa de presença humana. Precisa de vínculo. Precisa de autoridade pedagógica legítima. Nenhuma tecnologia substitui completamente aquilo que nasce do encontro entre professor, estudante, linguagem, mundo e experiência. Plataformas podem auxiliar. Sistemas podem organizar. Inteligência artificial pode apoiar determinadas tarefas. Mas educação não é apenas transmissão de informação. Educação envolve formação, reconhecimento, conflito, escuta, interpretação e responsabilidade.

Tardif (2014) lembra que o saber docente é plural, formado por conhecimentos disciplinares, curriculares, experienciais e profissionais. Isso significa que o professor não é um repetidor de apostila. É um trabalhador intelectual cuja prática se constrói no cruzamento entre teoria, experiência, contexto social e relação humana.

Quando esse trabalhador é reduzido a executor de metas, preenchimento de plataformas e cumprimento de apostilas, perde-se algo essencial. A escola pode continuar funcionando administrativamente, mas começa a morrer pedagogicamente.

O adoecimento docente é um dos sinais mais graves dessa morte lenta.

Adoece-se pela humilhação pública. Adoece-se pela exaustão crônica. Adoece-se pela ameaça ideológica. Adoece-se pela violência simbólica, verbal e, em alguns casos, física. Adoece-se pela insegurança financeira. Adoece-se pela sensação de trabalhar muito e ainda assim ser acusado de fazer pouco.

Christophe Dejours (1992), ao estudar sofrimento e trabalho, mostra que o adoecimento não nasce apenas da carga objetiva de tarefas, mas também da perda de sentido, da falta de reconhecimento e da impossibilidade de transformar sofrimento em realização. No caso docente, esse ponto é decisivo. Muitos professores suportam cargas intensas quando sentem que seu trabalho tem sentido e reconhecimento. Mas, quando a carga aumenta e o reconhecimento desaparece, o sofrimento se acumula.

Byung-Chul Han (2015), ao analisar a sociedade do cansaço, ajuda a compreender outro aspecto: a exaustão contemporânea muitas vezes aparece como falha individual, quando na verdade expressa formas estruturais de pressão, desempenho e autocobrança. O professor brasileiro vive isso com intensidade. É cobrado para ser inovador, psicólogo, assistente social, mediador de conflitos, técnico de sistema, produtor de relatórios, comunicador digital e gestor emocional da sala de aula.

Mas continua sendo remunerado como se apenas “desse aula”.

A contradição tornou-se obscena.

O Anuário Brasileiro da Educação Básica de 2024 apontou que 12,8% dos profissionais da educação básica não possuíam graduação em 2023, com situação mais grave na educação infantil, onde aproximadamente um em cada cinco docentes não tinha curso superior (Todos Pela Educação, 2024).  

Esse dado não deve ser usado para culpar professores. Deve ser lido como sintoma de uma política nacional incompleta. Formação docente exige investimento. Exige universidade. Exige licenciatura forte. Exige carreira atrativa. Exige condições para que bons estudantes queiram ser professores e permaneçam na profissão.

Aqui surge uma questão fundamental: o Brasil está perdendo o desejo social de ensinar?

A falta futura de professores não é apenas uma estatística de mão de obra. É um colapso simbólico. Quando jovens olham para a profissão docente e enxergam sofrimento, desrespeito, salário limitado e baixa valorização social, a sociedade envia uma mensagem silenciosa: ensinar não compensa.

Essa mensagem é devastadora.

Nóvoa (1992) argumenta que a formação docente precisa considerar os professores como sujeitos de conhecimento, identidade e experiência profissional. Valorizar o professor não é apenas oferecer cursos pontuais. É construir uma cultura profissional em que o docente seja reconhecido como autor de práticas, pesquisador de sua realidade e protagonista da escola.

No Brasil, porém, frequentemente se faz o contrário. As políticas educacionais são desenhadas de cima para baixo, com forte pressão por resultados, indicadores e padronizações. O professor é convocado a executar, mas nem sempre a pensar. É responsabilizado pelos resultados, mas raramente participa da definição das condições que produzem esses resultados.

A lógica é injusta: o sistema entrega problemas estruturais e cobra soluções individuais.

A escola pública brasileira recebe estudantes marcados por desigualdades profundas. Fome, violência, pobreza, ausência de moradia adequada, trabalho infantil, precarização familiar, dificuldades de acesso à saúde mental e falta de equipamentos culturais entram na sala de aula todos os dias. O professor não encontra apenas conteúdos a ensinar. Encontra vidas atravessadas por um país desigual.

Por isso, discutir salário docente não é corporativismo. É discutir a própria capacidade do Estado de enfrentar desigualdades.

Nancy Fraser (2001) ajuda a compreender que justiça social envolve redistribuição e reconhecimento. Aplicando essa chave ao debate educacional, a valorização docente precisa combinar as duas dimensões: redistribuição material, por meio de salário, carreira e condições de trabalho; e reconhecimento simbólico, por meio de respeito, autonomia e autoridade profissional.

Quando há reconhecimento sem redistribuição, temos homenagem vazia. Quando há redistribuição sem reconhecimento, temos política incompleta. A docência precisa das duas coisas.

A frase atribuída a Darcy Ribeiro — “a crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto” — tornou-se popular porque sintetiza uma percepção histórica: a precarização da escola pública não pode ser explicada apenas por acidente, desorganização ou falta de consciência. Em muitos momentos da história nacional, a educação do povo foi tratada como ameaça, não como direito.

Darcy Ribeiro (1995) via a educação como eixo de construção nacional. Para ele, uma sociedade desigual como a brasileira não superaria sua herança colonial sem uma escola pública robusta, democrática e popular. Essa visão permanece atual. O Brasil não será uma nação plenamente soberana com professores empobrecidos e escolas exaustas.

A discussão, portanto, é política no sentido mais nobre do termo. Não se trata de partido. Trata-se de projeto de país.

Um país que paga mal seus professores aceita formar mal seu futuro. Um país que precariza a carreira docente economiza no presente para pagar mais caro no futuro. Um país que humilha quem ensina enfraquece a democracia, porque a escola é uma das últimas instituições capazes de formar pensamento crítico em escala pública.

Adorno (1995), ao refletir sobre educação após Auschwitz, defendia que a tarefa educativa central era impedir a repetição da barbárie. Isso exige sujeitos capazes de pensar, julgar, resistir à manipulação e reconhecer o outro. Educação, nessa perspectiva, não é treinamento técnico. É formação contra a brutalidade.

Mas quem educa contra a barbárie quando o próprio educador é tratado de forma bárbara?

A pergunta pesa.

O professor brasileiro enfrenta, além da precarização econômica, a erosão de sua autoridade simbólica. Em muitos contextos, a autoridade docente passou a ser confundida com autoritarismo. Isso é um erro. Autoridade pedagógica não é opressão. É a legitimidade construída pelo conhecimento, pela responsabilidade institucional e pelo vínculo educativo.

Sem autoridade pedagógica, a escola vira espaço de disputa permanente entre ruído, burocracia e improviso. O professor deixa de ser reconhecido como mediador qualificado do conhecimento e passa a ser visto como prestador de serviço submetido a humores externos.

Essa mudança também tem relação com a cultura digital. As redes sociais aceleraram a opinião, reduziram a paciência com processos longos e enfraqueceram mediações institucionais. A escola, que trabalha com tempo, método, leitura, escuta e elaboração, passou a disputar atenção com uma economia psíquica baseada em estímulo constante.

Nesse cenário, exigir que o professor mantenha sozinho a qualidade da aprendizagem é quase cruel.

A tecnologia pode ajudar. Mas não pode ser desculpa para desresponsabilizar o Estado. Não existe aplicativo que substitua salário digno. Não existe plataforma que substitua carreira estruturada. Não existe inteligência artificial que substitua professor respeitado. Não existe inovação pedagógica sustentável sobre esgotamento humano.

O Brasil precisa abandonar uma fantasia: a de que a escola pode continuar funcionando porque professores sempre “dão um jeito”.

Essa frase, aparentemente elogiosa, é uma condenação. O “dar um jeito” virou política pública informal. Falta material? O professor improvisa. Falta internet? O professor se vira. Falta apoio psicológico? O professor acolhe. Falta segurança? O professor administra. Falta salário? O professor faz bico. Falta tempo? O professor sacrifica a noite.

Mas nenhum sistema sério pode depender indefinidamente do sacrifício dos seus trabalhadores.

A valorização docente precisa ser compreendida em pelo menos cinco dimensões.

A primeira é salarial. Professor precisa ganhar bem. Não “um pouco melhor”. Bem. A remuneração deve ser compatível com a complexidade do trabalho, com a formação exigida e com a centralidade social da profissão. Países que levaram a educação a sério compreenderam que carreira docente precisa atrair bons quadros e permitir vida digna.

A segunda é a carreira. Não basta piso. É necessário plano de carreira consistente, progressão transparente, incentivo à formação, estabilidade profissional e valorização da experiência. Contratos precários e temporários fragilizam a identidade docente e dificultam projetos pedagógicos de longo prazo. Em 2025, debate na Câmara dos Deputados sobre o novo PNE destacou propostas como garantir formação superior e licenciatura nas áreas de atuação, assegurar percentual mínimo de professores concursados e garantir plano de carreira para profissionais da educação básica (Câmara dos Deputados, 2025).  

A terceira é a jornada. Professor precisa de tempo remunerado para planejar, estudar, avaliar, dialogar com famílias e participar da vida escolar. A aula é apenas a parte visível do trabalho docente. O invisível sustenta o visível.

A quarta é a infraestrutura. Não há pedagogia sofisticada em ambiente degradado. Sala superlotada, calor extremo, falta de equipamentos, internet instável, ausência de laboratórios, bibliotecas precárias e violência escolar deterioram o trabalho e a aprendizagem.

A quinta é o reconhecimento público. Professor não pode ser tratado como inimigo ideológico, culpado universal ou obstáculo burocrático. Críticas à escola são legítimas. Mas perseguição moral, desinformação e ataques generalizados contra docentes corroem a democracia.

É preciso dizer com clareza: defender professor não é negar problemas da educação. É reconhecer que nenhum problema educacional será resolvido contra os professores.

A escola pública precisa de avaliação, planejamento, gestão, eficiência e compromisso com aprendizagem. Mas precisa também de respeito aos trabalhadores que fazem a escola existir. O debate educacional brasileiro muitas vezes cai em falsas dicotomias: qualidade ou valorização; resultado ou salário; gestão ou carreira. Na verdade, esses elementos devem caminhar juntos.

Não há qualidade sem professor valorizado. Não há resultado sustentável sem condição de trabalho. Não há gestão moderna baseada em exaustão. Não há inovação sem estabilidade mínima. Não há escola democrática com professores amedrontados.

O Brasil precisa transformar a valorização docente em política de Estado. Isso envolve União, estados e municípios. Envolve financiamento adequado. Envolve pacto federativo. Envolve controle social. Envolve responsabilidade fiscal, sim, mas também responsabilidade educacional. Afinal, orçamento não é apenas cálculo: é declaração moral de prioridade.

Quando o Estado diz que não há dinheiro para professor, mas encontra recursos para outras áreas menos estruturantes, ele revela uma escolha. Quando se aceita escola precária como normalidade, revela-se outra escolha. Quando se naturaliza o professor cansado, endividado e desrespeitado, revela-se um projeto de sociedade.

A pergunta que precisa orientar o debate é simples: que país nasce de uma escola sustentada por profissionais exaustos?

A resposta é dura: nasce um país menor do que poderia ser.

Helena, nossa professora fictícia, chega ao fim do dia. Ela abre o caderno de uma aluna que escreveu: “Professora, hoje eu entendi”. Essa frase ainda a comove. É por isso que ela fica. Mas não deveria ser por isso que o sistema se aproveita dela.

A beleza do gesto pedagógico não pode servir para encobrir a feiura da precarização.

Ensinar é bonito. Explorar quem ensina, não.

A escola pública brasileira não precisa apenas de defesa abstrata. Precisa de financiamento, carreira, respeito, segurança, formação, gestão e projeto nacional. Precisa que a sociedade pare de dizer que professor é importante apenas em outubro, nas campanhas eleitorais e nas tragédias educacionais.

Valorizar professor é pagar bem. É garantir carreira. É reduzir a sobrecarga. É proteger a autoridade pedagógica. É escutar quem está no chão da escola. É compreender que a educação não acontece em PowerPoint ministerial, mas na sala de aula concreta, entre vidas concretas, com trabalhadores concretos.

O Brasil quer salvar a escola?

Então precisa começar por quem a sustenta.


Conclusão

A crise docente brasileira não é apenas salarial, embora o salário esteja no centro da questão. É uma crise de reconhecimento, carreira, autoridade, saúde, tempo e sentido. O professor foi transformado em símbolo da esperança nacional, mas muitas vezes abandonado na materialidade da vida cotidiana. Essa contradição cobra seu preço: adoecimento, desânimo, evasão da carreira, perda de atratividade da docência e enfraquecimento da escola pública.

Não há democracia forte sem escola pública forte. Não há escola pública forte sem professor valorizado. E não há valorização docente séria sem dinheiro, carreira e condições reais de trabalho. O resto é homenagem vazia.


Cinco pontos centrais do artigo

  1. Não existe valorização docente sem valorização material.
  2. A vocação não pode ser usada como justificativa para precarização.
  3. O adoecimento docente é sintoma de uma crise estrutural da escola.
  4. A perda do desejo social de ensinar ameaça o futuro da educação brasileira.
  5. Salário, carreira, jornada, infraestrutura e reconhecimento formam a base de uma política docente séria.


Referências

ADORNO, Theodor W. Educação e emancipação. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.

ALVES, Thiago; PINTO, José Marcelino de Rezende. Remuneração média como indicador da valorização docente no mercado de trabalho. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, 2018.

BRASIL. Lei nº 11.738, de 16 de julho de 2008. Regulamenta o piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica. Brasília, DF: Presidência da República, 2008.

CÂMARA DOS DEPUTADOS. Especialistas destacam importância de garantir a valorização dos professores no novo PNE. Brasília, DF, 2025.

CNTE. Nota de esclarecimento: Portaria MEC nº 77/2025 — Piso do Magistério. Brasília, DF, 2025.

DEJOURS, Christophe. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. São Paulo: Cortez, 1992.

FRASER, Nancy. Da redistribuição ao reconhecimento? Dilemas da justiça na era pós-socialista. In: SOUZA, Jessé. Democracia hoje: novos desafios para a teoria democrática contemporânea. Brasília, DF: Editora UnB, 2001.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015.

INEP. Censo Escolar da Educação Básica 2024. Brasília, DF: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 2025.

MEC. Valorização docente. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2025.

NÓVOA, António. Os professores e a sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1992.

RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2014.

TODOS PELA EDUCAÇÃO. Anuário Brasileiro da Educação Básica 2024: professores. São Paulo: Todos Pela Educação, 2024.


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