quinta-feira, 21 de maio de 2026

O mercado da exaustão: redes sociais, apostas digitais e o adoecimento do nosso modo de viver

Subtítulo

Uma reflexão jornalística, crítica e pessoal sobre como a falta de tempo, de renda, de lazer e de horizonte coletivo empurra milhões de pessoas para telas infinitas, falsas vidas perfeitas e promessas digitais de alívio imediato


Introdução

Tenho defendido há muito tempo uma preocupação que, para mim, se tornou uma das grandes questões sociais do nosso tempo: a vida cotidiana está sendo comparada, julgada e sentida a partir de vitrines digitais. Não estamos apenas usando redes sociais; estamos aprendendo, muitas vezes sem perceber, a medir a nossa existência por imagens editadas, vídeos curtos, corpos performados, viagens inalcançáveis, festas permanentes, consumo ostentado e narrativas de sucesso que raramente mostram o preço emocional, financeiro e humano daquilo que exibem.

O problema não é apenas tecnológico. É social, econômico, cultural e psíquico. Quando o trabalhador chega em casa exausto, sem dinheiro para lazer de qualidade, sem tempo para convivência, sem cidade acolhedora, sem política pública de cultura, esporte e descanso, o celular aparece como refúgio. A tela vira sofá, praça, cinema, terapia, cassino, companhia e anestesia. Mas uma anestesia que cobra caro.

O Brasil tinha, no início de 2025, cerca de 183 milhões de usuários de internet e 144 milhões de identidades usuárias de redes sociais, segundo o DataReportal (2025). Isso significa que a vida digital já não é um detalhe da vida social brasileira: ela se tornou uma de suas principais arenas de formação de desejos, frustrações, percepções e expectativas.  

Ao mesmo tempo, o avanço das apostas digitais acendeu um alerta público. O Banco Central identificou, em 2024, alto volume de transferências por Pix para empresas de apostas, inclusive entre beneficiários de programas sociais; a Agência Brasil informou que cerca de 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família enviaram R$ 3 bilhões a plataformas de apostas apenas em agosto de 2024.  

Minha tese é direta: o adoecimento contemporâneo da percepção sobre “o que é viver” nasce da combinação entre desigualdade material, exaustão do trabalho, ausência de lazer real, comparação permanente nas redes sociais e captura econômica da atenção humana por plataformas digitais. Não se trata de culpar individualmente quem passa horas no celular ou quem busca alívio em promessas rápidas. Trata-se de compreender que há um sistema inteiro organizado para lucrar com o cansaço, a solidão, a ansiedade e a esperança das pessoas.

1. A vida virou vitrine: quando existir passa a significar parecer feliz

As redes sociais produziram uma mutação profunda: antes, as pessoas comparavam suas vidas com a vizinhança, a família, os colegas de trabalho. Hoje, comparam suas vidas com milhares de imagens selecionadas, filtradas e muitas vezes monetizadas. O problema não está em ver a vida dos outros. O problema está em tomar a parte editada como se fosse o todo.

Byung-Chul Han (2017) argumenta que a sociedade contemporânea deixou de se organizar apenas pela repressão externa e passou a se organizar pelo desempenho, pela exposição e pela autoexploração. O sujeito moderno acredita ser livre, mas frequentemente transforma a própria vida em mercadoria, projeto, marca e vitrine. Nas redes sociais, essa lógica aparece com brutal clareza: não basta viver; é preciso publicar. Não basta descansar; é preciso mostrar o descanso. Não basta viajar; é preciso transformar a viagem em prova pública de felicidade.

É nesse ponto que a percepção sobre a vida adoece. A pessoa comum olha para sua rotina — trabalho, ônibus, boleto, cansaço, cuidado com filhos, casa simples, pouca folga — e passa a sentir que está fracassando. Mas ela não está comparando sua vida real com outra vida real. Está comparando sua vida inteira com recortes espetaculares da vida dos outros.

Guy Debord (1997), ao analisar a “sociedade do espetáculo”, já apontava que, nas sociedades modernas, a aparência tende a substituir a experiência direta. O espetáculo não é apenas um conjunto de imagens; é uma relação social mediada por imagens. Essa ideia ajuda a entender por que tanta gente sente que vive menos do que os outros: porque o parâmetro de comparação deixou de ser a realidade e passou a ser a encenação.

2. O cansaço social e o celular como refúgio

É fácil dizer que as pessoas deveriam sair mais, praticar esportes, encontrar amigos, ler livros, caminhar, ir ao teatro, participar de atividades culturais. Difícil é dizer isso a quem trabalha demais, ganha pouco, mora longe, enfrenta transporte ruim, insegurança urbana, jornada extensa e ainda precisa cuidar da casa, da família e da própria sobrevivência.

A Constituição Federal reconhece o lazer como direito social no artigo 6º, ao lado de educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia, transporte e segurança.   No entanto, na prática brasileira, o lazer continua sendo profundamente desigual. Para os mais pobres, o lazer muitas vezes se reduz ao que é gratuito, imediato e disponível dentro de casa: o celular.

Essa é a grande armadilha. A tela parece democrática porque está no bolso de quase todos. Mas o acesso ao celular não significa acesso ao bem-estar. Pode significar, ao contrário, a substituição do lazer vivo pelo consumo passivo de estímulos. Pode significar a troca da praça pela rolagem infinita, da conversa pelo vídeo curto, do esporte pelo algoritmo, da convivência pela comparação silenciosa.

Zygmunt Bauman (2001) descreveu a modernidade líquida como um tempo de vínculos frágeis, insegurança permanente e identidades instáveis. Nas redes sociais, essa liquidez vira experiência cotidiana: tudo passa rápido, tudo se substitui, tudo exige atualização constante. O sujeito cansado não descansa; ele apenas troca o tipo de estímulo.

3. A economia da atenção: ninguém está apenas “perdendo tempo”

É preciso abandonar a ideia ingênua de que as pessoas simplesmente “perdem tempo” nas redes sociais. O tempo delas é capturado, organizado, previsto e monetizado. Plataformas digitais dependem de permanência, engajamento, repetição e retorno. Quanto mais tempo uma pessoa fica conectada, mais dados produz, mais anúncios vê e mais valor econômico gera.

Shoshana Zuboff (2021) chama esse processo de “capitalismo de vigilância”: um modelo econômico baseado na extração de dados comportamentais e na capacidade de prever e modificar condutas humanas. A questão central não é apenas observar o usuário, mas induzir comportamentos: clicar, assistir, comprar, reagir, comentar, apostar, voltar.

O DataReportal mostra que o Brasil é um dos grandes mercados digitais do mundo, com ampla penetração da internet e das redes sociais.   Isso transforma o país em território altamente relevante para empresas que disputam atenção, desejo e consumo. A atenção brasileira virou ativo econômico.

O mais grave é que essa economia da atenção opera sobre fragilidades humanas. Ela sabe que indignação prende. Que medo prende. Que inveja prende. Que promessa de enriquecimento prende. Que corpo perfeito prende. Que escândalo prende. Que recompensa variável prende. Que notificação prende. O algoritmo não precisa odiar ninguém; basta maximizar permanência. Mas essa maximização pode adoecer.

4. Reels, vídeos curtos e a fragmentação do tempo interior

Os vídeos curtos são uma das formas mais sofisticadas de captura da atenção. Eles entregam pequenas doses de novidade, humor, desejo, raiva, comparação, erotização simbólica, ostentação, tragédia e curiosidade. Cada vídeo é curto o suficiente para não exigir esforço e estimulante o suficiente para adiar a saída.

O resultado é uma relação empobrecida com o tempo. A pessoa entra para descansar cinco minutos e sai depois de uma hora com a mente mais agitada do que antes. O corpo estava parado, mas o cérebro foi atravessado por centenas de microestímulos. Não houve repouso; houve excitação fragmentada.

Nicholas Carr (2011) argumenta que a internet altera nossos hábitos cognitivos, favorecendo leitura rápida, dispersão e dificuldade de concentração prolongada. Embora a tecnologia não destrua automaticamente a inteligência, ela reorganiza práticas mentais. Quando o cotidiano se torna uma sequência de cortes, estímulos e recompensas rápidas, a paciência para processos longos diminui: ler um livro, estudar, conversar profundamente, contemplar, esperar, construir.

Esse fenômeno afeta a percepção sobre a vida. A vida real é lenta. Relações reais são lentas. Aprendizado real é lento. Transformação social é lenta. Cuidado emocional é lento. Mas a lógica das plataformas treina o sujeito para desejar velocidade, novidade e recompensa imediata. Quando a vida não entrega isso, ela parece pobre, vazia, atrasada.

5. Apostas digitais: a esperança sequestrada

As apostas digitais representam uma etapa ainda mais perigosa dessa economia da exaustão. As redes sociais vendem atenção; as apostas vendem esperança monetizada. Para quem está cansado, endividado, frustrado e sem perspectiva de ascensão social, a promessa de ganho rápido é emocionalmente poderosa.

O Ministério da Fazenda reconhece o chamado “jogo problemático” como comportamento que pode resultar em vício, endividamento excessivo, isolamento social, comprometimento da saúde mental e conflitos familiares.   Em 2025, o governo federal também estruturou ações envolvendo saúde mental e redução de danos relacionados às apostas.  

O ponto central é que as apostas não atingem apenas o bolso. Elas atingem a imaginação. Vendem a fantasia de que a vida pode mudar em um clique. Para quem já não acredita em salário justo, política pública, mobilidade social, educação transformadora ou futuro coletivo, a aposta aparece como último mito de ascensão individual.

É cruel. Porque a mesma sociedade que nega lazer, renda digna e segurança existencial oferece ao trabalhador uma tela que promete prazer barato e enriquecimento improvável. Primeiro esgota. Depois vende alívio. Depois culpa o indivíduo por adoecer.

6. Saúde mental: o sofrimento não é apenas individual

Diversas pesquisas recentes apontam associação entre uso excessivo de redes sociais e sintomas como ansiedade, depressão, baixa autoestima, isolamento social, prejuízo do sono e dificuldade de concentração, especialmente entre adolescentes e jovens.  

É importante ter rigor: não se deve afirmar que toda rede social causa sofrimento nem que todo sofrimento mental decorre da tecnologia. A relação é complexa. Depende do tempo de uso, do tipo de conteúdo, da idade, da vulnerabilidade prévia, do ambiente familiar, da renda, da escola, da comunidade e da rede de apoio.

Mas também seria irresponsável negar o problema. Quando milhões de pessoas passam horas submetidas a comparação social, estímulos rápidos, publicidade personalizada, discursos de ódio, notícias alarmistas, padrões irreais de sucesso e promessas de ganho fácil, a saúde mental coletiva sofre.

A Organização Mundial da Saúde já trata saúde mental como dimensão essencial da saúde integral. No caso brasileiro, essa discussão precisa ser atravessada por classe social. O sofrimento digital do jovem pobre não é igual ao sofrimento digital do jovem rico. Um pode desligar o celular e ir para o clube, para o intercâmbio, para o esporte pago, para a terapia privada. O outro muitas vezes só tem o celular.

7. O passado não era melhor; nossa percepção é que está sendo manipulada

Uma das consequências mais graves desse processo é a sensação difusa de que “antigamente era melhor” ou de que “hoje tudo está pior”. Essa percepção precisa ser analisada com cuidado.

É evidente que o presente tem problemas reais: precarização do trabalho, violência urbana, crise climática, insegurança econômica, solidão, ansiedade, polarização política, desigualdade, desinformação. Não se trata de romantizar o presente.

Mas também não se pode romantizar o passado. O passado brasileiro foi marcado por fome, mortalidade infantil elevada, autoritarismo, racismo institucionalizado, exclusão escolar, trabalho infantil, ausência de direitos trabalhistas para muitos grupos, violência doméstica invisibilizada e baixa expectativa de vida. A memória afetiva costuma selecionar o que conforta e apagar o que doía.

O que mudou foi a escala da exposição. Hoje, cada tragédia chega ao bolso em tempo real. Cada crime viraliza. Cada humilhação é filmada. Cada ostentação circula. Cada crise é repetida. Cada medo é transformado em conteúdo. Assim, mesmo quando alguns indicadores melhoram, a sensação subjetiva pode piorar, porque o ambiente informacional intensifica ameaça, comparação e ressentimento.

Norbert Elias (1994) ajuda a compreender que processos civilizatórios são longos, contraditórios e não lineares. A sociedade pode avançar em determinados indicadores e, ao mesmo tempo, produzir novas formas de sofrimento. O erro está em confundir percepção imediata com totalidade histórica.

8. A pobreza não é falta de vontade; é falta de estrutura

Uma das ideias mais perversas do nosso tempo é culpar o indivíduo por não conseguir viver bem em uma sociedade organizada para esgotá-lo. Dizem ao pobre: “tenha disciplina”, “saia da internet”, “faça terapia”, “vá caminhar”, “estude mais”, “empreenda”, “pare de reclamar”. Mas raramente perguntam: com que tempo? Com que dinheiro? Em que bairro? Com que transporte? Com que segurança? Com que rede de apoio?

Pierre Bourdieu (2007) mostrou que desigualdades sociais não operam apenas pela renda, mas também pelo capital cultural, social e simbólico. O acesso ao lazer, à cultura, à linguagem, aos espaços de convivência e às possibilidades de futuro é distribuído de forma desigual. O gosto, a expectativa e até a autoconfiança são socialmente produzidos.

Por isso, quando vejo trabalhadores refugiados na tela, não enxergo preguiça moral. Enxergo uma sociedade que retirou deles muitas formas de descanso e depois ofereceu um descanso artificial, controlado por plataformas. O celular vira o lazer possível porque o lazer real foi negado.

9. Crianças e adolescentes: a captura precoce da atenção

A situação é ainda mais delicada entre crianças e adolescentes. Não se trata de demonizar tecnologia, mas de reconhecer que o cérebro em desenvolvimento é especialmente vulnerável a recompensas rápidas, validação social, comparação estética e dependência de aprovação.

A literatura recente aponta preocupação com o uso excessivo de redes sociais por adolescentes, associando-o a riscos de ansiedade, depressão, prejuízo de sono, baixa autoestima e sofrimento relacionado à comparação social.  

O problema não é apenas “tempo de tela”. É tipo de tela, contexto de uso, conteúdo consumido, ausência de mediação adulta, design persuasivo e substituição de experiências fundamentais: brincar, conversar, correr, construir amizades presenciais, lidar com frustração, desenvolver imaginação, permanecer em silêncio, estudar com profundidade.

Uma geração que aprende cedo a viver sob comparação permanente pode se tornar uma geração com enorme dificuldade de reconhecer o valor da própria vida comum. E a vida comum é justamente onde a existência acontece: mesa de casa, escola, trabalho, praça, amizade, família, comunidade, fé, cultura, cuidado, silêncio.

10. A saída não é moralista; é política, cultural e coletiva

Não acredito em solução baseada apenas em sermão individual. É claro que cada pessoa precisa construir limites: reduzir tempo de tela, escolher melhor o que consome, proteger o sono, buscar convivência real, praticar atividades físicas possíveis, procurar ajuda quando necessário. Mas isso é insuficiente.

A resposta precisa ser coletiva. O Brasil precisa discutir regulação de plataformas, proteção de crianças e adolescentes, transparência algorítmica, publicidade digital, apostas online, educação midiática, saúde mental pública, direito ao lazer e políticas urbanas de convivência.

Também é preciso recolocar o lazer no centro da agenda pública. Lazer não é luxo. Lazer é saúde, cultura, vínculo, pertencimento e humanidade. Uma sociedade sem lazer real produz sujeitos mais cansados, mais manipuláveis e mais vulneráveis a falsas promessas de alívio.

Paulo Freire (1996) lembrava que a educação deve formar sujeitos críticos, capazes de ler o mundo. Hoje, ler o mundo exige também ler as telas. Exige perguntar: quem ganha com meu cansaço? Quem lucra com minha comparação? Quem monetiza minha ansiedade? Quem transforma minha esperança em produto?

Conclusão

A grande tragédia contemporânea não é apenas que as pessoas estejam usando muito o celular. A tragédia é que milhões de pessoas estejam encontrando no celular o único abrigo possível contra uma vida socialmente empobrecida, economicamente pesada e emocionalmente exaustiva.

O problema não está no trabalhador cansado que rola o feed antes de dormir. Está em uma sociedade que o cansa, o empobrece, nega lazer, precariza vínculos, destrói espaços públicos, transforma tudo em mercadoria e depois oferece uma tela como consolo. O problema não está apenas no jovem que se compara com vidas perfeitas. Está em uma cultura que transformou a aparência em medida de valor. O problema não está somente em quem aposta. Está em um mercado que aprendeu a vender esperança para quem já foi privado de horizonte.

Defendo, portanto, que a crise atual é uma crise da percepção sobre o viver. Estamos sendo ensinados a achar que viver é consumir, aparecer, vencer, postar, performar e enriquecer rapidamente. Mas viver é outra coisa. Viver é pertencer. É descansar sem culpa. É conversar sem pressa. É trabalhar com dignidade. É ter tempo para os filhos. É poder caminhar em segurança. É ter acesso à cultura. É olhar para a própria vida sem sentir que ela é um fracasso porque não parece um vídeo editado.

A disputa central do nosso tempo será pela atenção, pelo desejo e pelo sentido. Ou recuperamos coletivamente o direito a uma vida menos capturada, menos comparada e menos explorada, ou continuaremos adoecendo enquanto acreditamos estar apenas “passando o tempo”. O celular pode caber na mão, mas o mercado que opera por trás dele quer caber dentro da nossa cabeça. E talvez a maior tarefa política, ética e humana deste século seja impedir que ele ocupe também o lugar da nossa alma social.

Referências

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

BOURDIEU, Pierre. A distinção: crítica social do julgamento. São Paulo: Edusp; Porto Alegre: Zouk, 2007.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988.

CARR, Nicholas. A geração superficial: o que a internet está fazendo com os nossos cérebros. Rio de Janeiro: Agir, 2011.

DATAREPORTAL. Digital 2025: Brazil. 2025.

DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2017.

ZUBOFF, Shoshana. A era do capitalismo de vigilância. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2021.


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